Letras Contemporâneas
A música moderna portuguesa está cada vez mais bem escrita. E, não só a correcção ortográfica se encontra em muito boa forma, cada vez maior cuidado tem sido empregue na produção de texto no que aos conteúdos morfossintácticos e semânticos diz respeito. O aperfeiçoamento da construção poética nacional quando conotado com música é notório e indicia um futuro sorridente para as novas bandas, conquanto provoca no ouvinte uma exigência lírica cada vez maior.
O BLITZ, ao longo de uma série de semanas e através da descodificação da poesia fabricada por algumas das mais significativas bandas da actualidade, vai tentar obter uma perspectiva mais interior e esclarecedora de como se realiza o processo de escrita, quais as fontes inspiradoras de cada «músico-poeta» e como é que tudo isso, bem ou mal, é depois condensado em poema cantado (ou dito, dependendo do estilo).
Os casos omissos, apesar de pelos quais me perdoar adiantadamente, justificam-se pelo processo de escolha, que não foi de todo aleatório: os candidatos responderam a provas-critério de qualidade, pertinência, coerência, e qualidade musical inerente. Porque não se pode negligenciar a importância do suporte, não fosse este um jornal de música e as coisas andarem, nestes casos, sempre ligadas.
Pretende a análise seguinte, portanto, depois das conversas tecidas com Pacman, Miguel Guedes e Darin Pappas, e agora continuada com o MC Ace, co-autor, com Presto, das letras do colectivo Mind da Gap, ser o retrato mais ou menos fiel, como se quiser daquilo que este dito país de poetas tem produzido e aplicado na música. Estilos e modas à parte.
Os Mind da Gap são, dos grupos de hip-hop portugas, aquele que mais se assume como incondicionavelmente apologista do estilo puro e duro, fabricando uma sonoridade que, partindo de premissas como «Mind da Gap EP» e «Sem Cerimónias» (sem contar com o desvio, a mielas com os Blind Zero, de «Flexogravity»), evidencia um claro interesse na defesa do rap da velha escola, o hip-hop que os Beastie Boys definiram como operado por «three Mcs and one DJ» no seu último disco. Não três, mas dois, são os mestres de cerimónias que servem as hostes sedentas de bom rap, que com Serial compõem os Mind da Gap. O BLITZ discorreu com Mc Ace, uma das metades do colectivo poético que, sediado no Porto, insiste em fazer disto vida, escrever poemas para debitar a um ritmo mais elevado que o vulgar.
Letra vs. Música
«Acho que as letras têm a mesma importância que têm os instrumentais. Quero dizer, apesar de ser difícil para uma pessoa que não esteja muito ligada à música, perceber alguma coisa de um instrumental, há muitos instrumentais que dizem muita coisa que não está escrita. Mas é um bocado relativo, porque se calhar diz-nos mais a nós, que fazemos música, que a outra pessoa qualquer. Acho que a importância das letras é a mesma dos instrumentais, e se um instrumental for mau, uma letra nunca vai ser boa, se estiver nesse instrumental, porque nunca se vão relacionar muito bem. Como é sabido, o Mozart e o Beethoven compunham aquelas árias todas e queriam dizer alguma coisa com aquilo tudo e a maior parte delas não tinham letras nem sequer têm pessoas a cantar. Apesar de ser Mc, não há nada que seja mais importante, tem de haver um equilíbrio entre ambas as partes.»
Estética vs. Conteúdo
«Acho que o ideal é a filosofia que nós seguimos, é de certa forma jogar com as duas partes. Ás vezes há coisas muito importantes que nós achamos que temos que dizer, e mesmo que não vá rimar dizemo-las; nesse aspecto estamos a negligenciar um bocado o aspecto estético. Há coisas que vamos dizer que até soam muito estúpidas e que dizemos só para rimar; não acontece muitas vezes mas às vezes acontece (risos). Eu sou mais por dizer as coisas que têm de ser ditas, mesmo que não rimem e o Presto é mais pelo que rima. É também por isso que nós funcionamos tão bem e temos um equilíbrio bastante bom. Eu trabalho mais a parte séria e ele trabalha mais na parte lúdica. Acho que mais uma vez, o ideal será encontrar um ponto de equilíbrio entre aquilo que fica bonito e aquilo que nós achamos que tem de ser dito e que são as nossas ideias, aquilo em que nós acreditamos.»
«Temos um sampler para sacar o que mais nos agrada, rimas ricas ou pobres, que não obedecem à métrica, sem estrutura convencional de quem especifica (...) com pormenores que nem todos conseguem entender», em «Dedicatória»; «Dizem que a minha escrita é esquisita, mas eu digo-te que é erudita», em «Coalizão – Cavaleiros do Apocalipse».
Quebra de cânones e convenções vs. Hip-hopper esclarecido?
«Nenhuma dessas citações é minha, são do Presto, mas concordo com elas, por isso posso falar por elas sem problema nenhum. Acho que cada vez mais (e é o que tentamos fazer para o álbum que se segue) é seguir esse sentido de sermos um bocado rappers iluminados; temos as nossas ideias e não são assim tão vulgares como isso. Considero-me antes um poeta, porque antes de ser rapper escrevia poemas, sempre escrevi poesia. Comecei a interessar-me muito pelo hip-hop por essa liberdade de escrever em rimas e poder aplicar muitas das coisas que tinha escrito até então. O facto de nós dizermos que somos iluminados pode ser uma faca de dois gumes, pode ser entendido por muita gente por arrogância, temos a mania que somos os gajos mais inteligentes do mundo... o que não é. E pode ser entendido positivo que é o que nós adoptamos para nós, sermos iluminados como sendo parte de uma percentagem, que está provado cientificamente que existe, de pessoas que têm o dom de espalhar as mensagens para o resto do mundo. Nesse aspecto acho que somos iluminados porque fazemos muita coisa aqui em Portugal onde muita gente ainda não tem coragem. Os Mind da Gap são um bocado como o punk: ainda que custe a muitas pessoas acreditarem nisso. Para muitas pessoas o hip-hop ainda é música comercial, mas se as pessoas pensarem, se calhar percebem que o hip-hop é do mais elaborado que há, porque continuamos a ser os que temos menos grupos e menos representação artística. Continuamos a ser muito subestimados e, nesse aspecto, os Mind da Gap definem-se como o grupo que apesar das opiniões mal formadas e pressões de um lado e de outro, continua a dizer aquilo que acha e sempre o fará, porque quando deixarem de nós dar a liberdade para nós dizermos aquilo que queremos dizer, então abandonamos a música de cabeça erguida.»
Escrever poesia vs. Aplicá-la na música e cantá-la
«Escrevo muita coisa que nunca na vida vou poder cantar, porque são coisas muito pessoais e acho que todos os artistas devem estabelecer uma barreira entre aquilo que são os sentimentos pessoais mais íntimos e aquilo que podem, de facto escrever nas letras e cantar para as pessoas. Dão-me ambas muito prazer: gosto de cantar as coisas e expor as minhas ideias, dar concertos ao vivo e de falar para as pessoas e dizer aquilo que estou a sentir, mas também há situações que estou mais passado da cabeça, sento-me e escrevo não sei quantas páginas de poesia a descascar sobre qualquer coisa que esteja a pensar. Esse não é o prazer puro de estar a escrever, mas é o prazer de saber que estou a descrever uma experiência e que quando acabar me vou sentir muito melhor. Mas prazer mesmo, prazer puro, é o que obtenho de cantar e sentir a reacção das pessoas quando estou a falar e dizer coisas importantes, ou quando acabo um concerto e as pessoas me vêm dizer que gostaram muito de uma determinada letra. Dá-me mesmo prazer sentir que as pessoas estão a ouvir o que eu estou a dizer, ainda que metade não esteja a perceber nada da letra ou se esteja completamente a marimbar. Vai havendo cada vez mais pessoas a ter atenção ás letras das músicas, e isso dá-me prazer, particularmente.»
Crítica aos jornais de crítica musical
(muito especificamente o BLITZ)
«A música que mais se dedica a esse tema, apesar de não citar o BLITZ, nem qualquer jornal, é “O Inimigo Foi Vencido”, que foi escrita e pensada pela minha mente maquiavélica para que as coisas chegassem precisamente ao ponto a que chegaram. Acho que os jornais têm o direito de fazer críticas, ou não, a única coisa que podem fazer em relação a elas é exercer o seu direito de resposta, que, porventura, nalguns jornais, terá direito de resposta do jornalista sobre o direito de resposta do músico.»
(E não seria melhor, em vez de contra-atacar e alimentar o círculo vicioso, tentar elevar a qualidade do trabalho e esperar melhores críticas?)
«Não, porque o problema dos Mind da Gap não é se o trabalho é bom ou mau: o facto é que não há ninguém em Portugal, exceptuando uma pessoa chamada Carlos Nobre (que é o Pacman) qualificado para falar de rap. O Carlos Nobre é uma pessoa que está no meio, e compra os discos e ouve as músicas e tem mais ou menos uma ideia daquilo que é o movimento. Tirando ele, acho que não há ninguém em Portugal que possa falar de hip-hop, e não estou a falar de trip-hop, nem de pós-rock, nem de electro-qualquer coisa, aqueles nomes esquisitos que eles agora dão à música, que são derivações do hip-hop. De hip-hop puro e duro, se quisermos, acho que não há ninguém em Portugal com autoridade a 100 por cento para criticar uma coisa falando em correntes específicas que são coisas de que normalmente não percebem. “O Inimigo Foi Vencido” é uma música que foi feita com base numa situação que se passou comigo pessoalmente, que foi uma crítica que nem sequer teve nada a ver com o BLITZ, feita quando fizemos o EP com os Blind Zero e um senhor de um jornal qualquer que já não me lembro (e ainda bem), que criticou uma parte da minha letra e resolveu falar nos meus pais ao criticar a minha letra. Não são os meus pais que escreveram as minhas letras, sou eu e por isso os meus pais não são chamados para o barulho. Esse senhor levou uma carta, o direito de resposta, que foi obrigado a publicá-la e é lógico que respondeu ao meu direito de resposta, que é uma coisa que eu acho que só acontece mesmo em Portugal. A música “O Inimigo Foi Vencido” foi feita precisamente para ver a reacção dos críticos quando são criticados, porque os críticos criticam os músicos e os músicos não podem fazer nada. Mas quando os músicos criticam os críticos, estes começam logo a queixar-se, e em todas as entrevistas que demos logo que saiu o “Sem Cerimónias” era logo essa a pergunta de ataque. E isso só vem corroborar aquilo que eu disse há bocado, que os Mind da Gap continuam a ser ainda dos poucos grupos em Portugal com esta filosofia de dizer aquilo que nós achamos que tem de ser dito, independentemente de termos críticas da nossa editora ou termos críticas ainda piores da próxima vez que lançarmos um álbum. “O Inimigo Foi Vencido” provou que eu tinha razão, que ninguém gosta de ser criticado sem se poder defender. Mas foi um episódio que já passou, foi um bocado um desabafo.»
«Vamos continuar para calar todos os que criticaram», em «Benvindo»; «O dinheiro e o poder encontraram-se com a corrupção, foram todos juntos dar uma volta ao quarteirão. Pouco depois, encontraram-se com o meio musical, pegaram num CD nosso, levaram-no para um jornal. Obrigaram a arrogância a ouvi-lo até ao fim, pedem à ignorância que logo respondeu que sim. Pediram então a ambas para escreverem uma crítica, tinha que ser má, logicamente cínica», em «O Inimigo Foi Vencido»; «Faço-te uma critica como me fez o BLITZ».
«Como Quem?» vs. Ridículo pela repetição e mania de perseguição (ou como com aparente facilidade se foge com o rabo à seringa)
«Isso tem a ver com as coisas que sentíamos na altura, foi o que te disse há bocado... E se quiseres a minha opinião pessoal (que neste caso nem tem nada a ver com o assunto), detesto as letras dos GNR, são a coisa mais absurda que há. E uma pessoa da minha editora já me disse que eu nunca hei-de chegar aos calcanhares do Rui Reininho a escrever letras. Não é que eu não seja apologista do abstracto, até prefiro quinhentas vezes ver um quadro do Dali, por exemplo, um impressionista ou uma coisa abstracta qualquer, que ver uma paisagem bonitinha, daquelas de mar e sol que se vendem na rua. Só que nós funcionamos assim, falamos daquilo que sentimos, e as nossas letras no “Sem Cerimónias” foram um bocado o reflexo daquilo que nos aconteceu na altura. Toda a gente elogiava o Darin Pappas como o melhor letrista nacional, apesar de ele ser inglês. Acho isso ridículo, apesar de ser muito amigo do Darin Pappas e de me dar muito bem com ele (aliás cantei no disco dele e ele no meu), acho que é ridículo chegarem ao cúmulo de elegerem como melhor letrista português um americano e ainda não percebi, por exemplo, o que é que as minhas letras perdem para as letras do Darin Pappas, ele escreve coisas muito bonitas, mas são tudo coisas conceptuais, coisas que só existem na cabeça dele, assim como o Rui Reininho... eu era incapaz de escrever uma música sobre um mosquito, detesto mosquitos e melgas e moscas... Que me digam que ele escreve melhor que eu, até aceito, mas eu nunca faria letras sobre mosquitos, e nunca faria letras sobre um amigo meu que ande muito bem de skate, não me sentia bem. Ele, [o Darin Pappas] fez uma música sobre um amigo dele que é surfista, muito bem... Porque é que as pessoas só gostam de coisas conceptuais, muito complicadas, com muitas estrelinhas à volta, muito rocócó, quase barroco? Porque é que as coisas não hão-de ser simples?»
«Em relação à tua pergunta... se nós somos limitados. No álbum “Sem Cerimónias” fazemos referência no “O Inimigo Foi Vencido” e mais em duas músicas, onde o Presto fala do BLITZ, e diz “faço-te uma crítica como me fez o BLITZ”, o que não é nada de mal. Ele não está a dizer que o BLITZ lhe fez uma crítica má, nem está a dizer que vai fazer uma crítica má á pessoa. É uma maneira bonita de dizer que vai fazer uma crítica, e quem diz o BLITZ diz outro jornal qualquer, se calhar o BLITZ é o que tem o nome mais bonito. Eu se fosse o BLITZ até ficava contente, acho que fomos o primeiro grupo em Portugal a fazer referência ao BLITZ numa música [N.R.: Na realidade, a primeira referência ao BLITZ na letra de uma canção foi feita pelo grupo Ocaso Épico, nos idos de 80 e no ido Rock Rendez-vous. Dizia: «(...)Eu quando era novo escrevi no BLITZ (...)»].
Acho que até é um orgulho para o BLITZ.»
«O Inimigo Foi Vencido» vs. Efectivo poder influente da crítica
«Sinceramente, nesse aspecto da crítica sou um bocado céptico, porque há certo tipo de música em que eu acho que os críticos são preponderantes, mas por outro lado duvido muito da importância dos críticos. Eu nunca me senti influenciado por aquilo que escreviam, mesmo antes de ser músico, e sempre fui comprador do BLITZ. Acima de tudo, o que conta é aquilo que eu penso e aquilo que eu acho, pelo que não sei até que ponto são os críticos influentes. Mas claro que também há um certo tipo de pessoas que compram discos porque estão na moda: a maior parte das pessoas em Portugal não tem gostos definidos, não gosta de hip-hop, de rock, de tecno, de nada, mas sim aquilo que estiver a dar na altura. Se calhar foi por isso que o “Rapública” vendeu muitos discos, foi a ondinha que se criou na altura. E se calhar foi por isso que os Oasis venderam tantos discos em todo o mundo ou o Abrunhosa vendeu duas vezes seguidas tantos discos, agora se calhar do terceiro não vende nada. Esses influenciados mentais (que é uma maneira de dizer atrasados mentais, só que eu não quis ferir as susceptibilidades das pessoas ) são as pessoas que se calhar leram uma crítica a falar mal dos Mind da Gap e são pessoas que não têm personalidade, que se guiam muito por aquilo que os outros dizem, quer sejam críticos quer não.»
«Porque é que têm de nos comparar com alguém, somos nós, só por nós, não copiamos ninguém, como quem, como quem, diz-me como quem»
«Como Quem?» = Trabalho Inédito vs. Influências líricas
O que é que é inédito? Quem é que pode afirmar com certeza que tem um produto 100 por cento original? Acho que em termos de música já quase tudo foi inventado. Posso dizer-te que há uma música no nosso álbum, que é “O Mundo É Teu” que, sem vergonha nenhuma e á frente de quem for preciso, admito que é inspirada numa música do Nas que se chama “The World Is Yours”, que é de onde foi sacado o scratch. Achei piada àquela música e resolvi fazer uma “versão”, mas a letra é diferente, o instrumental é diferente, a única coisa que tem a ver é o conceito da música e o scratch,que é da música do Nas. Mas as minhas influências líricas não têm nada a ver com hip-hop, mas há muitos rappers cuja maneira de escrever gosto muito, apesar de com os quais não me identificar nada. Vivem num mundo diferente, e mesmo quando as letras falam de coisas menos concretas, menos factuais, continuam a não ser as nossas ideias. O meu ídolo era o Notorius B.I.G., gosto muito da maneira dele escrever e adoro o homem, mas era incapaz de o copiar, por exemplo, porque ele fala de uma realidade completamente diferente da minha. Se o copiasse, ia dizer que era passador de crack, e nunca vi crack à minha frente a não ser na televisão. A minha maior influência lírica nem sequer tem nada a ver com hip-hop, é o António Nobre. Aquilo que me influenciou a começar a escrever poesia foi o “Só” do António Nobre. É óbvio que quando estamos a ouvir música há sempre uma rima de um gajo qualquer que nos leva a ter inveja e a pensar “é pá, adorava ter sido eu a dizer isto”. Mas é difícil estabelecer influências líricas, continuam sempre a ser modelos. São principalmente o rap de Nova Iorque, da costa Este, e referências como o Nas, o Notorious B.I.G., os Mobb Deep, os De La Soul, que sempre tiveram uma maneira muito diferente de escrever, os Wu-Tang Clan, embora a maioria das coisas que os Wu-Tang Clan dizem sejam baboseiras, eles não dizem coisa com coisa. Mas gosto da maneira como eles cantam e dizem as rimas. Mas modelos líricos só mesmo o Notorious B.I.G.. Adorava a maneira do homem escrever e sentia as coisas que ele dizia. E isso é cada vez mais difícil de acontecer, principalmente desde que comecei a trabalhar com o Troy Hightower e que me apercebi da maneira como as coisas são feitas, quando são ditas com sentimento ou quando são ditas para ganhar dinheiro, como o passaporte para saírem do gueto. As letras daqueles gajos são falsas, dizem as coisas porque sabem que as pessoas vão gostar e vão vender discos. Descobrir isso foi algo que me desiludiu muito, porque certas musicas no gangsta eram todas inventadas e ouve algumas pessoas que me desiludiram bastante quando comecei a analisar as letras com mais frieza e discernimento e comecei a perceber que aquilo era tudo falso.»
Por Mónica Guerreiro para o "Blitz"
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