Resultados:
Seguem-se os vencedores e respectivos textos, expostos por ordem de participação:
Tudo começou quando tive o contacto com a música "Trabalha" do Sam The Kid, na altura tinha sacado na net. Comecei prestar atenção a forma como ele escrevia e a forma que ele escolheu para dar motivo as outras pessoas para fazerem algo próprio. A paixão pela Cultura não foi logo imediata, pesquisei mais e, foi entre pesquisas que descobri o hit: "Não Sabe Nadar" dos Black Company. Ai é que tudo se encaixou, parecia que estava a ouvir os meus pensamentos por outras pessoas. Comecei por explorar mais a sério a Cultura/Movimento Hip-Hop, vi os primeiros grafittis nas paredes, senti o chão a vibrar com os b-boys a treinarem. Não fiquei parado e comprei tudo o que falava sobre a Cultura, deste revistas a livros passado pelos discos.
Esta Cultura tocou cá dentro e, ainda hoje a sinto como tivesse a conhecido há dois dias atrás. O Hip-Hop vai além do que rimas, tags e b-boys, Hip-Hop é vida!
João Coelho, Quinta do Anjo
Não sei se nasceste comigo
Mas lado a lado cresci contigo
Fui-te conhecendo
Pelo que passava na rádio e televisão
Só te imaginava em português
Para mim não tinhas vida em inglês
Eram poucos os momentos
Todos os acontecimentos
Criaram sentimentos
A tua magia era a humildade
Via em ti simplicidade
Na tua cultura, arte e verdade
Procurei conhecer o teu berço
Entrei na tua casa sem saber se mereço
Procurei a tua raiz fora deste pais
Nunca me esquecerei da primeira rima que fiz
A partir daí nunca conheci um limite
Não comecei por te ver num filme
Nunca disse a ninguém que te conhecia
Porque és a minha única companhia
Vivo para ti de noite e de dia
Adormeço contigo nos meus ouvidos
Acordo com a tua batida na cabeça
Por vezes pareces um sonho
Que não quero que desapareça
A vida é um pesadelo medonho
Que enfrento com dificuldades
Neste lugar ser artista não é ter uma profissão
Porque os que sobem a pulso mantêm-se na escuridão
E a luz que se abre vem a custo de muita imaginação
E só a vossa música me anima para mais um dia
Mas o hip-hop nem sempre é o que a gente gostaria
Hip-hop não é aquilo que visto
É aquilo que sinto
Aquilo que retrato nas linhas de um caderno
Por vezes rimas de um paraíso
Ou imagens de um verdadeiro inferno
Quando se sente tudo parece ser eterno
Artur Tinoco, Vila Nova de Famalicão
O hip hop abraçou-me no berço das raízes a incitar-me em palavras os actos que há muito ambicionava.
Perdido nesta aranha mecânica, preso no sistema, procurava diariamente formas de fuga, era tocado em todos os caminhos pelas tags, ouvia batiadas ao longe em todos os sons urbanos, mas não sabia como me integrar, a essência de revolução chamava-me, mas era cego pelo ímpeto de raiva apática dos novos dias.
Assim, o contacto surgiu entre contactos e activou uma réstea de mim que em tempos desenhava projectos à toa nas beiras das mesas, nas bordas das páginas frias que me olhavam em demasiada pura virgindade. Encontrei o Hip-hop sozinho, no meio do caminho, à chuva, onde uma parede me inflamava ódios e me permitia descarregar, na urbe secreta dos suburbios, toda a vontade de me expressar. O grito chorou mais alto e um MC rompeu-me as veias. Fiquei infectado pelo ácido que nos permite derrubar leis pelo prazer da liberdade.
João Castro, Carvalgos
''Diz-me outra arte que dá-te maior conhecimento'', in À procura da perfeita repetiçao; Pratica(mente) ; Sam the kid
Bem, quem diria que o movimento cultural (e musical), no início dos anos 70, impulsionado pelas comunidades Afro-Americanas, em zonas urbanas do Bronx, iria chegar, em pleno século XXI, aos pc's de tanto puto e de tanta gente grauda, em diferentes partes do globo. Longe estava Grandmaster Flash de pensar, que aqueles arranhões em vinis antigos, com autêntico groove explosivo, sobrepostos com umas percursões tiradas do punk e do funk, iriam colocar a rap music, nas hits list de cd's mais aclamados do momento.
A meu ver, o hiphop (ou música rap, como lhe queiram chamar), é muito mais do que uma batida, um bass, ou uma qualquer string com um pitch elevado. É isso mas não só... É uma cultura, uma forma de protesto/enumeração contra os sistemas que este mundo de consumismos, utiliza e nos impõe a toda a hora. É a cultura que nos dá a oportunidade de dizer NÃO, BASTA, JÁ CHEGA!!! O grito do: QUEREMOS MUDANÇA!!!
Concluindo, é a arte que procura no passado a forma mais correcta de mudar o presente, fazendo todo o sentido a questão, em tom de afirmação, utilizada por Sam the Kid - ''Diz-me outra arte que dá-te maior conhecimento''.
Ruben Silva, Alverca
Quando começei a seguir o hip-hop, mais ou menos à dois anos, desconhecia, por completo esta cultura, só conhecia o nome.
O rap e o graffiti foram as vertentes que mais me fascinaram, sobretudo pela liberdade de expressão que carregavam. Acho que é uma cultura bastante liberal, o que permite a cada artista poder dizer aquilo que pensa e sente. Por consequência, há muitos pontos de vista diferentes acerca de vários temas, o que permite aprender um pouco com cada artista e com cada música. Tambem é uma cultura que só admite aquilo que é essencial, ou seja, aquilo que realmente tem valor, que não segue as massas. Acho que quem verdadeiramente segue esta cultura, não procura agradar e mostrar-se aos outros, mas agradar-se a si mesmo, criar a sua identidade com base nela e procurar-se a si próprio com a sua ajuda. É por isso que sigo o Hip-Hop, porque ele é uma parte de mim e eu quero ser uma parte dele.
Nuno Oliveira, Braga
Parabéns aos vencedores. Obrigado a todos os que participaram. Agradecimento especial aos Wella Projectz por terem possibilitado a realização deste passatempo conjunto.
Entrega dos prémios sob responsabilidade de Wella Projectz.
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