«NovaGaia Hip-Hop 2002»
Abram espaço
Hip-hop em festa
«Façam piças» gritava Mc Mundo para um Hard Club repleto. Que não haja dúvidas de que é no hip-hop que a consciência ganha voz e a denúncia se concretiza. O que na sexta-feira ali se viu foi hip-hop na sua essência: underground, subversivo, positivo. O tal espírito old school da era pré-gangsta, anos antes da cobiça e do negócio.
Os cabeças de cartaz foram os Micro, projecto com seis anos de existência, em fase de apresentação de «Demo Style». Os Micro mostram ser portadores de um conceito que ultrapassa a componente musical e conseguem transmiti-lo em palco com muita fidelidade, reflexo de muitos anos de cumplicidade entre D-Mars, Sagas e Assassino. A sua mensagem foi discorrendo energicamente, advertindo quem julgasse «que esta merda é só facas e pistolas» que se desenganasse, pois os Micro responderam com o espírito «Positivo» de quem «Faz da vida um Vício». As «Luzes da ribalta» parecem não interessar aos Micro, porque basta uma volta de «360º» para se perceber que para se fazer bom hip-hop não se pode viver «Longe da Rua». Assim diz quem prefere fazer música em «Demo Style» e degladiar-se com rimas («MLC - Rhyme Fight») até depois das quatro da manhã.
Antes dos Micro esteve outro nome grande do hip-hop nacional: Sam The Kid, referência incontornável de toda a comunidade hip-hop, tanto pelo seu trabalho como pela postura que assume. Com o álbum «Sobre(tudo)» a sair, subiu ao palco acompanhado por DJ Kwan e Mc GQ para rodar alguns dos seus novos temas. Sam The Kid demonstrou com mestria como se vive numa Sociedade Confusa» e que não é preciso falar «Metaforica(mente)» para se chegar à conclusão de que as iniciais «P.S.P.» nem sempre querem dizer o mesmo de sempre. Por entre afirmações («Não percebes») e perguntas («Q mal tem»), Sam foi rimando, sem tempo para «Mais», numa actuação que as percentagens aproximariam do «100».
O início da noite fez-se com DJ Pasta, cheio de material novo para mostrar, e DJ Guze, que seria também o acompanhante dos primeiros Mc a subir ao palco: Mc Auge e Mc Mundo. Auge mostrou-nos o trabalho do seu projecto a solo, constituído por temas de excelente equilíbrio de conteúdo, ritmo e forma, demonstrando capacidade para vir a ombrear com os grandes. Quanto a Mc Mundo, é já um nome seguro do underground portuense, colaborador de quase todos os nomes emergentes do hip-hop nortenho e dotado de uma generosidade exemplar (não foi decerto por acaso que o primeiro tema por si apresentado tinha por título «Um por todos...»). Abram espaço para este homem passar!
Por Sérgio Gomes da Costa para o "Blitz"
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