Há hip-hop e hip-hop, existe a old e a new school, existem os comerciais e os radicais, existem mil e uma vertentes. Felizmente o nosso país começa a abrir o seu leque de opções e a ter novas opções. Fidbek surge nessa linha. “Erro Musical” é um álbum que vale por um todo coerente, a começar no excelente trabalho gráfico, que se sujeita a ser a melhor capa de hip-hop até à data, e a acabar na maneira de escrever deste jovem.
As letras, ou rimas, não são fáceis nem se entendem de forma leve, é uma escrita que apela a sentimentos e a maneiras de ser, também é interventiva mas não junto da sociedade e sim junto do indivíduo. Vem descaracterizar o estereotipo social que rege a maior parte das edições nacionais e apelar ao pensamento. É natural que não seja um disco fácil, os instrumentais são crus, despidos de grandes arranjos e directos, talvez aqui se sinta que podiam ir mais além e tornar o trabalho mais apelativo e abrangente, o sotaque é à Porto e nota-se algumas falhas que só o tempo a experiência podem colmatar.
A produção esteve a cargo, maioritariamente de VRZ, que também lançou recentemente o seu primeiro trabalho. De entre os 17 temas apresentados existem alguns que se destacam com grande facilidade como é o caso de “Onde Andas?”, com a participação de Martinêz e Dj Bezegol, e “Musica a +”, um tema reagee com a participação de Bezegol e Supremo G. E é em participações que este álbum é farto, Bezegol, Martinêz, VRZ, Kiko, Dj Spot e New Max são os convidados que abrilhantam este trabalho. Um disco que não entra à primeira, que se aprende a gostar e que pode vir a ser um sério vicio de consumo.
Frases como “Sou o erro, o negócio em consumo da meditação do vosso medo”; “Fidbek incandescente não rima com holofotes”; “Se protagonismo é a chamada eu não estou presente” ou “sou o hipopótamo, que se foda o próximo”, prometem ficar na cabeça durante algum tempo.
E claro está, como um verdadeiro disco de hip-hop, devia estar mas não está, o aviso aos pais... cuidado é um disco que dá que pensar e foge ao carneirismo infelizmente reinante.
Por Artur Silva para www.divergencias.com |