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Produção
H2T - HipHop TugaRui Miguel Abreu - 'produção'
'HitDaBreakz'

Nota H2T: Rui Miguel Abreu é o nosso convidado de estreia nesta secção "Produção" do H2T. Conhecedor e coleccionador nato do formato vinil, foi gradualmente acumulando experiência e interesse pela arte de dj'ing e todo o seu envolvente. Abraçou vários projectos directamente incidentes na área hip-hop, dos quais, actualmente mantém o programa semanal "Nação Hip-Hop" na Antena3 (1h da manhã, de sexta-feira para sábado), a colaboração como escritor em algumas revistas/jornais de música, a repartição de gerência na editora Loop Recordings, entre outros projectos paralelos. Uma das suas principais características é o prazer declarado com que demonstra partilhar e debater conhecimentos. E é também com muito gosto que aqui expomos o resultado do convite para primeiro artigo desta secção. Obrigado!
  (foto extraída do blog sobre diggin', vinil e coleccionismo de discos, da autoria de Rui Miguel Abreu - hitdabreakz.blogspot.com)

O que é um produtor de Hip Hop? Penso que foi para ajudar a responder a esta pergunta que me convidaram aqui no H2T a escrever este texto. Obviamente, qualquer coisa é passível de ter muitas definições, mas em relação ao aspecto da produção num contexto Hip Hop penso que há várias coisas com que toda a gente concorda. Mas vamos por partes:

  O Hip Hop nasceu quando os DJs pioneiros começaram a usar duas cópias do mesmo disco para cruzarem breaks e manter a batida constante na pista de dança. O facto de pouco depois terem surgido os primeiros MC’s a darem rimas em cima dessa batida fornecida pelo DJ garantiu ao Hip Hop, desde logo (estou a falar de há 30 anos!), um formato típico: O MC rimava em cima de pedaços de música alheia fornecidos pelo DJ. Nesse sentido, o produtor é o descendente directo do DJ.

Na primeira metade dos anos 80, porque ainda não havia samplers a preços acessíveis, o Hip Hop fazia-se de uma de duas maneiras: com músicos em estúdio, que imitavam velhas malhas de funk (como é o caso do clássico “Rapper’s Delight” dos Sugarhill Gang) ou então com algumas das primeiras caixas de ritmos, como a Drumulator (como foi o caso de gente como LL Cool J ou Run DMC). Só a partir de meados dos anos 80, com a chegada ao mercado de samplers como a SP 12 da EMU é que se começou a samplar e a produzir tal como nós hoje entendemos a produção.

Obviamente, os primeiros produtores (gente como Marley Marl ou Mark The 45 King) começaram por samplar os discos que tinham à mão, nomeadamente as colecções de discos dos pais que, tratando-se de negros dos boroughs de Nova Iorque, tinham muito funk e soul, como é óbvio.

Os primeiros samplers tinham uma memória curtíssima, de apenas alguns segundos e por isso os samples usados até mais ou menos 1988/89 eram sempre curtos e incisivos, porque a tecnologia não dava para mais. Mas a partir dos anos 90, com a crescente popularização da revolução informática (e os samplers são, basicamente, computadores), os samplers começaram a vir munidos de maior capacidade de memória e por isso permitiam a utilização de loops maiores e de mais camadas de samples (sem isso o som típico dos Public Enemy não teria sido possível).

Claro que para terem material para samplar os produtores – que rapidamente esgotaram as colecções dos pais – tiveram que começar a procurar os seus próprios discos. Quanto mais raros melhor, claro: um disco que tivesse sido editado em 1969 e do qual só se tivessem fabricado 500 cópias numa pequena cidade do Texas teria menos possibilidades de ser descoberto por um advogado de direitos de autor em Nova Iorque do que um álbum de um artista muito popular que tivesse vendido muitos milhões. Para evitar os processos de direitos de autor que começaram a surgir no início dos anos 90, os produtores tiveram que mergulhar bem fundo nas lojas de discos (diggin’ in the crates) para encontarem discos obscuros que ninguém conhecesse e que pudessem samplar à vontade. Há quem chame a essa actividade o 5º elemento do Hip Hop e várias crews fazem disso o seu estilo de vida – Beatnuts, DITC (Diggin’ in the Crates), etc…

Ora muito bem, um sampler, escrevia eu, é basicamente um computador: um sampler permite recolher samples (amostras ou excertos) de discos ou de qualquer outra coisa que produza som (TV, instrumentos, voz humana…) e alinhá-los através de um sequenciador. Basicamente é isso que se faz com uma MPC – um sampler cuja sigla significa Music Production Center: retirar samples de onde se quiser e criar sequências, ou seja, definir qual o som que surge primeiro num tema, qual surge em segundo, etc. Daí o boom-boom-bap de uma batida: normalmente sampla-se o bombo e a tarola separados e depois cria-se a sequência que se quiser, acrescentado depois outros elementos de percussão (pratos, congas, etc…) ou loops de instrumentos (sopros, pianos, violinos, etc…)

Claro que isso pode-se fazer igualmente com os computadores, para os quais já existe hoje uma enorme variedade de software que imita os samplers. Mas enquanto o processamento num sampler é garantido por uma máquina profissional, muitas vezes, no caso dos computadores, a placa de som não garante os resultados desejados. Por isso é que uma boa placa de som pode chegar a custar tanto como um sampler: é que a tecnologia em ambos os casos é semelhante.

Portanto armado com uma MPC (como Pete Rock, Dr Dre, D-Mars ou Sam The Kid) ou com um computador (como 9th Wonder dos Little Brother ou Fuse, por exemplo) pode-se começar a produzir. Mas, como explicava lá atrás, um produtor não pode ser apenas alguém que domine o lado técnico da questão (saber como mexer no sampler ou nos programas de computador): tem também que saber o que está a samplar para melhor dar a volta aos sons que sampla. Produtores como Pete Rock, Diamond D, Dr Dre ou DJ Premier, por exemplo, são autênticas enciplopédias no que aos discos diz respeito. Discos de funk, claro, mas também de jazz, soul, rock, música brasileira, indiana ou qualquer outro tipo de música que faça sentido samplar.

Por isso, procurar discos antigos em segunda mão é uma actividade tão importante para um bom produtor como aprender a dominar a sua ferramenta de eleição, seja ela a MPC (ou qualquer outro sampler em hardware como é o caso do descendente da Sp 12 que leva o nome de SP 1200 e é a máquina usada por Serial dos Mind da Gap) ou o computador e os seus samplers em software.

No lado técnico há várias questões a considerar: fazer apenas um loop de uma malha de guitarra ou uma melodia de piano é demasiado simples. Um bom produtor, como DJ Premier, por exemplo, aprende a dar a volta a essa questão, inventando novas formas de samplar, cortando os sons de um loop e reorganizando-os de outra forma. DJ premier foi um dos pioneiros desse estilo de produção conhecido por chopping (cortar). Um produtor tem que procurar sempre soluções inesperadas, seja por samplar um instrumento que ninguém estava à espera que fosse samplado (sei lá, quantas vezes é que já ouviram gaitas de foles em beats de hip hop?) ou por samplar um loop bem conhecido e dar-lhe uma volta diferente, programando as baterias (que normalmente obedecem ao tempo 4/4) de forma invulgar, enfim quebrando as regras. No fundo, o que eu estou a dizer é que um bom produtor é um verdadeiro músico, que conhece e entende a música, que a recria usando técnicas que só os verdadeiros músicos poderiam entender.

Claro que nos últimos anos surgiram – para evitar as leis de direitos de autor – vários produtores que em vez de samplarem discos antigos tocam eles mesmos as suas melodias ou ritmos. É o caso dos Roots, por exemplo. Mas essa é outra história.

Por Rui Miguel Abreu (Abril/2005)

Existem 9 comentários
» Por mc_kalashnikov
01 Março, 2008 - 20:03

oi
eu tenho 15 anos e kero ser mc, mas eu tmbm gosto de fzr as batidas e sobretdo as letras mas...
eu nao tenho dinheiro pra gastar cm programas de dj ...
eu gostava k alguem me indicaxe o mlhr programa de dj d hip hop gratuito
desde ja agradexo
johnyhiphop@msn.com

» Por renegadeOFunk
13 Dezembro, 2007 - 03:33

Acho k esta foi a minha aula de hip hop :)

» Por mig 21
29 Setembro, 2007 - 16:09

thank you a breeze of knowledge

» Por A.O.S-Mc
15 Setembro, 2007 - 02:02

Rui Miguel Abreu grand dica meu

olha eu sou productor do movimento ca em angola
adorei ver esta entrev...e foi bastante isnpiradora.

holla back aosmc-bassrecords

» Por mFg___producer
09 Setembro, 2007 - 13:42

beat de hiphop nao é só com samples pode-se compor de outras formas eu por exemplo produzo os meus beats todos tocados por mim com teclado guitarra e baixo atravaez do software mais badalado do momento que e o fruty loops respeito quem produz com samples mas acho muito sinceramente que compondo os sons sem samples e muito mais original...peace

Resposta a mFg___producer
» Por tnt
27 Outubro, 2007 - 04:08

tb produzo com isso ... se qd kiseres podemos trocar umas dicas... fika bem

Resposta a mFg___producer
» Por vidro
11 Julho, 2008 - 02:46

os primeiros produtores samplavam.
a maior parte dos beats que ouves são samplados.
não é por nao tocar qualquer instrumento que os meus beats perdem vida.
os beats do sam? samplados! Qualidade? 5 estrelas.

» Por lil_g
29 Julho, 2007 - 22:09

me add presiso de algumas dicas tipo to a começar agora nexe mundo de hiphop me add sff pa falarmos melhor g props fiko a spera yh

» Por H2T - admin
25 Junho, 2007 - 03:21

COMENTÁRIOS ANTERIORES A 25/06/2007:

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» Comentário de nelson
tambem para outros interesados....u comentario ensima...!!!

desculpa o meu portugesch mao,,,
10:40 pm, 15 December 2006
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» Comentário de nelson
PARA YOUNG DROPPA...

ola irmao,,,schamo me nelson,,,tou aki en portugal(porto),,,venho da alemanha...eu sou un "MC" alemao...fasso o rap en letra alema...tenho interesse en faser uma producao aki en portugal...
tenho musica minha comigo...eu faso hiphop,reaggy,soul,,,
ascho ce nao e pessiso falar...eu antesch deisco falar a arte...

contacte me .......... soundboy@lycos.de....meu telefone nao funciona aki en portugal...
10:38 pm, 15 December 2006
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» Comentário de RADIKAL
ta se,kero rectificar umas coisas:O HIP HOP É UM MOVIMENTO E NAO UM STYLO DE MUSICA!!!!!!
ou seja hip hop:grafiti,break dance,dj ing,RAP!!!
no comentario de Rui Miguel Abreu,que tem pelo visto uma boa cultura musical nao utiliso nem uma vez a palavra RAP!quando um mc pegue no mic,ele ta a rapar !!!!parece que nao gostem da palavra RAP ,sempre a dizer hip hop,hip hop...tou sempre a corrigir a malta..
E o hip hop nasceu com o grafiti nao com 2 pratos!!!
O RAP nasceu na rua nos USA,mandavem bocas o dicas ou historias etc em rimas em acapela(nao havia pratos pra isso no principio)
RAP ker dizer largar as palavras em rimas de maneira falada.
depois os dj s que metiam soms de Funk,Soul brincavam com os discos (scratch,pass pass,misturas...)(dj kool herc)e havia sempre um gajo a comentar ao microfone,que começou depois a fazer rimas ao ritmo do beat:assim nasceu o MC (mestre de cerimonias)foi ahi qu o MC toumo mas importancia qu o DJ.
ao observar os djs a fazer pass pass ,as marcas de maquinas de som começaram a fazer samplers pra fazer loops.foi os ingenieiros que adaptaram se ao rap e nao o contrario.depois sim o material foi evoluido e entao os produtores poderam desenvolver suas capacidades de creatividade.
11:13 pm, 14 December 2006
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» Comentário de Young Droppa
eu nao samplo nada...
tenho um homestudio, uso o FL (fodasse o melhor software k ja foi feito a face da terra) pa produzir e mixar e uso o cool edit pro pa gravar, mai nada
so axo k o FL embora tenha um funcionamento perfeito ainda lhe faltam alguns instrumentos... tipo sopros... guitarra (nao gosto de guitarra nos meus beats mas pronto). grande parte dos sons k la tem é um ganda lixo
12:36 pm, 30 October 2006
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» Comentário de lois
eu comecei a produzir inicuialmente com programas como fl studio, cool edit etc mas agora orientei- me de um mpc 1000 já sei mexer na cena e tal, o meu stress é que tipo depois de ter o bit feito não sei como passar as tracks onde tenho os kiks tarolas... para o pc de maneira a que este reconheça o formato para eu poder mandar para outro programa para gravar!!!!
se alguem me podesse dar uma dica agradeceia
props para o h2tuga one love pips do movimento
10:08 pm, 6 October 2006
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» Comentário de CharLy.B
Este artigo foi pura inspiração.. O Rui Miguel tem o "knowledge" - confident understanding of a subject.
Peace..
2:02 pm, 26 September 2006
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» Comentário de ho be 1
eu nao gosto de samplar quando consigo tocar ou mandar tocar melodias que componho eu proprio, devo ser do tipo de roots
3:23 pm, 11 September 2006
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» Comentário de EL TERRORISTA
Este sim é digno de ser comentado...
Excelente visão , esclarecimento e a cima de tudo profissionalismo.
APRENDEMOS E FICAMOS SATISFEITOS
3:18 pm, 4 September 2006

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