Resultados:
Terminado o prazo do passatempo, resta-nos anunciar os felizes contemplados. Mas antes de mais, queremos deixar um agradecimento a todos os que participaram e à forma como o fizeram - num desafio que consistia basicamente numa análise, conseguiram demonstrar muita criatividade.
O agradecimento especial vai, obviamente, para a editora Matarroa por todo o apoio e colaboração que nos tem prestado em pequenas e grandes coisas, tal como este passatempo.
Chega de paleio, os 5 CD's "Funk Matarroês" irão chegar às mãos de:
Decidi participar neste passatempo
Sinto-me inspirado e as dicas fluem como o vento
Não dizem se é em texto ou em prosa ou em verso
Escolhi o verso, espero que não me considerem o mais perverso
Participo nesta cena no último dia de Janeiro
Porque isto acaba dia 1 de Fevereiro
Ver se dá para ganhar um cd do Funk Matarroês
Vos dedico esta escrita no meu melhor português
Pelo que sei esta forte editora como fundador o Martinêz
Têm altos sons para download, algum people começa com os porquês
’Tá-se bem, eu posso explicar, é para o movimento divulgar
Editora muito jovem, mas já lhe está a dar
Apostando em todas as áreas, desde internet às revistas
Aos puros ouvintes dão todas as pistas
Estão no ar 5 cds para dar e oferecer
Para isso esta rima que vos dedico estou a fazer
Não sei se é este o formato adequado
Mas o que está feito, está feito, não pode ser modificado
Infamous & Vrz lançou o “100 insultos”
Para que todos esses sons não ficassem ocultos
O Fidbek, por si lançou o “Erro Musical”
Com fortes sons que abalaram Portugal
Como ele diz,"Onde andas? Eu ainda te procuro…"
Eu pensei que este som viesse prematuro
Enganei-me, veio no momento certo, já está maduro
Digo a todos que quando eu rimo sai sempre em verso
E é da mesma forma que eu converso
Se tivesse escrito uma prosa
A cena ficava pior do que uma rosa...
murcha e sem folhas, cada um faz as suas escolhas
Yo, Matarroa, lança mais cds cá para fora e não te encolhas
Mandei estas dicas tudo no bom sentido
Espero que continuem porque para o vosso lado eu me inclino
Pronto já acabei, acho que não ficou nada mal
Mas o people da H2T é que vai dar a opinião final
Gonçalo França (Mafra)
Quando me propus escrever umas linhas sobre a editora Matarroa, as folhas de papel acabavam invariavelmente no cesto de papéis. Finalmente, percebi que não é possível falar da Matarroa sem falar do projecto quase siamês, Matozoo, tais são os pontos de contacto entre ambos.
Diz a sabedoria popular que quando se tenta tocar muitos burros ao mesmo tempo, algum há-de ficar para trás. Ora é exactamente isso que perspectivo para estes dois projectos, porque forçosamente a performance de um vai condicionar o outro. Bem, mas isto é uma perspectiva a um futuro, mais ou menos distante, vamos olhar para o presente e atender ao actual estádio de desenvolvimento da Matarroa.
A editora está, globalmente, a fazer tudo certinho; aposta na divulgação de novas bandas, aposta na promoção para que exista uma maior visibilidade dos seus projectos e utiliza o canal de distribuição com mais potencial de desenvolvimento – a internet.
Vejamos cada um per si, a aposta nas novas bandas, antes de ser uma boa solução, é a solução, porque é o único local onde poderão surgir novas oportunidades, pois actualmente, dificilmente conseguirão produzir alguma banda minimamente consagrada, essas, reservam-se para editoras de maior peso na indústria. No fundo é um trabalho idêntico ao caçador de pérolas, nalguma ostra estará o prémio desejado.
A promoção levada a cabo, tem a particularidade de criar sinergias para a dupla Matarroa/Matozoo, projectando-se inclusive, junto de segmentos alheios ao hip hop, por exemplo, o cotonete.
Adoptar a internet, como canal de distribuição/promoção, e atendendo às limitações patentes, acaba por ser novamente a boa solução, pois é aquele, que com menores custos consegue atingir uma maior quantidade de conhecedores dos projectos e naturalmente, uma franja de potenciais compradores.
Como já afirmei atrás, a performance da Matarroa condicionará a Matozoo e vice-versa, ou seja, se a banda se conseguir consagrar, dificilmente haverá espaço e tempo para suportar convenientemente a editora. E o mesmo acontecerá se a editora conseguir alcançar êxito e margem de crescimento, o tempo e criatividade que uma banda exige será diminuto, com as suas naturais consequências.
Não é uma questão de atirar a moeda ao ar e ver o resultado, é um conjunto de circunstâncias, que irá determinar esse resultado, entre outros, a resposta do público, a verdadeira vocação dos responsáveis destes projectos, as oportunidades que surgirem.
Bem sei, que o que vou dizer contraria a vontade do coração do mentor do projecto Matarroa, mas se apostasse não exclusivamente no hip hop, a probabilidade de sucesso aumentaria.
António Fernandes (Lisboa)
O aparecimento da Matarroa veio criar um marco na história do hip hop no Porto, não só pelo trabalho que tem desenvolvido mas também pela criação de uma alternativa ao hip hop que estava limitado pelas iniciativas do "2º piso". Neste primeiro ano surgiu com três fortes argumentos que tiveram uma boa divulgação, não só pelos sítios do costume mas também em espaços abertos como a Fnac, o que aponta para uma nova realidade do hip hop no Porto, um hip hop disponível para todos e sem restrições com aqueles que não pertencem ao movimento (fenómeno muito positivo para o crescimento do movimento).
Do ponto de vista nacional a Matarroa lançou um vídeo-clip que rodou nos canais televisivos e foi falado um pouco por todas as novas estruturas do hip hop que foram criadas entretanto, contudo não foi capaz de marcar a sociedade "não-hiphopeana", sendo ainda notória a falta de promoção em rádios, tv, jornais, cartazes, etc do seu trabalho.
É certo que também não serei capaz de saber se isso era apontado como objectivo, mas entretanto, enquanto o "bom hip hop" não conseguir sair do buraco onde ele próprio se meteu (underground) vamos continuar a ouvir Melão nos 3 canais consumistas portugueses e vamos ter que nos sujeitar a tapar os ouvidos sempre que ele diga que faz hiphop "Yoh Yoh"...
Penso que cabe não só as editoras portuguesas como também a cada um de nós, que vivemos o movimento, mostrar ao "Mundo" que há hiphop e HIPHOP!
Concluindo, o saldo deste primeiro ano da Matarroa é positivo, marcado pela diferença. Se o Martinêz dizia na Antena3 que o hip hop precisava de alguém para dar o "BOOM"... a meu ver a afirmação está mais que certa e é ao criar alternativas e situações diferentes que esse fenómeno terá possibilidades de aparecer.
Simão Rio (Gondomar)
A editora Matarroa foi formada por Martinêz no ano 2003. As expectativas para esta pequena grande editora passam por um conjunto de características específicas como promoção, distribuição, realização de concertos promocionais, etc. Embora com poucos artistas, já conta com algumas edições como por exemplo Infamous & VRZ e com o álbum de Fidbek (representante do clã Matozoo). Claro está, as edições destes matarroêsses possuem um carácter único desde o próprio estilo nortenho caracterizado por um hip hop mais negro, mais underground, com beats extremamente bem construídos e um vocabulário bastante complexo e agressivo. Os matarroêsses mais conhecidos são elementos bastante antigos nestas andanças, e, como tal a sabedoria adquirida ao longo destes anos é reflectida na sua EDITORA bem como nos álbuns que lançam a título individual ou até mesmo em colectivo (por exemplo Matozoo), não obstante passa também por uma escolha bem elaborada dos artistas que representam a EDITORA, isto é, aqueles que de uma maneira ou de outra não representam directamente os Matozoo (Infamous & VRZ).
Em suma, este clã tem lugar bem definido no Hip Hop nacional, possuem um conjunto de características muito próprias que lhes confere um tom agressivo e reflexivo através de um vocabulário complexo; são dos mais criativos... e inteligentes a fazer hip hop em Portugal, tendo em conta que o projecto é recente, penso que o balanço é bastante positivo!!!
João Neves (Porto)
O esforço que a Matarroa tem feito pelo hip-hop português vai com certeza dar os seus frutos este ano ou para o próximo com certeza absoluta. Se considerarmos 2003 como o ano zero da editora, o ponto de partida não podia começar melhor que em duas apostas sólidas já com algum nome no underground mas ainda sem LP lançado.
O cd do Fidbek serviu exactamente para isso (feedback) e penso que se tem dado valor. Estive nos showcases na Fnac e gostei do que ouvi. Entretanto adquiri o álbum do VRZ e fiquei surpreendido pela positiva. A capa, sei lá, não é um cd normal, foi uma aposta na inovação, gostei sinceramente!
Depois em termos de relação com a imprensa penso que têm feito de tudo para se aproximar da "máquina", este artigo no Blitz é bem exemplo disso, bem como outros no site do divergencias, passatempos no cotonete, ntv, Nação Hip-Hop, HipHop Nation, etc. O nome é cada vez mais referenciado e aqui e ali se ouve falar da Matarroa, prova que foi feito um grande investimento e que vieram para ficar.
Em termos de expectativas, não ficou àquem do previsto, penso mesmo que as superou, se tivermos em conta que parece ser um projecto a longo prazo e com muito caminho a percorrer, e já com apostas bastante seguras para uma edição em álbum (alguns dos participantes em "Matarroeses"), e ainda com um campo de abrangência enorme, em termos de hip-hop e da música em geral.
Acho que tudo isto surte efeito também pela experiência acumulada do Martinêz e dos que o rodeiam no meio musical, o facto de algumas editoras se concentrarem 100% no hip-hop e no próprio público apenas acaba por fazê-las mais cedo ou mais tarde terem insucesso (esperemos que não, seja como for!)
A Matarroa tem apostado na "prata da casa" e tem conseguido conquistar um lugar ao sol no panorama nacional, não só do hip-hop como de toda a música. De referir por exemplo, o estrondoso sucesso do "Onde Andas" e o próprio vídeo, bastante bem feito, e algo fora do normal no que respeita a vídeos de hip-hop.
Talvez a maior virtude seja a união do clã que faz mover a Matarroa, o pessoal externo ou interno que os acompanha (grafismos, vídeos, distribuição, etc...), ou seja, saberem sempre que o passo que estão a dar é o mais correcto, e não se deixarem iludir só porque pensam ser o momento ideal para determinado lançamento.
Não consideraria defeito, mas talvez um ponto (ainda) fraco no que concerne aos músicos da Matarroa é o facto dos concertos serem em pequeno número, não sei as razões mas presumo...ou porque não pegaram noutra música além da do Onde Andas e a transformarem em clip... (a "Betta Run" pareceu-me capaz de obter grande aceitação).
É esta a minha perspectiva no que concerne ao que até hoje foi o percurso da Matarroa.
Alongando-me um pouco à questão... pessoalmente, penso que para este ano de 2004 devia sair um cd do Bezegol. Seria talvez a aposta melhor conseguida para "entrar" noutros meios mais alternativos ao hip-hop, nomeadamente para o ragga.
Pedro Casais (Vila Nova de Gaia) |