“Sintoniza”, de Fuse, é a mais recente proposta do hip-hop a ter em atenção
É mais uma prova cabal da força que o movimento hip-hop tem vindo a ganhar nos últimos tempos: Fuse tem um novo disco. Intitula-se “Sintoniza…” e é mais uma aposta da editora independente Loop Recordings.
Fuse, 26 anos, é do Porto mas vive há 4 anos em Guimarães. E não é propriamente um novato nestas lides – na verdade, o artista está activo há quase uma década, numa carreira distribuída entre gravações de maquetas (Dealema), concertos, parcerias, etc. “Sintoniza…” é já, aliás, o seu segundo álbum a solo.
“Isto vai crescendo”, assegura ao JN, quando questionado sobre o estado actual da cultura hip-hop. “Em França ou na Alemanha já há concertos de hip-hop que juntam dez mil pessoas”, assevera, ainda com a esperança de que, um dia, “isso também será possível em Portugal”. E parece adivinhar que “o hip-hop português vai crescer bastante em 2003/2004”.
Fuse sabe do que fala e desdobra-se em argumentos concretos para reforçar a sua ideia. Um deles passa pelo “surgimento das novas editoras independentes”.
O JN ouviu “Sintoniza…” e confirma a sua força natural. Ao longo de 21 faixas, abundam rimas suportadas por batidas e retalhos samplados, num discurso que tanto se debruça na crítica clarividente como na reflexão mais intimista.
“A febre da selva”, por exemplo; afigura-se como um dos momentos mais inspirados do álbum entendido em dinâmica arábica.
Na obra proliferam os casos de participações e colaborações de nomes como Sam The Kid, Sagas, D-Mars e Dj Assassino. Nas próximas semanas, Fuse apresentará “Sintoniza…” de microfone na mão no bar Porto Rio, junto ao rio Douro (dia 22), no Le Son, em Coimbra, a 1 de Março, e, dias mais tarde, a 15 de Março, será a vez da Galeria Zé dos Bois, em Lisboa, receber a arte e atitude do “rapper”.
Por Cristiano Pereira para o "Jornal de Notícias"
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