Sector Urbano
São de Espinho e afirmam-se mobilizadores da cena hip hop local. Editaram agora um álbum de maquetas, para ajustar contas com o passado, ficando prontos para o grande álbum.
Como em muitas outras ocasiões, MC Caju e DJ Tombo juntaram-se por mera brincadeira. Daí à produção de um clássico urbano foi um passo, e «O Chulo do Cueca» foi o tema que os lançou. A pedido de representantes de muitas famílias decidiram continuar a produção, desta feita com maior seriedade - sem perder a ironia. Wise Thorn Departemnt (W.T.D.) e 1st Squad foram os primeiros cognomes do projecto, mas a vontade de afirmar o português como língua única fez com que o nome definitivo ficasse em Sector Urbano. Durante um longo período, Cristiano Moreira (agora nos Shingaii) também fez parte do projecto, como MC, posto que manteve até Agosto de 2002. Após a sua saída, os Sector Urbano decidiram reunir as suas melhores maquetas e lançar um álbum duplo, disco onde estão representados não só os cinco anos de existência do projecto como a cena hip hop de Espinho. Os Sector Urbano tiveram, aliás, um papel primordial no desenvolvimento desta comunidade, facto consumado em inúmeras colaborações e na criação do S.U. Clã.
Cinco anos a fazer música já pedem um álbum pensado e estruturado enquanto tal. Os Sector Urbano são também dessa opinião, estando já a trabalhar nisso. Entretanto, tal como conta Caju, vão pensando na inclusão de um novo elemento: «Nós os dois estamos de pedra e cal, resistentes, mas agora estamos a ver se convidamos um MC, para fazermos o novo álbum com a base clássica: dois MCs e um DJ. Temos uma pessoa em vista, mas ainda estamos em dicussão». Tendo em conta o seu rol de colaboradores, bem como as manifestações de talento vindas de Espinho (Bunker Intervenção e Shingaii, por exemplo), não devem faltar pretendentes ao posto. Sabendo-se que quase todos começaram com os Sector Urbano e que hoje adoptam a égide do S.U. Clã, fica traduzida a postura do projecto: «Tudo o que esteja englobado na cultura hip hop a gente apoia», diz Caju. «Uns começam agora, outros já estão há mais tempo, e curtimos ajudar. Se não têm banda vêm rimar connosco».
Falando agora sobre o novo álbum e sua orienteção sonora, Tombo conta: «Temos aquele estilo, aquele flow, aquela maneira de fazer os beats. Vai ser nessa linha mas melhorado. A nossa linha mais antiga era um bocado mais melódica, e agora vamos seguir uma linha de festa, fazer beats para a festa, mantendo também a cena agressiva. É um bocado por aí que o hip hop está a ir. O pessoal está a voltar às raízes, a seguir a onda old school. É a cena da festa, mas acho que não se deve deixar a mensagem nem a crítica social. Eu tento sempre conjugar o hardcore e o melódico, apesar de ser difícil». Sobre o eventual lançamento por uma editora, não hesita: «Em Portugal ainda há aquele complexo da cena underground não poder ter uma editora, mas acho que se fores bem tratado, se não fores “chulado”, está tudo bem».
Por Sérgio Gomes da Costa para o "Blitz"
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