
Provavelmente um dos writers portugueses mais talentosos de todos os tempos (senão o mais talentoso) é sem dúvida Mosaik. Estilos limpos, com muito pormenor e skillz carecterizam este writer da linha de Cascais.
Para que não restem dúvidas, a Subworld teve uma conversa com ele, a após um longo debate, aqui estão algumas questões que considerámos algo interessantes.
- Quando e como começaste?
Mosaik - Comecei em 1995, mas a sério foi em 1996 quando os PRM me perguntaram se eu queria fazer parte do crew e foi com eles (Exas, Dear, Youth, Wize) que comecei a pintar regularmente.
- Porque escolheste Mosaik?
Mosaik - De início utilizei Lis One, por causa de Lisboa, a seguir passei para Mace, mas as letras não davam para o que eu queria fazer e foi então que passei a utilizar Mos derivado à assiduidade com que fazia bombing. As três letras eram boas e rápidas, mas eram muito limitativas no que diz respeito ao Hall of Fame e foi deste modo que adicionei o Aik para fazer Mosaik.
- Como defines o teu estilo e a tua presença no graffiti em Portugal?
Mosaik - Acima de tudo diferente e difícil de “bitar”, é um estilo clean, equilibrado e com grande tendência para a transformação, as letras estão em sincronia como se se tratasse de uma metamorfose. Quanto à minha presença no graff nacional fui sempre um writer activo, mas criticado por muitos talvez por não ter continuado com a minha acção de trains e bombing, não é que já não goste mas a minha vida profissional já não o permite.
- Quais são as tuas principais influências e de que modo contribuiram para o desenvolvimento do teu estilo?
Mosaik - Ah! Essa é difícil. As minhas primeiras influências foram as dos grandes mestres do old-school: os PRM, claro. Depois o estilo foi-se aperfeiçoando só por si, mas gosto muito de Loomit, Moritz, Magic, Mac Crew (são os melhores do mundo), Os Gémeos e alguns estilos nórdicos. No bombing adoro o stilo francês, aquilo é puro design, tudo fica bonito.

- Que pensas da evolução e da atitude em relação ao graffiti em comparação ao resto da Europa?
Mosaik - Eu penso que o graff tem uma evolução bastante idêntica em todos os países do mundo, no entanto esse percurso pode ser mais ou menos demorado, ainda bem que em Portugal ainda se pode pintar à luz do dia em muitas partes da cidade. Quanto à atitude, penso que é melhor do que na maioria dos outros países, apesar de já haver putos a querer arranjar batalhas entre eles, e o cross é consecutivo. Lembrem-se que isto não leva a lado nenhum, trabalhem os vossos estilos e sejam mais crescidos.
- Já assististe a jams noutros países. Quais as principais diferenças a apontar?
Mosaik - Aqui não há jams! Existem sim demonstrações de graff por parte dos writers estrangreiros que acabam por nunca pintar com os tugas. Das poucas vezes que fui lá fora notei que há um esforço conjunto para se criar algo de novo, o exemplo está nas fotos que trouxe de Amesterdão, havia pessoal de 6 países diferentes e o resultado foi uma das melhores e maiores paredes que já vi na vida, tudo feito e pensado em conjunto. Uns melhores, outros piores mas no entanto visto como um todo estava maravilhoso.

- Que pensas do crescente número de bombers?
Mosaik - É tudo um ciclo, uns param, outros começam e é isso que trás força a este lado do graff, no entanto acho que um writer tem de ser completo e o hall of fame é bom para aperfeiçoar técnicas e estilos.
- És influenciado também pela música. Achas importante existir uma forte relação entre o graffiti e o hip-hop?
Mosaik - Acho que nos dias de hoje é mais o hip-hop que se apoia no graffiti do que vice-versa mas é bom ter freaks, punks, rappers, metaleiros a fazer fluir novos estilos.
- Last words.
Mosaik - União para a margem norte e sul, Tejo e Douro, big up to five star complexo, jnco, bana, people calmo, subway rats, train snipers, wall wizards, subworld, respect to all, one lôv, peace.
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