Estavam SP & Wilson em palco, integrados no colectivo Footmovin' que participou no último Super Bock Super Rock, quando falhou o equipamento. Salvaram a actuação em beatbox freestyle, com descontracção e desenvoltura, e o talento como "entertainers" ficou evidente. "Barulho", o álbum de estreia da dupla, mostra que os "entertainers" SP & Wilson são também gente capaz de incendiar um clube. Soul, ragga e R&B, kuduru versão Timbaland e o hip-hop em mutação constante que conhecemos desde há meia década.
Ouça-se "Mi Mata": graves a rebentar das colunas, teclados em fundo a rodear os movimentos e o ritmo quebrado, insistente, a provocar os seus efeitos perniciosos em gente de hormonas sensíveis - juntem-nos aos Buraka Som Sistema e comece a contagem de suor. É um álbum desigual - "Você Tem Cara Larga", por exemplo, é uma piada sem graça nenhuma -, mas os momentos em que acerta são alguns dos mais entusiasmantes que ouvimos no hip-hop português em tempos recentes. O híbrido ragga de "So Beautiful" poderia ressuscitar a carreira de Michael Jackson - os falsetes de SP não enganam -, "Tocar Tocar", som sujo, subterrâneo, ritmo feito ponte entre mix-tape de Luanda e brilho R&B, poderia ser o irmão bastardo e desbocado do "Milkshake" de Kelis. A produção, rica e inventiva, atira-se ao corpo e os resultados são imediatos. Nesses momentos, não há como resistir.
Por M.L. para o "O Público" |