Da Matarroa para o público
A Matarroa é uma recente editora independente dedicado em exclusivo ao hip-hop. A ideia de formar uma editora começou a tomar forma na cabeça de Martinêz, principal responsável, com o sucesso alcançado pela sua congénere BorLand. Era uma ideia antiga que cada vez mais foi tomando forma. Indiscutivelmente a Matarroa está ligada ao grupo de hip-hop MatoZoo mas, ao contrário do que acontece em alguns casos, não foi criada com o intuito de editar em primeiro lugar o grupo. Claro que o mais certo é que isso venha a acontecer mas, para já, a jovem editora já conta com dois trabalhos no mercado: “100 insultos”, de Infamous & Vrz, e “Erro Musical”, de Fidbek. Um dos atractivos que estes trabalho reúnem, a uma primeira apreciação, é a qualidade do trabalho gráfico que está a cargo de Chemega (também ele já fez parte dos MatoZoo). São dois discos que fogem às habituais capas de hip-hop e que, desde logo, servem para criar uma identidade própria. Em termos de linha editorial, esta parece estar bem definida, “...se gosto, gosto e edito, se não gosto, não vale a pena nem que veja que pode ser uma coisa que dê lucro...”, confidenciou, ao Divergências, Martinêz.
A Matarroa assume-se como a editora nacional de hip-hop alternativo numa linha que já vem sendo praticada nos Estados Unidos à algum tempo.
E nada melhor, para conhecermos a estrutura da Matarroa, do que confrontar o seu responsável com algumas questões. Para quem quiser, o endereço web é www.matarroa.com
- Como surgiu a ideia de criar uma editora de hip-hop?
Martinêz - Ao fim de longos anos a trabalhar no hip-hop, decidi que era altura de passar da fase da independência a nível musical para algo mais vasto que nos permitisse fazer algo mais “profissional” mantendo, na mesma, todo o processo sob a nossa alçada.
Dar e criar condições para uma série de projectos que considero de qualidade, fazendo-os chegar a mais gente.
A influência também resulta da criação de uma editora por outros amigos meus, de um ramo musical diferente, que fizeram-me ver (incitando-me a isso) ser possível.
- Quais os princípios básicos da editora?
Martinêz - Para já, os projectos devem fugir ao “convencionalmente” praticado dentro do hip-hop, aquele que normalmente chega aos ouvidos da maioria do público e é estereotipado pelos media. Musicalmente, devem-nos agradar, como é lógico.
- O que pretendem trazer de novo ao mercado nacional?
Martinêz - O primeiro parágrafo da resposta anterior explica bem isso, também a possibilidade de criar inter-actividade com o público através da compra online, a criação de um fórum (brevemente), o apelo ao envio de maquetas e por fim, disponibilizar vídeos, concertos e edições limitadas, apenas online. Revelar artistas que de outra forma dificilmente seriam editados por outras editoras, mesmo no que ao hip-hop diz respeito.
Também trazer alguma novidade na promoção de um disco de hip-hop.
- Em que é que as vossas edições se distinguem das demais?
Martinêz - Penso que o a concepção do nosso grafismo é uma marca muito própria, a atenção dada a outros intangíveis de um disco, também. Reforçando a ideia, o tipo de som. Oferecer melhores condições aos artistas, acordos mais vantajosos.
Inovar noutros aspectos, por exemplo, sempre que efectuamos um concerto de lançamento, o Cd em causa pode ser adquirido na festa por apenas 5 euros. Existem outras ideias interessantes em desenvolvimento, estas são algumas.
- Como estão a correr, até agora, as edições?
Martinêz - Tem sido bastante agradável a resposta do pouco público que nos ouve e da muita imprensa a quem chamamos a atenção. As vendas online têm sido uma agradável surpresa.
Deparamo-nos com alguns problemas de escoamento dos discos, principalmente devido a alguns processos (muito) burocráticos que não deveriam ter razão de ser e esperamos ver resolvidos rapidamente.
- Tem conseguido afirmar o nome da editora junto da comunicação social?
Martinêz - Sim, embora ainda passamos por uma fase inicial, tem sido bastante interessante essa afirmação quando os projectos em causa têm a estrutura e o histórico de visibilidade que têm.
Julgo que a tendência será melhorar, à medida que formos editando mais, a solidez e a coerência serão e são, sempre um factor muito importante. Para já, temos agradado. Convém referir que nada disso me tira o sono.
- Quais as próximas edições e projectos para o futuro?
Martinêz - Devido à impossibilidade financeira para lançarmos singles, aliada ao pouco escoamento que estes têm junto do público nacional, optamos pelo formato “Compilação”, como forma de promover os próximos lançamentos.
Assim, teremos para o final do Verão uma primeira compilação, onde marcarão presença os próximos projectos a serem editados, bem como alguns artistas desconhecidos até hoje que se revelam com qualidade pelas maquetas que recebemos.
Quanto a nomes: MatoZoo (2º album, a sair em Outubro), Brigadeiro Mata Frakuxz, Bezegol e Yoko-Zoona & IP Mórbido
Por Artur Silva para www.divergencias.com
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