Desafio:
A Equipa H2T em colaboração com a Covil Produções tem para vos oferecer 3 pacotes incluindo um single de 3 músicas (não disponível nas lojas), um poster e um autocolante referentes à compilação “AlémDoTejo”, que reúne nomes como Movimento Clandestino, Projecto de Surra, Blaya ou Camate. Novos projectos, provenientes da zona do Alentejo, a impulsionar a descentralização do hiphop nacional.
E a questão é:
- Como vêem esta descentralização do Hip-hop para zonas menos urbanas? Será que a cultura perde o seu sentido ou identidade, ou será isto um preconceito?
As respostas deverão ser enviadas até dia 6 de Dezembro de 2004 (2ªfeira) para passatempos@h2tuga.net, devidamente identificados com o nome e respectiva morada completa.
Serão priveligiadas as 3 respostas mais convincentes. |
Resultados:
Eis os vencedores dos 3 packs sobre a compilação "AlémDoTejo":
Uma das maiores falsas crenças do hip-hop reside no facto de constantemente falarmos das grandes cidades como único polo agregador de massas seguidoras do fenómeno. Nada mais falso, porém é sustentado nesta falácia que o hip-hop se vem desenvolvendo. Importa lembrar que as raízes do hip-hop surgem com as worksongs dos escravos africanos importados pelos "coronéis" norte-americanos. A história continuou o seu constante movimento e surgem na Jamaica (!) os primeiros beats e os primeiros e rudimentares dj's. Esta conversa de que os EUA são os pioneiros do hip-hop tem de acabar, assim como as constantes conotações do hip-hop com o betão e o cimento das grandes cidades... para mais os bairros americanos conhecidos por serem os bairros das primeiras grandes festas de hip-hop não são no centro das grandes cidades, mas sim na periferia.
O facto de um rapper ter nascido numa recôndita aldeia de um pequeno país não condiciona em nada a sua capacidade de fazer rap... o sentimento e o valor da sua escrita, se estiverem lá, serão reconhecidos. Não vejo, e sinceramente irrita-me que haja quem assim pense, como os rappers vindos de fora das grandes zonas urbanas podem conspurcar o "sentido e identidade" desta "cultura". Na maior parte das vezes são os rappers das grandes urbes que deturpam o rap com mensagens subversivas e sem qualquer fundamento, mensagens totalmente deslocalizadas da realidade portuguesa.
António Semelhe (Braga)
A descentralização do hip-hop? Sim, sem reservas. Sim a toda a descentralização musical. Como lisboeta suburbano que agora vive e trabalha no Alentejo, posso garantir-vos que o hip-hop tem muito a ganhar com este cruzamento de experiências, porque é a cidade vista de fora, é um olhar novo sobre as suas ruas e as suas dificuldades. É ao longe que melhor se percebe o contorno da cidade, sabiam? O que pode o hip-hop fora das cidades? A noção do trânsito e do metropolitano? Sim, porque a droga, o racismo, o desemprego, mas também o amor, a paixão, a amizade, tudo isso é universal e cresce os montes alentejanos como nas ruas de Lisboa ou de Nova Iorque. São apenas outras formas diferentes de rimar.
Pedro Dias (Ferreira do Alentejo)
Na minha opinião a cultura hip-hop não vai perder, de forma alguma, sentido e muito menos identidade com a sua descentralização. Antes pelo contrário, ao expandir-se poderá trazer com ela inovação, e, consequentemente, um maior enriquecimento e uma identidade mais abrangente da cultura. Se pusessemos as coisas por essa perspectiva, então também teria perdido identidade quando se começou a manifestar noutros países, que não os EUA. E ainda, uma vez que o termo cultura significa civilização, é muito pouco cívico (para não dizer de extrema ignorância) conceber preconceitos.
Hip-hop descentralizado sim, preconceitos nunca!
Andreia Guerreiro (Beja)
Obrigado a todos quanto participaram e parabéns aos vencedores! Deixamos também um agradecimento especial à Covil Produções por ter possibilitado a realização deste passatempo conjunto.
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