Resultados:
Este foi um passatempo repleto de participações, foram realmente muitas. Obrigado a todos!
Como sabem o CD ainda não saiu, o lançamento está previsto para dia 21 de Fevereiro, com uma pequena actuação na loja King Size, às 18h, e para a qual ficam todos desde já convidados.
Uma vez que tivemos uma adesão excepcional da vossa parte, procurámos retribuir de forma equivalente... por isso, em conjunto com a Dream Flow temos para vos oferecer, não 5 como era anunciado, mas sim 7 CD's "Pugilista Verbal" de Lancelot.
Segue-se a lista de vencedores, cuja escolha foi repartida pelo próprio Lancelot e a Equipa H2T:
Penso que a primeira vista seria fácil afirmar que o improviso é um aspecto primordial de qualquer bom MC pois através dele podemos ter contacto com toda a extensão do seu vocabulário, tal como a destreza que tem em formar rimas de maneira rápida e conexa sem nunca perder o fio à meada. E tudo isto é verdade, agora existem nesta última frase alguns pressupostos falaciosos, por exemplo, todos sabem só que os freestyles não são todos diferentes, todos os MC’s têm rimas que usam muitas vezes em diferentes improvisos... neste caso poderíamos então pensar que o melhor improvisador é aquele que tem mais experiência pois já tem mais rimas predefinidas que solta com mais à vontade e com mais acutilância. Assim por vezes vemos improvisos que não são mais do que repetições de dicas já ouvidas mas com uma ordem diferente, não vejo assim qual o seu objectivo. Claro que também existem grandes improvisos, alguns deles gravados, mas não penso que estes sejam a regra, mas antes a excepção.
Na minha opinião não acho que o improviso defina um bom ou mau MC até porque existe uma coisa em que acredito: a inspiração, algo que não podemos simplesmente chamar para o palco porque nos apetece ou porque seria deveras conveniente ter agora umas 4 ou 5 quadras na ponta da língua. Por isso, e em jeito de conclusão, acho que é mais importante o que é feito a partir do que fica "cá dentro" do que aquilo que expressamos um pouco porque tem de ser, num momento pré-determinado por alguém.
Diogo Veríssimo (Pontinha)
A importância de improvisação num MC é a criatividade e a cultura de linguagem de cada um. A sua lírica vai ser usada por palavras num acto repentino, é no momento que serão divulgadas a(s) forma(s) de pensamento que exerce cada um. É no improviso que se mostra, realmente o que um MC vale. É preciso muita capacidade para o fazer, poucos são esses...
O hip-hop tuga está a ficar cada vez mais repetitivo, é bem que haja pessoas como Pugilista Verbal para o denunciar. A denuncia feita em improviso, é um bom caminho para novas saídas. O meu fundamento baseia-se na capacidade de cada um, tendo a ver também com a cultura, pois é esse o ramo a que nos leva, a ter um pensamento linear sobre as escolhas do improviso, é certo que elas são poucas, sendo esse o objectivo, e também, consequentemente, havendo poucos e bons a desempenhar esse papel.
Admiro quem o faz correctamente, é um bom exemplo para novos jovens, que poderão ter algo em que se manifestar e empenhar, em vez de se manifestarem nas "ruas escuras".Nem sempre o que queremos alcançamos mas HipHop é HipHop, e improviso não deixa de ser HipHop...
Igor Silva (Espinho)
Tal como foi dito, uma das características que melhor define o MC é sem dúvida a sua admiração por Battles e a capacidade de fazer Freestyle Lírico.
Um bom MC sem dúvida que também é um bom poeta. O liricíssimo (capacidade de expandir / transmitir / exprimir os seus sentimentos e o que sente) praticado por um MC, é normalmente escrito e depois transmitido em forma musical (gravação do seu trabalho em CD, por exemplo).
Apesar de já assim podermos avaliar a capacidade de um MC, o freestyle é algo com mais valor, visto que são revoltas interiores, amor, raiva... resumindo, são um vasto leque de sentimentos dito no momento, espontâneo.
Por outras palavras, o freestyle lírico feito por um MC dita a sua inteligência, a forma de improvisação, a sua capacidade intelectual de dizer determinado certo tipo de coisas num momento preciso.
Já Sócrates nunca nos deixou nada escrito. Ele sabia que a verdadeira inteligência estava cá dentro, e quando algo tivesse que ser dito, seria dito no momento certo.
E sem duvida que Lancelot possui estas boas características...
Diogo Antunes (Lisboa)
Um MC deve estar sempre munido de rimas cujo teor seja extremamente original e educativo, assim como deve ser detentor de um flow que cative os seus ouvintes. Tendo estas particularidades, já podemos considerar este MC um fenómeno social, e se a tudo isto se aliar o facto do MC ser dotado de uma capacidade de improviso, como o Lancelot é, permite que possam ser desenvolvidas formas saudáveis mas competitivas de se expandir a nossa cultura a outros. Contudo, também acredito que um MC com uma boa capacidade para improvisar consegue enriquecer a sua performance de forma diferente, no caso de haverem falhas técnicas, como por várias vezes sucede nos concertos do movimento, e até mesmo para despontar alguma criatividade nos eventos e não só.
Apesar do formato do freestyle ser originário dos EUA, acredito que por cá deveria ser concebido uma diferente forma de Freestyle, mais dentro da nossa realidade, tendo em conta que no geral a nossa cultura não é tão de "beefs" e guerras como a norte americana (e ainda bem que não). O que me deixaria deveras surpresa e maravilhada seria um MC que instituísse uma diferente forma de improvisar, que se coadunasse mais com a nossa forma de viver e encarar a vida, porque na minha perspectiva a arte de improvisar não se cinge a uns quantos insultos e a frases do género "eu sou, eu faço e desfaço"... Sinceramente, até já nos cansa! Por todos estes motivos a importância do improviso é crucial pois desse discurso momentâneo nasce uma espécie de afirmação não momentânea, quem sabe até eterna!
Cleusa Escórcio (Queluz)
Na minha opinião, a capacidade de improvisação de um MC é a cena mais importante que se deve ter!
É no improviso que se vê quem é o verdadeiro MC, vê-se os seus princípios e os seus interesses! O improviso mostra quem é quem, não há máscaras! Basta ver quem tem os melhores improvisos para se saber quem são os melhores MC’s tugas: Valete, Boss AC, Lancelot, Chullage, Xeg... e muitos mais do underground!
Afonso Amaro (Lisboa)
Improvisação, de maior importância num MC, sinónimo de autenticidade, liberdade, criatividade, eloquência e inteligência, como se de um pintor o MC se tratasse, e os improvisos as telas, e o HipHop o sonho, pintado sobre elas.
Em plena violência verbal, no cuspir rimas, em cima do palco, multidão em excitação, o improviso é como se de magia se tratasse por cima de letras elaboradas, bytes, típicos do puro Freestyle, que retratam em toda a essência a cultura HipHop.
Nelson Marques (Apúlia)
Ultimamente o hiphop tem-se desenvolvido a um passo alucinante em Portugal e por isso, é por vezes necessário reflectir sobre quais são os traços gerais que o hiphop português tende a seguir. No caso do hiphop Americano, do qual se deu a exportação para todo o mundo, o improviso assume um papel bastante relevante. Também numa perspectiva histórica pode-se dizer que o hiphop nasceu do improviso, do cruzamento das rimas que iam ser lançadas directamente da imaginação, do jazz e soul.
Falando concretamente de Portugal, variando de região para região e de MC para MC, há quem diga que o improviso é indispensável, havendo também quem diga que é apenas mais uma importação cultural completamente desnecessária. A meu ver, o improviso é uma das coisas mais belas no MCing e completamente indispensável. Está na base da criação lírica porque é através dele que um MC pode desenvolver as letras para um tema, faz com que haja uma melhor habituação aos instrumentais, e pode ajudar, em muito, a desenvolver o flow. Se formos a analisar o hiphop praticado actualmente no Porto (zona da qual posso falar com conhecimento de causa), nota-se um progressivo desaparecimento do improviso em concertos, devido, em parte, à abertura das festas a pessoas que até agora não apoiavam tanto o hiphop. Quando o improviso é bem praticado, realça todas as boas qualidades de um MC e torna um concerto muito mais apelativo, porque todo o público espera ansiosamente pelo encadeamento das rimas.
Sou por isso da opinião que se deve, sem dúvida apoiar o improviso e que é de uma grande importância para o hiphop, não só por ser a sua origem, mas também por ajudar bastante o seu futuro.
David Monteiro (Porto)
A título de curiosidade, decidimos ainda partilhar convosco alguns bons excertos que retirámos dos diversos textos recebidos. Apesar de não irem receber qualquer prémio material, fica aqui um pequeno “mimo” H2T. Não se encontram aqui a totalidade dos participantes, o que se segue é apenas uma pequena amostra:
“Fazer uma boa punch-line, uma boa metáfora ou alguma rima com duplo sentido muita gente faz, agora pensá-la em 1 ou 2 segundos é que não é para todos.”
Durval Pires
“O que considero importante nas battles e freestyles não é o facto de um MC mandar muitas dicas de frases a rimar mas sim a coerência daquilo que diz.”
Gonçalo Rosa
“Uma boa improvisação acaba por ser a 'prova' de um bom Mcing: knowledge (know how), inteligência e dedicação.”
Teresa Vieira
“Penso que o improviso é como uma forma de técnica, uma maneira de agilidade, astúcia, é mais um atributo a adicionar às qualidades de um MC…”
Márcio silva
“…o improviso é extremamente benéfico, pelo que vejamos: o seu uso em battles evita montes de socos na cara sendo estes trocados por palavras que como setas rasgam o orgulho sem pisar a face nem sangrar o corpo.”
Ricardo Pereira
“…há muitos MC´s que improvisam muito e não dizem nada. O freestyle não tem de ser necessariamente uma crítica a outros MC´s ou um apelo à violência ou, como muitas das vezes, uma quantidade de asneirada em cima do beat.”
Fábio Seco
“A fluidez de ideias e a originalidade precoce, quando demonstradas com grande habilidade e espontaneidade, podem muito bem caracterizar as possibilidades e skills, associadas ao MC em jogo.”
Marco Ferreira
“… Em suma, é o melhor treino que pode haver para um MC se desenvolver e afirmar como tal!!”
João santos
“Odeio esta nova moda que há agora, que consiste em ir a um fórum de battles, deixar umas punchlines que demoraram duas horas a ser escritas, e no final dizer: «Epah, abafei-o! Sou grande MC!! Represento esta merda a 500%!!!». Isto não é nada. Os verdadeiros skillz não se vêem em frente a um ecrã e a martelar num teclado, vêem-se na rua ou em cima de um palco a segurar com convicção o ‘intermediário entre a voz e a coluna’.”
Tiago Gonçalves
“Pessoalmente, faço a diferenciação da qualidade ao vivo e a qualidade no cd. E ao vivo, o MC mais valoroso, será provavelmente aquele que incluir um improviso no decorrer do evento.”
Joana Nicolau
“Eu sou um verdadeiro adepto do "freestyle" e gosto de ver quando palavras são usadas para fazer rir, humilhar o adversário, e de certa maneira, admiro a capacidade do MC em fazer uma análise do espaço físico e das pessoas que se encontram à sua frente no momento em que está a improvisar.”
Semedo Agostinho
“…nos EUA há club's que ao fim de semana fazem sessões de battle hiphop e chegam mesmo a fazer campeonatos (como aliás se vê no filme "8mile") e é daí que muitos MC's underground passam para MainStream do mercado hiphop, por isso nos EUA penso que é muito importante a arte do improviso, por cá em terras lusas é bastante raro fazerem-se sessões de battle hiphop, por isso não sei até que ponto o improviso será realmente importante em Portugal. Mas fica a sugestão, há que fazer um campeonato de battle Hip Hop! (pode ser que tiremos o lugar ao futebol!).”
Ruca
“A improvisação não é só importante no hip hop mas em tudo, pois temos que improvisar a todo o momento!”
Isabel Afonso
“A capacidade que um MC tem de improvisar pode ser vista como a um músculo de um qualquer atleta, é necessário que seja objecto de um treino para que esse mesmo músculo não se torne flácido e lento, ou seja, o MC tem que trabalhar a sua improvisação…”
Ana Martins
Obrigado a todos os que participaram, é desta forma que mantêm (cada vez mais) activa a secção Passatempos. Parabéns aos vencedores! |