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Dinheiro fácil
Vida difícil
Subo no palco, esqueço tudo
O que por muito tempo me transformou num completo mudo
Ainda puto, perdido num mundo de violência
Onde a inteligência apenas servia a maleficência
Foi assim o passado de um homem que hoje estuda a ciência
De uma cultura que adoptei ainda criança
Com esperança de mostrar ao mundo a minha crença
Atropelado no caminho por filhos da violência
Que não sabem quem sou, não conhecem a minha vivência
Sorridente amigo, sobrevivente antigo
Que respeita quem está consigo
É assim e assim será, até ao fim
Mas sinceramente não sei o que querem de mim
O destino que escolhi não é igual ao vosso
Pois decidi não me afundar nesse poço de aventuras
Nesse mundo de loucuras e fugas diárias
Onde irmãos meus vão dentro e apenas voltam da precária
Onde gajos todos os dias são agarrados na nossa área
Que muitos julgam controlada. Burros de merda!
Perdem a liberdade à beira da estrada
E trazem-me sentimentos de impotência pois não posso fazer nada
Mas dói e destrói o peito
Saber que posso estar sujeito
A que esse sentimento também atinja o meu leito
Viver todos os dias de coração na mão
Chegar ao gueto, saber que levaram mais um irmão
Saber que a conversa que tivemos foi em vão
Saber que as lágrimas que derramaste não tocaram no chão
E agora vejo-te ser levado com algemas na mão
Sê forte, não te deixes iludir
Vive a vida, o melhor está para vir
Tu sabes a validade dessa cena
Refaz a mente, remonta um novo esquema
É essa a rua, a rua da amargura
Abre os olhos, acende a luz, estás às escuras
Essa loucura também tem a sua sanidade
Se não queres estar fechado, persegue a liberdade
Relógio não pára e o tempo também não
Olha para o BI e vê se encontras a solução
Três dezenas de anos e uma década na prisão
Filhos abandonados a sofrerem a pressão
Um erro quando repetido, não há perdão
É como cair uma vez das escadas e nunca agarrar o corrimão
A sociedade está fechada mas há sempre uma solução
Escolher o lado seguro, em vez do lado escuro
Ouve o que falo
Porque enquanto assim estiverem eu não me calo
MC, Mind Cleaner, procura retirar manos da esquina da amargura
Nossa infância foi dura, mas já passou
Olha para a frente, começa um novo show
São muitos anos e foi pouco o que mudou em ti
Ouve a voz do teu irmão MC
Que te invoca, te desafia, te provoca, por vezes te choca
E coloca num patamar elevado
Pois sei que lutamos lado a lado
E tu estiveste ali até alguém sair derrotado
Por isso peço, por isso escrevo
A tua amizade sem qualquer preço
E choro cada vez que me despeço
E digo “até qualquer dia”
Pois sei que esse dia pode ser nunca
Atracado, trancado numa espelunca
De quatro paredes, rodeado por um muro
Oiço os teus gritos no escuro
E hoje escrevo estas linhas a prever o teu futuro
Amigo, sê tu!
Foge desse feitiço desse vudoo
Não te desculpes pois tive o mesmo passado que tu
Sê forte, não te deixes iludir
Vive a vida, o melhor está para vir
Tu sabes a validade dessa cena
Refaz a mente, remonta um novo esquema
É essa a rua, a rua da amargura
Abre os olhos, acende a luz, estás às escuras
Essa loucura também tem a sua sanidade
Se não queres estar fechado, persegue a liberdade
Sagas, "Rua da Amargura" (CD "Microlandeses")
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