O sistema de Leça
Já se sabia que existiam células de acção hip-hop no Porto, Gaia e Matosinhos. Agora, é a vez de Leça da Palmeira se juntar ao mais vasto, refrescante e potencialmente criativo fenómeno urbano musical underground que se deu a revelar nos últimos anos. Uma das formações mais activas de Leça são os Mundo Secreto. Começaram há 3 anos, num concerto na Escola Secundária da Boa Nova, que ainda é frequentada por elementos da banda. Os Mundo Secreto juntam as vozes dos gémeos Miguel e Diogo, de 17 anos, de Durval, 19 anos, e de Chico, 18 anos, à produção instrumental de Miguel e de Sistema, 21 anos.
Depois da experiência «divertida», segundo Sistema, da estreia em palco com apenas uma canção, decidiram empenhar-se no reforço do repertório, e começaram a dar concertos pelo norte e centro do país. Concertos quase invisíveis à superfície, pois «o meio hip-hop é um bocado escondido». A actuação mais importante da breve carreira dos Mundo Secreto ocorreu no final de 2001, no B Flat, em Matosinhos, com casa cheia. Pelas saudações vindas do palco, percebia-se que a plateia estava recheada de elementos de outras formações de hip-hop. Sistema esclarece que há pelo menos meia dúzia de bandas do género em Leça, dos Inimigos do Estado aos Entidade, dos Ultimato aos mais conhecidos Expensive Soul. São todos «amigos por uma causa». A secundária da Boa Nova funciona quase como quartel-general.
Das letras invulgarmente desenvoltas dos Mundo Secreto, Sistema explica que «cada rapper faz a sua», em função da base instrumental previamente delineada, uma base que ainda deixa transparecer uma crueza minimal. É o resultado das referências iniciais da banda muito viradas para o que Sistema chama de «hip-hop normal». Ultimamente, o grupo já vem demonstrando um entusiasmo crescente pelo novo R&B americano, o que ajuda a aguçar a curiosidade perante as movimentações futuras dos Mundo Secreto, que incluem a gravação da primeira maqueta e um calendário de concertos que, esperam, consiga chegar a Lisboa e ao Algarve.
Por Jorge Manuel Lopes para o "Blitz"
|