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H2T - HipHop TugaTony MC Dread - 100 Papas Na Língua
[ passatempo encerrado ]

Tony MC Dread - '100 Papas Na Língua'

Desafio:

A Equipa H2T em colaboração com Dreada Recordings inc. tem para vos oferecer 3 exemplares de "100 Papas na Língua", de Tony MC Dread.

  E sendo este o regresso de um MC da chamada velha escola, que integrou em 1994, como Zona Dread, a aclamada colectânea "Rapública", é nisso que consiste o nosso desafio para este passatempo:

  Elaborem um pequeno texto de opinião acerca do valor/importância do "Rapública" no movimento Hiphop Nacional.

  Pese embora, muitos de vocês possam não ter vivido os momentos dessa compilação ou até nem a possuam na vossa colecção de CD's, certamente já procuraram escutar, pelo que nada disto vos impede de comentar.

  Os textos devem ser enviados até dia 17 de Setembro de 2004 para passatempos@h2tuga.net, devidamente identificados com o vosso nome e respectiva morada completa.

Resultados:

Seguem-se os três textos vencedores do CD “100 Papas na Língua”:

  Quando comprei esta compilação sinceramente nao sabia o que iria encontrar dentro da mesma, nem tão pouco tinha o conhecimento para dizer o poderia estar dentro de um cd gravado com os números das faixas, tipo os cds que saem dentro do CHOcapic.
  Para quem falou mal e para quem falou bem, independentemente do bom ou mau resultado do cd, que no meu ponto de vista acho que foi a rampa de lançamento e a porta para despertar mentes no hiphop tuga, reteve sempre com toda a certeza trabalho e empenho, e só por isso já merece todo o meu respeito, porque trabalho é sempre trabalho mesmo não sendo o final propício ao socialmente correcto, é trabalho e ponto final.
  Ao adquirir este álbum, nem sequer ainda sabia "NADAR"...para vos ser sinceros, A VERDADE, é que nem fazia ideia do que era o hip-hop, tambem era NATURAl, visto que a cultura hip-hop era sinónimo de profecia de vândalos e parasitas de uma sociedade prefeita...
  Com a aquisição desta exelente compilação descobri e apaixonei-me por esta forma de estar na vida, precebi que o  RAP É UMA POTÊNCIA, não é só uma arte onde os PUTOS DE RUA andam coxos e têm cap´s da nike de pala direita, isto é uma filosofia tão importante como a Socrates onde os Platões tomam a forma de PALAVRAS, bem largas intituladas de tag´s transmitindo a mensagem oprimida de SO QUEREMOS SER IGUAIS, aos demais sociais...
  “Rapública”, não foi um cd de SUMMER SEASON, que hoje é bom mas amanhã já está esquecido, este álbum está sempre presente na mente dos verdadeiros, será para a eternidade uma forma de GENERATE POWER de um forma musical pondo de parte rivalidades mediáticas mas sim de forma liricista e saudavel, onde o principal objectivo é o simples facto de SÊ TU MESMO, resistindo a opressões vindas de todas a direcções posicionando-te numa situação em que RABOLA BO CORPO, para te moldares ao estereotipado e se sais fora dessa linha condutora é porque tens um PSYCA STYLE, e és rotulado como desertor e um alvo a abater. Para todos esses manos e para a MINHA BANDA... HIP HOP ESTÁ NO AR.... um abraço.
  Joao Assembleia (Setúbal)

  Por mais incorrecções que possam ter afectado o sonho “Rapública”, maior incorrecção ainda seria não reconhecer o seu devido valor. É certo que fracassou na qualidade. É certo que foi explorada pela Sony sem qualquer retribuição e apoio maior. É ainda mais certo que o uso do nome “Rapública” para esta compilação, como alusão à república do rap, também foi um erro, pois só foi dada “voz” a rappers da capital e arredores, ficando outros tantos no anonimato. Mas se há um aspecto em que a compilação “Rapública” não fracassou foi em tornar o rap “numa coisa” pública. O rap nasceu para muita gente, incluindo para, agora, grandes MC’s, através desta aventura discográfica. Assim, se muitos acordaram para a cultura Hip Hop ao meterem este CD no Play, outros , já mais velhos nestas andanças, viram no fenómeno “Rapública” a força, motivação e esperança que lhes faltava.
  Cristiano Figueiredo (Viseu)

  Toda a arte é dizer qualquer coisa. Há duas formas de dizer: falar e estar calado. No Rap, é preciso procurar as frases mudas, ler nas entrelinhas, deixar que a alma decifre todos os códigos que o artista imprimiu com a caneta. O grande mérito do “Rapública” foi, indubitavelmente, ter conseguido dar voz a um vasto leque de artistas de um movimento emergente, o rap. Por outro lado, concordo com aqueles que afirmam que os grupos presentes no “Rapública” se deixaram iludir, procurando apenas e só resultados imediatos, descurando o futuro, o que me leva a concluir que o processo de complementação ao “Rapública” foi mal organizado.
  Em suma, pesando os prós e contras, o “Rapública” parece-me, enquanto obra isolada do panorama do rap português, um óptimo meio de divulgação para o exterior, contudo todo o processo que deveria ter procedido o boom do ”Rapública” foi mal conduzido.
  António Semelhe (Braga)

  Parabéns aos vencedores!

  De forma adicional, listamos ainda alguns outros textos que estiveram também muito perto de ganhar este CD:

  Começo por dizer que quando esta compilação saiu eu tinha 10 anos o que fez com que não tivesse seguido o fenómeno com a atenção merecida tenho no entanto o cd original e após o ter ouvido várias vezes e conhecendo a história presente e passada de muitos dos participantes desse CD resta-me tecer as seguintes considerações:
  ”Rapública” em duas palavras : O Início. São 14 faixas onde se mostra o que de melhor havia de mcing e djing na capital portuguesa em 1994.
  Com todos os defeitos de uma compilação pouco representativa do panorama nacional (uma vez só contar com formações da capital) e de uma dose grande de inexperiência este é um marco incortonável da história de todo o movimento hip hop em Portugal.
  Os efeitos desta compilação foram sentidos em todos os quadrantes da nossa sociedade dando uma exposição mediatica ao hip hop que este nunca antes tinha conseguido.
  Mas foi esse mesmo mediatismo (com que o movimento não conseguiu lidar com maturidade), aliada ao fraco apoio dado posteriormente pela industria musical que tornaram os alicerces lançados pelo Rapublica em terreno estéril onde nos anos seguintes muito pouco cresceu.
  Apesar de todos os erros evidentes no desenvolvimento e na promoção do Rapublica é preciso elogiar o caracter pioneiro desta iniciativa e louvar o facto de finalmente se ter feito alguma coisa para movimentar o panorama musical português. Apenas arriscando se obtém resultados, e se por vezes tmeos de cometer erros pra evoluir não há que ter medo de o fazer. Por isso e em jeito de conclusão gostaria de afirmar que este Cd apesar de em termos qualitativos não ser excelente deixa-me de cada vez que o oiço um sentimento de descoberta, de demarcação de algo novo um pouco a semelhança de um padrão dos descobrimentos musical. E se mais acrescentar me despeço
  Diogo Veríssimo (Lisboa)

  O “Rapública” foi sem dúvida um grande marco na cena nacional, mas a meu ver trouxe mais consequências negativas que positivas, pelo menos no seio do movimento. Se o objectivo principal era expandir a cultura e mostrar a qualidade do rap português, então esse objectivo falhou por completo.
  Primeiro porque a expansão foi o início dos putos dread's que se acham grandes mc's e grandes apreciadores de hip-hop. Depois, porque a qualidade, sejamos sinceros, ficou muito aquém do que era possível. Isso aconteceu talvez porque a produtora via no hip-hop (à imagem dos EUA) uma janela aberta para o lucro, mas a dimensão aqui estava muito longe dos capitalistas americanos... é inegável o facto de este cd ter aberto portas para alguns, iniciado e divulgado a expansão do movimento e tudo isso. Mas foi também um factor de fragmentação, e, consequentemente, de enfraquecimento do rap em portugal. "O que não nos mata, apenas nos torna mais fortes"... obrigado “Rapública” pela lição importante e pelo puxão de orelhas.
  Hugo Rocha (Paços de Ferreira)

  Para mim o “Rapública” foi acima de tudo, a colectânea que mostrou ao grande público que nas ruas portuguesas também se fazia hip-hop. Até então, praticamente nada se conhecia deste nosso movimento (apesar de ser muito novo na altura, lembro-me bem de êxitos como o dos Black Company, que era praticamente o único som que passava, sendo que depois Mind Da Gap e Da Weasel conseguiram triunfar no mainstream), e a forte campanha publicitária levada a cabo ajudou a passar a mensagem de que não era só nos states que se fazia bom hip-hop. Mas, ainda mais importante, e mesmo sabendo que a nível de produções se poderia ter feito melhor, que possivelmente bons grupos ficaram de fora (principalmente do Norte), e que em algumas músicas não se conseguia identificar qualquer mensagem relevante (p.e. Black Company), o que importa realçar é que foi como um ponto de partida para o espalhar do movimento hip-hop em Portugal, digamos, um arranque, e como qualquer arranque demora o seu tempo a surtir o efeito que era desejado: apesar de ter sido um "fracasso" de vendas (o que para mim não é importante), imaginem quantos putos não começaram a rimar por causa desse mesmo disco?
  Quanto aos artistas, maior parte não prevaleceram mas no entanto, e apesar dos problemas contratuais ligados à editora que impediram muitas bandas de dar imediatamente o "salto", aquelas pessoas que tiveram maior persistência e, é claro qualidade, e porque não, génio, conseguiram, após o regresso ao underground, reemergir no movimento em força (D-Mars, MeloD...).
  Com contentamento, vejo o “Rapública” como um incontornável ponto de referência na história do hip-hop tuga a quem o disco e as suas bandas ficarão, inquestionávelmente ligadas, para o bem e para o mal.
  João Ferreira (Lisboa)

  “Rapública” tem aquele valor hitórico por ter sido o primeiro álbum de hip-hop na tuga. A nível de qualidade, e tal como é referido nas várias opiniões do pessoal que foi entrevistado, não é nada boa, mas reportando-nos à época, e tendo em conta que era a primeira vez que se fazia algo do género, não sei se seria mesmo possível um trabalho com uma qualidade sonora melhor. Na qualidade de ouvinte achei extremamente importante o lançamente deste álbum pois foi o meu primeiro contacto com o que se fazia de hip-hop no nosso país (bom ou mau), pois até à altura só chegava hiphop americano. Foi um álbum que motivou muita gente e mostrou que era possível fazer alguma coisa e crescer o movimento, que até aí não tinha qualquer projecção. Todas as dificuldades que foram referidas pelo pessoal que participou vieram-se a reflectir pouco depois da explosão comercial do álbum! Houve alguns anos de interregno sem se ouvir mais falar de hip-hop tuga. Foi como um começar do zero após o seu sucesso, mas desta vez não cometendo os mesmos erros do passado. Contudo e para finalizar, acho que é um álbum obrigatório para todo o pessoal que gosta de hip-hop, que teve pontos positivos e negativos no seu aparecimento (como ja foram referidos anteriormente) mas que serve, acima de tudo, para aprendermos com ele.
  Gonçalo Rosa (Lisboa)

  Quando saíu o “Rapública” eu tinha aí uns 14 anos. Na altura não conhecia movimentos, nem a legião de mc's nacionais e internacionais que existiam, porque o que se conseguia ouvir cá eram os Kriss Kross, o Hammer, o Ice, e alguma coisa de Public Enemy, Tupac, Snoop Dogg, BIG, Beastie Boys e Cypress Hill. E mesmo assim não era fácil arranjar estas cenas. De repente, sai o ”Rapública”! Não é preciso ter grande memória para dizer sem preconceito que o que tornou o “Rapublica” um disco de top foi o “Nadar”. Essa música atingiu todos os sectores da sociedade, passava em tudo o que era rádio, toda a gente cantava, mesmo quem nunca tinha ouvido rap. Quem gostava de rap, deu-se ao trabalho de ouvir o disco todo, e para a altura, acabou por ser um disco interessante mais pelo aparecimento de gente desconhecida do que pelo trabalho em si. De qualquer forma a consequência foi má para todos, participantes e ouvintes, porque depois do “Rapública”, em vez do BOOM, veio o vazio. Que me lembre, sem ser os Da Weasel, até ao fim de 90's, só a musica do Alex e os Putos do Bairro é que ainda deu alguma coisa. Tudo o resto passou despercebido. De qualquer forma, e como diz o AC, é um marco incontornavel. Toda a gente se lembra do “Rapública” como parte da essência do movimento, ainda que não tenha tido seguimento. E nesse aspecto o “Rapública” foi unico... e faz com que ainda hoje seja tema de passatempos.
  Mário Leão (Sintra)

  Infelizmente, não vivi a época do “Rapública” como “insider”. Lembro-me vagamente do “não sabe nadar” tal como me lembro de muitas outras músicas que fizeram sucesso por entre as massas.
  Assim sendo, só me resta observar o “acontecimento” em analepse e falar sobre ele como um marco histórico.
  E como marco histórico, só se me oferece dizer que teve relevância nosseguintes aspectos:
  1- Afirmação efectiva de um movimento hip-hop emergente. Fazer uma compilação de músicas de estilo musical ainda não conhecido pelo público generalista é o que melhor pode fazer um movimento ainda em fase de construção para, aos poucos, ir evoluindo e entretanto, abrir algumas portas pela indústria não independente.
  2- Profissionalização de uma actividade até então fora do mainstream e dos moldes da indústria musical. Ou seja, até aí a maior parte da música hip-hop que se fazia estava confinada às mixtapes e aos (muito raros) cd’s em edição de autor, facto que dificultava a sua divulgação. Apesar do “Rapública” não ser uma pérola em termos de qualidade do produto final, sempre foi criado num ambiente um pouco mais profissional e cuidado. No fundo, sempre foi uma espécie de tentativa de tratar o hip-hop de uma forma mais séria.
  3- Arranque dúbio/puxão esforçado de toda uma cultura. Daí para a frente, passou a haver um ponto de referência. Não que não houvessem outros, mas o “Rapública” é um pilar inquestionável no que diz respeito às afirmações de valor do Hip hop em Portugal. Todo os mc’s e autores musicais hip hopianos que não participaram na compilação de certeza que sentiram o puxão, o chamamento para o passo em frente, para a subida de nível até então latente, mas não conctretizada. Os Mind Da Gap são um excelente exemplo disso.
  Podemos então concluir que o “Rapública”, por mais infame ou mais criticado que seja, tem um certo valor estabelecido, que de uma forma ou de outra, penso que deve ser reconhecido.
  Joana Nicolau (Portela)

  Obrigado a todos quanto participaram! Deixamos ainda um agradecimento especial à Dreada Recordings Inc. por ter possibilitado a realização deste passatempo conjunto.

A título de curiosidade, deixamo-vos alguns breves comentários sobre este mesmo tema, apenas para realçar a divergência de opiniões.

  " E depois do Rapública?
  X-Sista - O que é que mudou?... Não sei. Primeiro acho que passou a haver mais divulgação. O Rapública teve quilos de publicidade. Foi incrível! Nesse aspecto não houve lacuna. As pessoas ouviam e interessavam-se pelo Rapública. E o Rapública entrou no top, isso é importante."
  (X-Sista, em Ritmo & Poesia - Os caminhos do Rap, 1997, p. 240)

  "Makkas - O Rapública veio criar a desunião do movimento porque de certa maneira contribuiu para uns terem êxito, outros gajos... pronto!
  (...)
  E as condições de gravação?
  Makkas - Uma merda, man! Se tu fores ouvir o Rapública aquilo parece uma cassete que já foi gravada milhões de vezes, que faz... fffffff!!!!!. Pá, foi mal misturado e remasterizado. E as condições não eram as melhores, não havia um estado de espírito de acordo com aquilo que se estava a fazer na altura e foi tudo muito feito à pressa. Forçado."
  (Makkas, em Ritmo & Poesia - Os caminhos do Rap, 1997, p. 211)

  " Porque é que não foram convidados a entrar no Rapública?
  Presto - Sinceramente não sei.
  Era uma vontade vossa?
  Presto - Na altura nós gostávamos muito de ter entrado. Tínhamos temas... Não sei, ninguém nos contactou. Ficámos lixádos. Começámos a pensar, se calhar o pessoal de Lisboa não sabe que nós existimos! Mas acho que sabia. Eh! Pá, ficámos um bocado lixados. Não sei se foi só pessoal do Porto, o resto de Portugal deve ter ficado um bocado lixado porque o disco chamava-se Rapública e só entraram grupos de Lisboa! Acho isso um bocado injusto. Mas ficámos contentes em ouvir que havia grupos lá que não conhecíamos e que a cena estava a evoluir. E era o primeiro CD de Rap em Portugal, que estava a evoluir, havia alguma editora interessada e que havia alguma oportunidade para os outros grupos, não é?"
  (Presto, em Ritmo & Poesia - Os caminhos do Rap, 1997, p. 211)

  "O Rapública é um disco histórico, mas ao mesmo tempo é um disco pobre, porque não reflecte o verdadeiro potencial dos artistas e dos músicos que nele participam. Mas o facto de ter aparecido uma compilação de rap feito em Portugal fez com que muitos outros grupos e potenciais 'rappers' espalhados pelo país, completamente desconhecidos, comecem agora a mexer-se muito mais para mostrarem que também existem"
  (José Mariño , em entrevista ao Expresso/Revista, 21/01/1995, p.28)

  "Não consideras que, paradoxalmente, houve por cá um excesso de expectativas criadas com a compilação Rapública?
  Chullage - No meu ponto de vista, quando se fez o Rapública tentou-se transportar a explosão do hip-hop - que estava a acontecer lá fora - para aqui. Naquela época, existiam à volta de 40 grupos de hip-hop em Portugal. Pensava-se que o Rapública era uma amostra séria do hip-hop que havia em Portugal e julgou-se que ia ocorrer um «boom» do género. As pessoas esqueceram-se de avaliar bem as coisas e, por outro lado, muitos daqueles grupos [que integraram a compilação Rapública] não eram o que o pessoal mais gostava de ouvir naquele tempo. Hoje, há milhares de pessoas a ouvir hip-hop; naquela época não, quem ouvia hip-hop também fazia hip-hop, e ouve logo um grande erro na escolha para o Rapública, porque muitos daqueles grupos não tinham a identificação do pessoal. Criaram uma grande expectativa comercial e não avaliaram que não havia pessoas suficientes para comprar o disco. Além disso, a compilação não foi tratada como deveria ser, existiam instrumentais muito básicos naquele álbum."
  (Chullage , em entrevista ao Blitz, 19/02/2002, edição Nº903)

  "O Rapública funcionou para dar coragem ao people que fazia hip hop, para se assumirem como músicos, como pessoas que podiam fazer música e que podiam criar uma indústria e um mercado de hip hop e com o Rapública chegámos à conclusão que podíamos fazer música, dar concertos, fazer discos, vender discos e fazer disto um movimento hip hop que viva da música. O Rapública acordou milhares [este número é uma força de expressão] de pessoas que começaram a fazer grupos, a querer gravar e fazer concertos.
  (Gutto , em Fixar o Movimento - Representações da Música RAP em Portugal, 2002, p.206)

  "O Rapública foi muito mais rentável do que qualidade. Foi muito mais rentável para eles [Sony] e o investimento que eles fizeram foi «de caca». Aquilo era uma oportunidade que nós ou agarrávamos ou estávamos lixados. Eu, se pudesse recuar no tempo, não agarrava naquilo. Porque aquilo teria saído na mesma e, assim, eu e o meu grupo ficámos todos ligados à editora e a editora estava a cagar-se para nós, só queriam um grupo, não queriam mais, e depois as outras editoras preferiram álbuns como os Da Weasel e não puderam investir em nós."
  (D-Mars , em Fixar o Movimento - Representações da Música RAP em Portugal, 2002, p.206)

  "Eu acho que o Rapública foi um erro. Fez mais mal do que bem ao hip hop em Portugal. É um dos 10 discos mais da música feita em Portugal. Foi o primeiro disco a mostrar uma nova linguagem às pessoas, uma nova maneira de estar, de fazer e de pensar a música. De transmitir a música e as mensagens cá para fora. Fez mal ao hip hop porque os contratos que aquela editora assinou com as bandas estrangularam as vozes deles, eles ficaram contratualmente presos à editora por 3 anos por terem feito 2 canções. O Rapública matou mais grupos do que os alimentou. Daquele álbum só os Líderes da Nova Mensagem gravaram este ano. Para um fenómeno que era da rua, foi um disco demasiado «indústria», demasiado desleal para o talento daqueles miúdos. Desleal porque não lhes deu o espaço para eles desenvolverem o talento."
  (Rui Miguel Abreu , em o Movimento - Representações da Música RAP em Portugal, 2002, p.206)

  " ... O que é que tu achas do Rapública, a sua importância?
  Double V - Vou falar do que qualquer gajo que participou na compilação iria falar, acho que foi bom, foi óptimo... Uma cena que eu reparei é que muitos rappers que não entraram no Rapública disseram mal do Rapública... De certa forma o critério de escolha não foi o melhor, porque se disse que seria uma coisa a nível nacional, está muito a nível de Lisboa e arredores, e não foi muito bom, nesse aspecto. Mas eu acho que foi culpa da Sony, devia ter sido uma coisa mais a nível nacional, mais alargado, nem que seja dois no Algarve ou dois no Porto, dois em Lisboa, só para representar em termos geográficos, o país. Porque as realidades não são as mesmas, a realidade de um gajo que vive em Lisboa, quando escreve, é diferente de um gajo que vive no Porto ou no Algarve.
  E para o movimento, o Rapública, o que é que foi?
  Double V - Foi mesmo mostrar o movimento, o movimento já existia, em termos de underground, a malta chegou a fazer a cena no Vendedores de Jornais, chegámos a 'tar no Trópico, chegámos a 'tar em vários sítios, a organizar coisas, mas nunca teve aquele power, aquele impacto p'ra cima, em termos de televisão e de jornais como teve o Rapública, e acho que nem foi feita uma boa promoção, como devia ter sido feita, porque acho que aquilo devia ter um respeito mesmo a nível europeu, mesmo força, como tiveram os gajos quando fizeram a cena francesa, a primeira cena, os gajos tiveram power e a cena vende-se por cá porque os gajos tiveram power , 'tás a ver?"
  (Double V, em Ritmo & Poesia - Os caminhos do Rap, 1997, p. 184 e 185)

  "O que representou o Rapública?
  Gutto - A porta de entrada.
  Boss AC - O Rapública é um marco incontornável. Já se disse tanta coisa sobre o Rapública, já se falou bem, já se falou mal, mas eu acho que para o bem e para o mal não dá para falar de rap em Portugal sem falar no Rapública.
  Gutto - Agora, o que há a dizer é só bem, o que há de mau o tempo apaga."
  (Gutto e Boss AC, em h2tuga.net/entrevistas/012_nostress.php, Março/2003)

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