É sobretudo hip-hop
Nesta altura, são muitos os projectos de hip-hop que estão a chegar ao mercado. Se há uns anos este era um estilo musical bastante marginalizado, hoje em dia, já não se passa isso. A qualidade é cada vez maior e aceitação do público também.
Sam The Kid é já um nome de referência no panorama musical. Já trabalhou com vários projectos, já lançou uma edição de autor e agora embarca num trabalho que vem dar a conhecer ao grande público aquilo que já se suspeitava. O hip-hop está a crescer, em quantidade e principalmente em qualidade.
O Divergências esteve à conversa com Sam The Kid para tentar saber mais sobre “Sobre(tudo)”, o seu ultimo registo.
- “Sobre(tudo)” é o teu segundo registo discográfico. No entanto, podemos dizer que é o primeiro a chegar ao grande público. Como é que descreves este disco?
Sam The Kid - É apenas mais um disco. Mas um pouco mais trabalhado que retracta o meu redor. 18 faixas feitas ao meu gosto e com ambientes diferentes.
- Os temas expostos neste disco são, sobretudo, citadinos e de intervenção social. A zona de Chelas é várias vezes retractada. Porquê?
Sam The Kid - Porque é onde moro. Serve de base de inspiração: as pessoas, as conversas, o modo de vida....
- O movimento rap e hip-hop deixa transparecer uma grande coesão entre aqueles que participam e que se identificam com este movimento. É, então, natural a participação de convidados como Dj Cruzfader, Beto, Deus Menor, Regula, GQ, NBC ou Deo Torres?
Sam The Kid - Sim é natural porque os participantes são meus amigos e convivem comigo diariamente. Para além disso considero-os com talento e com trabalho para mostrar. Sem a participação deles o disco seria diferente.
- Este disco está a ter uma aceitação bastante grande junto do público. Achas que o hip-hop é um movimento em crescendo no nosso país?
Sam The Kid - Acho que sim. Cada vez mais se respeita o nosso trabalho. Acho que já não nos olham como marginais ou que só estamos a brincar...
- Estavas a prever uma aceitação tão grande?
Sam The Kid - Não....fiquei surpreendido. Mas essa aceitação em parte também se deve à minha distribuidora, a Edel, que tem feito um bom trabalho.
- Como qualquer pessoa, estás sujeito a receber influências musicais. Quais são aquelas que mais te marcaram e que mais se notam neste disco?
Sam The Kid - Musicalmente sou bastante ecléctico e oiço vários estilos de musica que me influenciam. Absorvo de todos um pouco, desde o soul, jazz, musica portuguesa, mas principalmente musica dos anos 70.
- Quais são, para ti, as grandes dificuldades que um projecto deste estilo tem para singrar no nosso país?
Sam The Kid - Á partida as dificuldades estão lá sempre...no hip-hop ainda mais...portanto ultrapassá-las já será uma vitória.
- Gostava, agora, de saber como é que surgiu o teu gosto por este género musical.
Sam The Kid - Um amigo meu emprestou-me uma cassete de videoclips de um programa da MTV que se chamava “Yo! MTV Raps”. Isto por volta de 1993. Fiquei fascinado e comecei a interessar-me mais. Comprei uma caixa de ritmos e formei um grupo que se chamava “Official Nasty”. O empenho não era igual por parte de todos os elementos e resolvi começar a fazer musicas sozinho.
- Como é que foi conseguir um contacto discográfico com a Edel?
Sam The Kid - Foi natural. O meu primeiro Cd fui eu mesmo que o distribui e divulguei. Foi bom para criar um nome. O segundo disco, estando na Edel, é uma natural evolução para expandir a minha musica.
- Notamos, ao longo de todo o registo, uma certa agressividade, nomeadamente nas letras. Todas elas são bastante críticas e muitas vezes parecem auto biográficas. Porquê?
Sam The Kid - Na maior parte das vezes são autobiográficas. Nas outras apenas descrevo o quotidiano do meu bairro. O hip-hop como é uma musica de intervenção implica um certo descontentamento mas o meu objectivo não é ser constantemente agressivo porque pode-se intervir com outro tipo de linguagem.
- Achas que nesta altura em Portugal há condições para acontecer o mesmo que em França no início da década de 90 com o boom do hip-hop?
Sam The Kid - Isso era muito bom mas é muito difícil. Todos nós, que fazemos hip-hop temos esse sonho e a única solução é não pensarmos nisso e apresentarmos bons trabalhos assiduamente.
- Como é que estão a correr as actuações ao vivo?
Sam The Kid - Estão a correr dentro do normal. Tenho tido muitos concertos por todo o país. Tive vários em Lisboa: Carnide, Bairro Alto, Expo, Seixal, Estoril,...
Os próximos são em Sto. Tirso no dia 23 de Março e IRS no dia 29 de Março.
- Este é um projecto para consumo interno ou achas que podem haver hipóteses de ser exportado? Estou-me a lembrar das comunidades portuguesas espalhadas pelo mundo onde as novas gerações podem identificar-se com este género musical.
Sam The Kid - Nunca pensei em exportação mas já me disseram que haveria possibilidades de vender em França e nos Palop’s, onde se fala a língua portuguesa.
- Quais são os teus projectos para o futuro?
Sam The Kid - Um álbum de instrumentais, o meu terceiro álbum, a curto prazo fazer o meu video e estou a produzir para bastantes grupos.
- Quais são os projectos nacionais que mais aprecias?
Sam The Kid - São muitos. Chullage, Beto, Dealema, Nigga Poison, Kilú, Ghetto Bastards...
- Gostavas de acrescentar mais alguma coisa?
Sam The Kid - Obrigado pelo apoio e pela atenção!
Por Artur Silva para www.divergencias.com
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