Confesso: raramente um título terá sido tão ajustado como o da estreia em longo de Fidbek, um dos elementos do colectivo MatoZoo, depois do EP "Pouco Convencional". Do princípio ao fim, “Erro Musical” é um disco que retira a sua força e a sua energia de não fazer rigorosamente nada de acordo com as regras. À funcionalidade metronómica e sombria dos beats (assinados maioritariamente por VRZ), o rapper sobrepõe um flow demasiado livre e por vezes muito desequilibrado, de coloquialismo conversacional mais próximo da leitura ou do «stream-of-consciousness». O timbre de Fidbek também não ajuda - basta ver como, quando os colegas matarroêses Martinêz e Kiko ou mesmo VRZ entram em cena, “Erro Musical” ganha em dinamismo e elasticidade e transcende a relativa monotonia de um excesso de faixas demasiado ancoradas num mesmo tom.
Mas, ultrapassando essas limitações, mais o tom de desafio e a dureza que começam a ser marcas de registadas da gera nortenha, descobre-se ao longo do disco uma evidente inventividade imagística e verbal, mista de cinismo, lucidez e desencanto, à qual falta experiência para disparar para outro nível. Fidbek tem muitas e boas construções narrativas, mas ainda tem trabalho para fazer - mesmo que a força do disco venha, também, desse ficar aquém das potencialidades. Como estreia, é um erro que dá gosto seguir - temas mais cuidados como «Onde Andas?» ou «Pouco Convencional» são excelentes - mas, para crescer, é preciso mais do que só um bom cartão de visita…
Por Jorge Mourinha para o "Blitz" |