Fonte: grandeportoonline.pt, 29/01/2010
12/05/2010, 15:23
Têm entre 23 e 29 anos e orgulham-se de ser filhos da cidade invicta. Tanto, que em 2007 optaram por se chamar Oporto Zona Central para oficializar um conceito. O nome é “sonante” e ajuda a “puxar” pela cidade. Krazz, Poeta Ruim, Russo e Hipe representam a nova geração de “hip-hopers”. Escrevem em português, com o propósito de intervir socialmente, combater a desigualdade e rimar a favor dos direitos humanos.
Chegam à Praça dos Poveiros de jeans, alguns ténis desapertados e bonés, mas a indumentária mergulha apenas ao de leve no universo associado ao hip- hop. Nada de camisolas de basebol, calças XXL e correntes. Deliberadamente. Vestem-se conforme se sentem bem e desprezam rótulos. “Preocupamo-nos mais com a imagem não física daquilo que fazemos, com o produto. Quero que me conheçam pelo que eu digo”, desmistifica Krazz.
E o que eles dizem é tão vasto que não cabe em meia dúzia de linhas. Preocupam-se com temas tão diversos como a “educação”, as “questões raciais”, o “excesso de consumismo fútil”, a “sobrelotação do planeta” e o “aproveitamento empresarial”, explica o Poeta Ruim. Todos participam na escrita das canções. Repartem o ‘beat’ em quatro partes e deixam a mente fluir. A linha é “consciente, madura e educativa” e expressa-se através de “poesias elaboradas, com metáforas explosivas e ricas em duplos sentidos”.
Quando se juntaram, o Porto mantinha as luzes do hip-hop acesas em modo de presença há meia dúzia de anos. Havia manifestações em Gaia e Matosinhos, mas pouco mais. Começaram a fazer umas “festas”, a estreitar ligações e conheceram o produtor Mundo e o Segundo Piso, “o sítio onde há mais tempo se grava hip-hop no Porto”. Com a pessoa e local certos, podiam almejar a “alquimia” seguindo rotas próprias e não as “tribos” já implantadas.
Álbum homónimo
Foi de Mundo que partiu a ideia para a primeira ‘mixtape’, em finais de 2007. “Das Tripas Coração” seria disponibilizada para download gratuito na Internet e continha uma faixa a solo de cada MC e outras três com os quatro elementos.
Em Setembro de 2008 ,começaram a trabalhar no primeiro álbum, homónimo, que sairia em Agosto de 2009. O primeiro single chama-se “A Comitiva” e teve direito a videoclip disponível no myspace da banda. Com a Torre dos Clérigos ao fundo, os Oporto Zona Central aparecem descontraídos, habitando uma sonoridade envolvente. Falam da cidade onde a ‘comitiva’ nasceu e procuram granjear respeito, refugiando-se na substância da crítica: “Do que ficou para trás só analiso o concreto/Não se pode começar a construir pelo tecto”.
Em breve deverá sair o segundo videoclip, desta vez para a música “O Preço da Liberdade”. A banda foi entretanto convidada para várias ‘mixtapes’ e a mais recente aposta é uma mix para sair antes do Verão. Um novo álbum só para 2011.
Para os Oporto Zona Central, o hip-hop deixou de ser uma mera manifestação musical e transformou-se num “modo de vida”. Há quem opte por vertentes como o ‘punchline’, de cariz combativo, ou o ‘gangsta rap’, de envolvente mais “pesada”. A abordagem destes portuenses, três MC’s (vozes) e um DJ, Hipe, deixa o seu rasto na “consciência”.
Por Pedro José Barros para grandeportoonline.pt (29/01/2010)





