Adivinha Quem Voltou
Há um ano e meio que não se realizavam as Nova Gaia Hip Hop Sessions. A sua ausência foi sentida, embora não em demasia porque entretanto surgiram alternativas tão competentes quanto esta. É por isso que a cadência de eventos de hip hop no Porto se tem mantido a um ritmo saudável. E a cada evento que surge nota-se que os sintomas dessa saúde se manifestam não só na qualidade dos intervenientes como na afluência. É certo que, dada a idade da maioria da assistência, qualquer programador que se preze tem que ter em conta os calendários escolares, mas feito o trabalho de casa tudo começa a atingir a velocidade de cruzeiro. Facto a reter da festa do passado sábado: o número da raparigas era bastante mais elevado do que o habitual.
Depois das actuações dos DJs Rage, Guze, Kronic e Bomberjack, MC Mundo dava as boas vindas. Pedia depois que não se enchessem as paredes circundantes com manifestações de talento e apresentava os primeiros convidados, os TWA. Vindos de Miraflores, os TWA têm logo à partida uma mais valia: identidade. 1º G e Lord G apresentaram-se acompanhados por DJ Kronic e deram-nos uma série de temas num dialecto que os próprios advertiram que não iríamos perceber mas de que se pressente o conteúdo. Facto a reter da actuação dos TWA: os dois MC’s mostram-se pouco à vontade, talvez por não estarem em casa e por os concertos não abundarem. Não conseguiram, por isso, transmitir o potencial que se percebe terem. O som também não ajudou.
A seguir veio Nocas, acompanhado por MC X, e a actuação da noite. Ao principio, tudo apontava para o pior, com um som desastroso a calar palavras em vez de as debitar, mas depois as coisas compuseram-se. A dupla de MCs pôde então apresentar um alinhamento de temas transpostos do quarto para o palco e daí gritados para quem queira ouvir - e nessa noite foram muitos. Com eles estiveram Berna e Cláudia, cada um com um tema, para apresentarem contrapontos de variedade. Facto a reter de Nocas: tem uma daquelas frontalidades que roçam a ingenuidade mas que arrasam tudo.
Rey foi o homem que se seguiu, para endurecer um pouco as coisas. É um dos elementos dos Crime Sublime e a solo apresentou uma série de temas no mesmo registo que o seu projecto. Rey sabe manejar bem estas palavras afiadas e sabe como usá-las para optimizar a capacidade incisiva. Facto a reter sobre a actuação de Rey: quando os restantes C.S. subiram ao palco o anteriormente dito multiplicou-se por três.
Finalmente veio NBC, aquela máquina de concertos de que já se falou aqui bastantes vezes. Será demais elogiar a qualidade dos seus temas e a capacidade comunicativa com que os verte? Não, o ego de NBC parece capaz de aguentar isso. Até porque tem uma responsabilidade acrescida: a de ter potencial para evoluir e de ter muito trabalho pela frente para que isso aconteça. Enquanto tiver Blackmastah a seu lado não há razão para duvidar que isso se concretize. Facto a reter da actuação de NBC: aconteceu a uma hora tardia e muitos fugiram já atrás dos últimos transportes.
Por Sérgio Gomes da Costa para o "Blitz"
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