O doce veneno dos Nigga Poison
Às 19h, a grande questão é: quem é que percebe o hip-hop? Os que se dirigiram ao palco principal para ver Sam the Kid ou os que se correram para o palco secundário, atraídos pelo nome sugestivo dos Nigga Poison?
Talvez os primeiros percebam mais do assunto já que, apesar de os públicos se terem juntado em delírio quando Sam the Kid terminou o concerto, o veneno dos Nigga Poison é doce: mais reggae e ragga do que o tiroteio certeiro de palavras do rapper no palco principal.
Com miúdas roliças a dançar e uma incrível capacidade para pôr o público a cantar refrões pouco conhecidos e a abanar os quadris como se não houvesse amanhã, os Nigga Poison foram a principal banda de aquecimento.
Satisfação garantida e, entre o hip-hop e a Jamaica, cria-se a passagem para o reggae rockeiro do judeu Matisyahu, prestes a subir ao palco principal.
Com a diferença de que, nos Nigga Poison, a barraca abanou à força de mais hormonas do que a religião de Matisyahu - que proíbe até o mínimo contacto com mulheres fora do âmbito familiar - alguma vez movimentará num palco.
Antes dos Nigga Poison, o jazz dançante da Tora Tora Big Band levantou poeira ao início da tarde.
Por Ana Markl para o "Sol"
Perceber o hip-hop com Sam e a malta
Cinco anos passaram desde a estreia de Sam the Kid num grande festival. Em 2007, rapper e público têm a lição decorada. Hoje, Sam saiu do quarto em Chelas para ser aclamado no Alive.
Em 2002, Sam the Kid estreou-se no palco principal de um festival de Verão. Em Paredes de Coura, entalado entre uns rapidamente perecíveis Breed 77 (quem?) e os futuros reis da música para anúncio, Ez Special, Sam e mais dois amigos fizeram a festa. A única festa daquele dia, de resto. Eram três, cabiam num Fiat Punto de três portas e o hip-hop tuga estava a despertar. Naquela noite houve muito abrir de pestana.
Dez de Junho de 2007, festival Oeiras Alive, dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas. Estão nove pessoas em palco: baterista, baixista, dj, teclista e uma mão cheia de mc's/ cantores/ convidados/ amigos. A festa é a mesma de há cinco anos, mas a família cresceu.
O pó que foi levantado durante 'Não Percebes o Hip Hop' ou 'Poetas do Karaoke' deu para ver que a música de Sam the Kid saiu mesmo do quarto em Chelas para o mundo. Lá para o fim, mesmo aqueles mais geografica e socialmente longe da Zona J, K, L ou M ataram as camisolas à volta da cintura para dar uns passinhos de dança. Em 2007, o hip hop já se percebe melhor. Sam the Kid explica.
Por Luís Miranda para o "Sol" |