Breakin Style #1
Questões de território
Na sexta feira passada (08 Novembro 2002), a Positiva inaugurou o que se propõe ser uma série de festas dedicadas ao hip-hop e drum’n’bass de criação nacional no Porto Rio (aka Barco Gandufe, no Porto), sob a designação genérica «Breakin Style – from hip-hop to drum’n’bass».
A primeira festa, centrada no hip-hop, contou com uma actuação ao vivo de MC Fuse, acompanhado por DJ Guze (dos Dealema). Em cerca de uma hora, Fuse debitou as suas rimas um pouco atabalhoadamente, o que dificultou bastante a compreensão das mesmas. É bom que a cadência seja rápida, mas tem de haver preocupação em manter a dicção minimamente clara. Mesmo assim, pelo que conseguimos ouvir de quando em quando, os conteúdos pareciam ter algum interesse, revelando crítica aguçada bem apontada as desigualdades sociais, a par de algumas «bocas» dirigidas à especificidade do meio hip-hop. DJ Guze acompanhou-o na perfeição, com uma boa selecção de bases.
Mas o melhor da noite seria, antes e depois da actuação da dupla, a muito viva actuação dos D’artefaders, uma parceria dos Djs Overule e Madflava, oriundos da Maia. Com bom gosto e um grande sentido de diversão muito «old school», os rapazes passearam-se pelo melhor hip-hop, fizeram scratch (com resultados desiguais) e visitaram despudorada e frequentemente as novas tendências do r&b.
Pena foi que à festa tenha acorrido pouco público. Por falta de divulgação não terá sido, porque não há tribo mais informada que a do hip-hop. Tratando-se de uma mistura de gente de Gaia e da Maia, terá sido por uma questão de marcação de território? Em caso afirmativo, era tempo de esquecer as guerras suburbanas que estão a corroer o movimento no Porto e de começar a curtir em conjunto. Até porque é ridículo, tratando-se de algo ainda tão minoritário e de subúrbios tão pequeninos.
Por Rodrigo Afreixo para o "Blitz"
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