“Percebes hip hop? És um felizardo…”
Podia ter sido um bocadinho pior. Em quatro concertos, dois pares fariam o pleno da desgraça. Mas Sam The Kid é um desmancha prazeres e forneceu matéria para boas recordações da terceira noite de Paredes de Coura 2002.
EZ Special, Breed 77 e Puddle of Mud – mau grado a adesão cheiinha do público à última – trataram tão hediondamente a pop e o rock que deveriam ser condenados à limpeza do WC de todos os festivais europeus do ano que vem…
Sam The Kid entrou bem (saiu melhor, podem crer). Improviso vertiginoso em considerações sobre a sua presença na confraternização courense, seguido da companhia de outro MC. “Scratch” e restante acompanhamento vinílico a pingar sempre, sem parar. A moer.
“Graças a Deus ou graças aos meus”. Não sabe ao certo. “Nunca toquei para tanta gente”, deslumbra-se Sam. “Mete lá o próximo som”. E parte à descoberta. O autor de “Sobre(tudo)” tem uma capacidade discursiva interessantíssima, amparada por um “flow” adulto e autónomo. É sobre a sua visão que repousa o espectáculo, sem artifícios. Talento. Tão somente.
Para o mérito não se sentir muito desamparado, dois dançarinos regridem cerca de 20 anos e caem nos braços da breakdance. Milhares (menos do que na terça-feira) reagem bem, entusiasmados. Só mais uma, exigem. Nada feito. Intervalo. Música para entreter. Vêm aí os Breed 77. Mentira: Kid voltou, reconquistou e partiu. Sam The Kid tinha entrado bem. Abalou melhor. Acreditem.
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"Jornal de Notícias"
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