Um passo para a história do Hip-Hop em Portugal
O MC e produtor português Sam The Kid começa agora a dar os primeiros passos mais mediáticos. O artista acaba de lançar o seu segundo trabalho, "Sobre(tudo)", com o qual pretende ajudar a construir a história em Portugal de um género musical ainda considerado marginal.
Ciente da dificuldade que é subsistir apenas da música, Samuel Mira (de seu verdadeiro nome) pretende que o Hip-Hop se transforme "numa cultura e numa arte" e contribuir para que "não seja um milagre um grupo de Hip-Hop lançar um disco".
"Quero que as pessoas vejam o Hip-Hop como uma cultura e uma arte, não como algo marginal. Mas é muito difícil tirar isso da cabeça das pessoas", explicou Sam The Kid ao Correio da Manhã, afirmando ainda que, tal como no seu primeiro trabalho, "Sobre(tudo)" foi gravado no seu estúdio caseiro. "E o primeiro disco fui pessoalmente pôr nas lojas", disse.
A história de Sam The Kid, de 22 anos, começou em 1992, quando um amigo lhe mostrou "o Hip-Hop de uma forma mais visual, através de videos. Achei aquilo interessante e, aos poucos, comecei a fazer músicas e a escrever letras", recorda o músico. Em 1996, formou um grupo, os Official Nasty, e passados dois anos lançou-se a solo com o seu primeiro disco, "Entre(tanto)".
Desabafando
De acordo com Sam, as suas músicas pretendem criar vários ambientes, "tentar equilibrar as coisas, seja mais pesado ou mais soft, e diversificar". Relativamente às letras, o produtor contou que escreve sobre o que está ao seu redor, "as pessoas e as conversas".
Afirmando que o Hip-Hop é a sua forma de desabafar, Sam The Kid disse ainda que, com o seu trabalho, pretende lutar pela música.
"Dá-me prazer estar nesta luta de pôr o Hip-Hop mais para cima. Estamos a fazer aquilo que certos países, como França e Alemanha, já fizeram, mas estamos com cinco anos de atraso. Estou a fazer parte da história do Hip-Hop em Portugal".
No entanto, Sam The Kid está consciente que não é uma tarefa fácil. "Também estou noutra luta, que é tentar ter a minha independência. Mas é um bocado de ilusão procurá-la no Hip-Hop", afirmou o cantor, concluindo: "Acho que o melhor é tentar arranjar um emprego, porque isto aqui é uma ilusão. Tentar ganhar dinheiro para a minha independência com o Hip-Hop é um bocado difícil, mas é também porque não tenho muita cabeça para os negócios. Acho que é melhor não dependermos apenas da música".
Apesar de não ser um artista de tops, Sam The Kid - que actualmente está a trabalhar num albúm de instrumentais - está satisfeito com os resultados obtidos: "Para mim este disco já é platina. Do primeiro CD, que andei a divulgar, vendi 500 ou 600, deste já vendi mil e estou contente. Não é preciso vender mais... (risos)".
Por Marco Pereira para o "Correio da Manhã"
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