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H2T - HipHop TugaReportagem com 7PM in "Blitz" de 30/04/2002

Tudo começou em 1998. Alguns elementos de uma banda em fase terminal chamada Def Maniacs queriam formar um novo projecto e começaram a recrutar novos elementos junto do pessoal que, por aquela altura, se dedicava ao graffiti e ao breakdance na Maia. Entretanto, a Escola Secundária da Maia comemora o seu 25º aniversário e alguns dos hoje 7PM (leia-se: «sete pê eme») fazem um grande grafiiti. Uns chamaram outros, e acabaram por ser inicialmente sete, mais tarde reduzidos a seis: Overule (DJ/MC), Rodrigo (aka Sinistro - MC), Xex (MC), Mago (MC), Madflava (DJ) e Fresco (MC).

  No ano seguinte, gravam e editam, por sua conta e risco, o seu primeiro trabalho, uma espécie de maqueta, intitulada "...À Última da Hora", gravada num estúdio semi-profissional na Associação Recreativa lá do bairro. Depois, os CDs, com «booklet» fotocopiado, foram postos à venda em lojas de «streetwear» em Lisboa, Maia e Porto e comercializados mão a mão. Uma curiosidade: com uma triagem original de pouco mais de 400 exemplares, o trabalho foi objecto de pirataria (os 7PM calculam que em cerca de 300 cópias), tendo sido descobertos exemplares à venda em paradeiros tão longínquos como Marrocos ou Angola... O que, apesar de prejudicial, não deixou de os surpreender agradavelmente. No mesmo ano, esse trabalho galardoado na categoria «Melhor banda Rap/Hip-Hop» dos Prémios Maqueta da Deixe de Ser Duro de Ouvido.

  Ainda antes do primeiro trabalho, deram o primeiro concerto no auditório da Antena 3, que foi gravado. A ideia era participarem numa compilação de temas anti-drogas do Projecto Vida, que nunca viria a ser editada. Depois disso, actuaram várias vezes em escolas secundárias, deram três concertos incluídos nas festas do Hard Club e, no ano passado, fizeram a primeira parte do concerto de Kika (santos) no Festival da Juventude da Maia.

  O segundo trabalho, «Das Palavras aos pr(actos)», editado em finais do ano passado, é uma «mixtape» misturada pelos D'Artefaders, a dupla de DJs do colectivo, formada por Overule e Madflava. Sobre uma base construída a partir de vários discos de hiphop, os restantes elementos acrescentaram vozes e rimas «freestyle». O trabalho contou ainda com convidados de outras bandas, como Orlando Pona (dos Feed), também Maiato - com quem, em «Funk Triology», tentaram uma fusão de funk e rap -, e Tiago Novo/New Max (dos Expensive Soul, dupla de r&b de Leça da Palmeira) - que enriqueceu a faixa «Olhar Para Ti» com a doçura das suas vocalizações. Para os instrumentais, os D'Artefaders convocam «material estrangeiro, aquilo que a gente ouve, sempre dentro da música negra»: soul, r&b, funk, reggae...

  No segundo tema, «cinco minutos de puro XeX (xex4beats)», podemos ouvir, a certa altura, a determinação «contra tudo e contra todos», característica dos projectos de hip hop nortenhos, expressa numa espécie de manifesto de intenções. Passamos a citar: «Isto é para todos aqueles que continuam a tentar menosprezar o hip hop, mas não vão conseguir. Podes agradar, mas não passas de uma piada. Podes criticar, mas não trava a caminhada. Podes falar, mas é tudo conversa fiada. Viste a nossa chegada, assiste à reentrada. Podes aceitar, mas nunca de mão beijada. Podes cumprimentar, mas é tudo uma jogada. Podes tentar, mas nunca vai acabar. Ainda agora começou, mas nada nos vence, nada! Podes falar, mas só daquilo que entendes. Não fales só por falar, talvez te arrependas. Se não sabes o que dizes, 'tá calado. Quem disse que percebes, 'tava enganado! Este é o nosso fado, ao qual a nossa gera pertence. Toda a gente, não interessa quem perde ou quem vence. Todos juntos, a lutar pelo mesmo ideal: Hip-hop a cem por cento em Portugal».

  Mas, curiosamente, quando em pleno Café Turista, no epicentro da Maia, perguntamos aos 7PM se se sentem integrados no movimento do hip hop que se faz no Norte, a resposta é negativa. Em parte, porque são mal vistos pelo pessoal da «Nova Gaia« (os hip-hopers de Vila Nova de Gaia), o que já se traduziu em apoupos durante as suas actuações no Hard Club. «Na Maia [onde existem bandas funk como Fat Freddy, Feed e Outbreak] há mais envolvência, mais contacto regular com elementos de outras bandas«, reconhecem. E ironizam: «Se calhar isso até acontece em todo o país, menos em Gaia...».

  Nos seus conteúdos, a prioridade vai para uma certa crítica social: «Expressamos as nossas ideias em relação àquilo que achamos que está mal». No segundo trabalho, com «uma carga mais pessoal». Todos os elementos travaram conhecimento no secundário, «quando havia mais tempo». Mas, entretanto, passaram quatro anos: «Agora, as coisas são um bocado diferentes, uns estudam, outros trabalham, outros fazem as duas coisas... Há menos tempo».

  Para já, «Das Palavras aos pr(actos)» pode ser encontrado em algumas lojas de streetwear, ponto de encontro habitual da «gera» do hip-hop. No entanto, estão a tentar colocar o trabalho à venda em algumas «majors». Entretanto, alguns elementos dos 7PM estão a trabalhar por sua conta: Overule prepara uma compilação; Madflava vai fazer «uma mixtape com muitos convidados»; Xex prepara um álbum a solo, «com produção de vários elementos do grupo e convidados como New Max (dos Expensive Soul) e Sam The Kid». Quanto à totalidade dos 7PM, prepara o seu primeiro álbum de originais, que «sairá talvez no início do próximo ano. Mas, entretanto, ainda vão rodar um video-clip. «Todos juntos, a lutar pelo mesmo ideal: hip-hop a cem por cento em Portugal».

  Por Rodrigo Affreixo para o "Blitz"

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Produção - Artigo de Kamy
 
   
   
     
 
 
 
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