Ruído verbal
Fidbek é um Mc português. No ano passado lançou o primeiro registo a solo, intitulado “Erro Musical”. Um disco que recebeu excelentes críticas e que se demarca um pouco do hip-hop convencional a que começávamos a ficar habituados. Oriundo do colectivo MatoZoo, Fidbek demarca-se, neste disco, de tudo aquilo que este grupo de hip-hop de Matosinhos vem fazendo. Não se considera músico, por isso é que acha que este trabalho foi um erro...musical. As rimas não falam de desgraças nem de problemas sociais, falam da sua vida, das suas experiências e das suas ideias. Hip-hop na primeira pessoa para descobrir nas linhas seguintes.
- “Erro Musical” é o teu álbum de estreia a solo. Como é que surgiu o projecto?
Fidbek - O projecto que tinha a solo surgiu antes de eu fazer parte do colectivo MatoZoo, talvez dois anos antes, quando comecei a reunir as ideias que tinha sobre músicas, foi amadurecendo conceitos e, mais tarde, quando conheci o Kiko e o Martinêz, surgiu a possibilidade de o disco ser uma realidade.
- Quando embarcas-te na concepção deste trabalho já tinhas algumas ideias sobre os instrumentais ou só tinhas as letras escritas?
Fidbek - Eu apenas escrevo, a produção, quase na totalidade, ficou a cargo do VRZ. Íamos trocando ideias, eu dava as minha dicas de como queria ou não as coisas e foi assim que se processou este trabalho.
- O título “Erro Musical” foi escolhido com algum intuito especial?
Fidbek - “Erro Musical” porque sempre me considerei muito à parte daquilo que era feito em termos de música, nunca me considerei um músico apesar de ser um grande amante de música. A explicação do nome do disco é basicamente esta.
- A nível gráfico este trabalho é um dos melhores produzidos pelo hip-hop nacional. O que é que esta capa representa?
Fidbek - A capa representa o meu caderno de rimas com apontamentos, fotografias. É um esboço daquilo que eu acho que a minha música reflecte.
- E o que é que a tua música reflecte?
Fidbek - Acho que o meu trabalho reflecte o meu dia-a-dia, a minha vida e, por vezes, algumas mensagens que quero transmitir e que acho que chega mais facilmente às pessoas através da música.
- O facto de cantares em português faz com que as pessoas consigam assimilar melhor a tua mensagem?
Fidbek - Também. Isso funciona para o nosso país agora, se estiver a pensar numa carreia além portas isso vai ser um entrave.
- Mas a internacionalização é para ti um objectivo?
Fidbek - Não a curto prazo mas é um sonho que acalento.
- Achas que o hip-hop nacional tem alguma hipótese de se internacionalizar?
Fidbek - Não digo dar um salto para os Estados Unidos ou para países que tenham um nível de hip-hop muito mais antigo e mais evoluído que o nosso mas temos os palop’s, Espanha é aqui ao lado...
- “Erro Musical” tem 17 temas, não achas que é música a mais?
Fidbek - Achas? As pessoas compram música e se eu tenho música para lhes dar, porque não? Acho que se deve colocar o máximo de temas num Cd para se mostrar o máximo de trabalho a quem o comprar.
- Como é que começou o teu gosto pelo hip-hop e como é ser um Mc?
Fidbek - Já lá vão alguns anos...não é uma coisa que acontece de um dia para o outro. È um processo gradual. Comecei a ter influências de grupos pioneiros do hip-hop mundial e, com 14 ou 15 anos, sentimos a tendência de imitar aquilo que ouvimos. Depois surgiram os primeiros grupos de hip-hop nacionais e foi assim.
- Como é que surgiu o Matarroa no teu caminho?
Fidbek - Foi uma opção normal. Queria lançar o álbum e não estava a encontrar possibilidades de o fazer devido aos elevados custos que ainda existem. A Matarroa surge devido ao contacto que tenho com os donos da editora e à minha pretensão de fazer um disco com pessoas em que tivesse confiança no seu trabalho. A Matarroa assumiu o disco e eu deu-lhes todo o meu apoio e o meu trabalho.
Por Artur Silva para www.divergencias.com
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