Palavras de Insulto
É de facto um insulto. VRZ vem de fora dos centros nacionais do hip hop e apresenta-se como se tivesse nascido num dos epicentros mundiais do movimento. A constatação pode ser matematicamente comprovada: se multiplicarmos a carga de impropérios por 100, temos «100 Insultos», ou seja, a estreia do rapper eborense nas edições em nome próprio, prova mais do que suficiente para pô-la na lista dos talentos confirmados. Viesse VRZ de Quarteira, por exemplo, e a surpresa seria atenuada. Mas não, veio de Évora, e o resto terá sido a globalização a seguir os seus. Tanto que o seu álbum de estreia é feito com a produção de Infamous, radicado no Canadá.
A edição de «100 Insultos» foi feita no Porto, em mais uma das sessões Breakin’ Style. A casa estava menos cheia do que previsto, mas tanto pior para quem faltou porque esta foi uma das noites mais conseguidas. Para começar, houve um sistema de som (finalmente) afinado e capaz de dar a perceber as letras. Depois, houve a qualidade dos temas de VRZ, condição para que o caminho ficasse mais do que andado.
Foi precisamente com o tema «100 Insultos» que VRZ e seus colaboradores (Fidbek e Bezegol) deram início à actuação. O que a partir daí se pôde confirmar é um autor de verve certeira, temas bem construídos e instrumentais a condizer. Além do tema que dá título ao disco, a prova disto veio através de «Cospe», «Putas e Palhaços» ou «Reflexo do Meu Íntimo» todos eles com registos diferentes e capazes de demonstrar a versatilidade de VRZ. O fim da noite fez-se com a tentativa de interpretação de um tema de Fuse, boicotada porque nem VRZ, nem Martinêz ou o próprio Fuse se lembravam da letra. Para salvar a situação houve a intervenção vocal de Bezegol, que no seu domínio dos registos ragga incendiou a sala.
Por Sérgio Gomes da Costa para o "Blitz" |