Desafio:
A Equipa H2T em colaboração com a editora Matarroa (www.matarroa.com) tem para vos oferecer 5 exemplares do álbum “Conhecimento”, o segundo registo de Xeg.
E, tal como o nome do álbum sugere, este é um passatempo que vos vai obrigar a procurar, conhecer e pensar. Passamos a explicar:
Para participar terão de escolher um excerto (uma frase, uma rima ou uma ideia) de uma das letras do repertório do Xeg – pode ser do seu primeiro CD “Ritmo e Poesia”, das suas participações noutros trabalhos ou mesmo dos temas que estão para download em www.matarroa.com – tem é que ficar devidamente identificada. Após esta escolha, segue-se a parte mais importante da participação, na qual deverão elaborar um breve comentário sobre esse excerto. Pode ser uma mera interpretação do mesmo, uma extensão aos seus conteúdos, uma pequena conclusão, um contrariar das ideias patentes... entre outras ao vosso critério e imaginação.
Feito tudo isto, basta enviar para passatempos@h2tuga.net devidamente acompanhado do vosso nome e morada completa, uma vez que os prémios irão ser enviados gratuitamente pelo correio.
Sejam sintéticos, originais e precisos nas vossas análises, a criatividade e a objectividade serão os principais instrumentos a ditar os vencedores.
O passatempo decorre até ao final do dia 11 de Abril de 2004, Domingo, por isso participem e demonstrem o vosso próprio “Conhecimento”. |
Resultados:
Sabemos que a impaciência para conhecer os resultados deste passatempo é enorme, por isso deixemo-nos de conversa. Os vencedores eleitos pela Equipa H2T são:
“Fico bem com o mundo mesmo que o mundo não esteja bem comigo"
Xeg – “Quando Escrevo” (Ritmo e Poesia)
Concordo perfeitamente com esta afirmação, pois ela sintetiza a superioridade e elevação que um ser humano deve ter para encarar todas as injustiças e "mesquinhices" que somos obrigados a viver e a conviver. Xeg nesta frase estabelece uma máxima a ser seguida por todos aqueles que sabem o seu valor apesar deste não ser reconhecido pelo mundo.
Filipe Maio (Vila do Conde)
"...Tempestades e ventos, derrubam o cimento, o mundo evolui, mas o homem parou no tempo, guerra vingança, armas ás crianças, rimas pinturas, musica e dança ..."
Xeg - "Farsa" (Ritmo e Poesia)
Estes versos são a imagem de uma grande questão e um grande problema de hoje em dia, a evolução tecnológica inversa ao desenvolvimento da mentalidade humana. Por causa de o homem não ter uma mentalidade desenvolvida e ter armas poderosas criadas a partir de novas tecnologias como bombas nucleares e armas químicas, o homem gera "tempestades e ventos" que destroem cidades e países, o tal derrubar do "cimento". Algumas das faltas do ser humano como guerras estúpidas e consequentes vinganças, onde até as crianças combatem faz surgir as "rimas pinturas, musica e dança" os 4 elementos do Hip-Hop onde através de várias formas se critica o mal estar e os erros da nossa vida, da sociedade.
Rui Alves (Vila Nova de Gaia)
"E nunca disseram para ter orgulho na minha pátria
Que colonizou o mundo, América, Ásia e África
Conquistas e descobertas, em nome da nação
Mas nem sempre quem está do outro lado partilha da mesma opinião
O que para uns foram herois, para outros foram assassinos
(...)
Ainda me deixam com vergonha de cantar o meu próprio hino
«Heróis do mar, nobre povo»
Que a história seja alterada e que nada se repita de novo"
Xeg – “Haverá Sempre” (Ritmo e Poesia)
Por mais quanto tempo continuaremos nós a cometer os mesmos erros do passado?
Só a data, o lugar e as pessoas mudam, os actos impensados (ou demasiado bem pensados) são os mesmos. Como é possível o ser humano desprezar-se tanto a si próprio?! Não parece normal hoje em dia haver tanto desinteresse pela destruição, a todos os níveis. A arte (desde o hip hop ao teatro, à escrita e à música), ao invés das belas descrições de Eça de Queirós e Fernando Pessoa, sangra toda a sua dignidade, agora é uma coisa suja, dividida entre o abstraccionismo hipócrita e pseudo-futurista das elites e o underground artístico das camadas baixas da população, que para se deixarem embriagar pela sua essência artística têm de sofrer a correspondente marginalização da sociedade, em que só se valoriza o dom da palavra e a capacidade de manipular as massas. É a nova ascensão do sofismo sobre a dialéctica, o dogma sobre a interrogação, o comodismo sobre a contestação. Urge olhar para o passado e
aprender. Transladar a resposta dada a determinada situação do passado para o presente e ver se "encaixa", em vez de transportar a própria situação, que obviamente não "encaixará".
Esta é uma possível interpretação do excerto mencionado, que, apesar de estar obviamente a falar em termos históricos, pode sem sombra de dúvida aplicar-se à evolução da arte. Até porque a arte está intimamente ligada com o tipo de sociedade em que o homem vive, os ideais que defente, em que degrau da evolução se encontra. Actualmente, penso que estamos a recuar. Em todas as épocas da história em que a humanidade procurou no passado formas de melhorar o futuro (Antiguidade, Renascimento, Neo-classicismo, Iluminismo), evoluiu extraordinariamente em termos de mentalidade.
Joana Nicolau (Portela)
«O mundo vai girando, tá todo ao contrário
e quem o pode mudar, nem sequer faz comentários»
Xeg – “Consumismo” (Ritmo e Poesia)
Infelizmente é isto que se verifica. O tempo passa. Os dias, os anos sucedem-se uns após os outros. Novas tecnologias são inventadas, em pouco tempo aperfeiçoadas, mas o mundo continua todo ao contrário. Esta é a verdade dura e crua e que tende a acompanhar-nos por muito mais tempo.
Enquanto que no primeiro mundo milhares de pessoas morrem de boca cheia, isto é , devido a uma alimentação excessiva e incorrecta, nos países caídos em esquecimento do terceiro mundo são milhões de famintos que todos os anos encontram o descanso eterno na cova.
Mas não é necessário comparar diferentes mundos. Os contrastes são explícitos entre cidadãos dum mesmo país, sendo este podre de rico ou economicamente empobrecido. Nos países tipicamente empobrecidos (ou tipicamente pobres) os bens materiais dos governantes opõem-se a 100% das míseras condições de vida (que garantem mais a morte) daqueles que eles representam. Esses seres humanos (talvez os piores representados à face da Terra) são, na minha opinião, o estereotipo do azar. Quem é que pode ser mais azarado que o típico africano que dificilmente mais de 40 anos o separam do útero materno da tranquilidade da morte? Quem é que pode ser mais azarado que aquele que vê a sua sobrevivência trocada por mais uma peça de ouro para um dos palácios presidenciais, por mais uma metralhadora ou outro qualquer material bélico? Mas também nos países de topo as coisas erradas tendem a continuar a sê-lo. Também neste mundo os contrastes são bem visíveis. Enquanto que uma minoria privilegiada fica indecisa entre um Ferrari ou um Porche, a pobre maioria fica indecisa entre o autocarro ou ir a pé para poupar uns “dinheiritos” para poder dar de jantar aos seus. Ou então enquanto que uns fazem anualmente uma ou mais operações plásticas para tentar, penso eu, recompensar a nojice mental com a perfeição corporal, outros esperam anos por uma simples operação para acabar de vez com uma ou outra anomalia grave que os atormenta à muito.
É assim o nosso mundo, por mais que gire continua sempre todo ao contrário. Mas se isto é difícil de compreender, o facto de quem o pode mudar nada faz é totalmente incompreensível. Porquê? Porque é que esses que podem fazer do mundo o que eles quiserem não acabam de vez com a fome, com a guerra, com a miséria? Talvez porque eles querem, porque são esses males do mundo que alimentam a sua riqueza e dos seus.
Tudo neste mundo gira à volta de números, não das mortes de fome, não dos desalojados, não dos doentes que morrem na sala de espera, mas sim dos números das contas daqueles que podem mudar o mundo, mas que para protegerem todos aqueles zeros à direita não fazem sequer comentários quanto mais alterações.
Cristiano Figueiredo (Viseu)
“Porque a força não está entre quem perde ou vence a briga
Mas em seres tu próprio e não o que a sociedade te obriga
Cago para o que pensam de mim, cago e prossigo
E fico bem com o mundo, mesmo que o mundo não esteja bem comigo
Agora com ou sem metáforas, simples ou complicado
Certo, cruzado ou então emparelhado
Mantém-te ligado porque eu mantenho-me fiel
Torno doce o que era amargo, torno dócil o cruel
Porque eu pego numa caneta e uma folha de papel
Ando atrás da verdade como uma abelha atrás do mel
Digo o que quero, liberto os meus nervos
E é isso que eu sinto, é isso que sinto quando escrevo”
Xeg - ”Quando Escrevo” (Ritmo e Poesia)
Estes versos são sem duvida o espelho da mestria do Mc Xeg, depois ter ouvido o Ritmo e Poesia varias vezes são sempre estes breves segundos que me prendem a atenção, não que não haja outros e variados momentos brilhantes ou não fosse um dos melhores álbuns de sempre do hip-hop nacional mas quando se tratou de escolher não hesitei.
1º Rima - Esta expressa a desnecessidade de orgulho e acima de tudo o valor da personalidade única de cada um , o objectivo é sermos nos mesmos e não melhores que ninguém, simplesmente diferentes, algo tão simples mas de tão difícil compreensão numa sociedade em que ser o numero 1 parece ser a única coisa que move as multidões
2ª Rima - O valor das opiniões (algumas delas apenas destrutivas e não construtivas) esta na medida em que dá-mos valor as pessoas que as emitem, por vezes simplesmente temos de seguir o que nos vai na alma e esquecer outras opiniões de quem se limita a dizer mal.
3ª, 4ª, 5ª e 6ª - Eu também escrevo e como eu muita gente, claro que não tenho a qualidade ou a mestria rimática do Xeg mas afinal também é escrever e apesar de achar que não consigo dizer em prosa o que estes versos traduzem vou tentar na mesma. Pessoalmente quando escrevo seja como for em que sitio ou altura for tudo muda, as situações que me davam a volta a cabeça tornam-se mais fáceis de analisar de forma sincera. Quando escrevo o raciocínio torna-se mais objectivo, e a melhor maneira de nos contemplarmos a nos mesmos, de pôr a cabeça no sítio, levantar e voltar ainda com mais força no dia seguinte porque a vida são coisas boas e más tudo depende da maneira como lidamos com elas.
Diogo Veríssimo (Pontinha)
Parabéns aos vencedores!
Aqueles que não ganharam também não desanimem, é nossa intenção oferecer-vos muitas outras oportunidades no futuro.
Obrigado a todos, por terem participado (foram mesmo muitos) e agradecemos também a vossa paciência durante este longo e inesperado intervalo de espera para conhecer os resultados.
Deixamos ainda um agradecimento especial à Matarroa por ter possibilitado, mais uma vez, a realização deste passatempo conjunto. |