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Decorreu, numa tarde de Março de 2004, na Fnac de Sta. Catarina (Porto), a apresentação do DVD “Referência Vol.1 – LX Vision City Tour in Colour”. Esta, consistiu na passagem de algumas partes do vídeo, num pequeno concerto de Fuse e DJ Guze e num debate. Neste ultimo, participaram os Writers Kayo, Meo e Caos, um dos autores do DVD, Rasputini, bem como alguns elementos do público. Apesar dos temas terem andado perto do esperado, as ideias radicais e as divergências acentuadas proporcionaram uma conversa extremamente interessante.
Depois da breve apresentação de cada um dos Writers convidados, a explicação das várias formas que o Graffiti pode tomar, constituiu o primeiro tópico de discussão...
Caos: (...) O Graffiti divide-se em várias vertentes. Vai desde o Tag e estende-se pelo Bombing e pelo Hall of Fame... acho que podemos resumi-lo mais ou menos a isso. Claro que hoje em dia começam a surgir outras vertentes relacionadas, como é o caso dos Stencils e dos Stickers.
(...)
O Tag é a simples assinatura, é espalhar a assinatura, demarcar território. Depois temos o Bombing, que é Graffiti rápido, normalmente feito com duas cores – um Silver e um Preto –, em sítios propícios a ser-se caço. Depois há o Hall of Fame que é a vertente legal do Graffiti; é feito em paredes legais autorizadas, onde se pode estar mais tranquilo a pintar.
(...)
Meo: (...) Para mim o Graffiti tem uma evolução! Começa-se pelo Tag, que é a assinatura. A seguir à assinatura passamos pelo Bombing, que é fazer as letras do Tag, ou seja, uma pessoa tem uma caligrafia e aperfeiçoa essa caligrafia pelo Bombing. Por último, temos a do Hall of Fame, que é o aperfeiçoamento daquilo que nós somos enquanto artistas. (...) Portanto, no Tag uma pessoa tem que ter uma boa caligrafia; tem que, pelo menos tentar, ter uma letra bonita. Depois no Bombing temos que ter traço; é onde começamos a aprender a pintar, a encher letras e a ser rápidos. Depois o Hall of Fame é isso tudo. É juntar essas duas disciplinas e aperfeiçoá-las ainda mais, com tempo e num sítio legal. E assim vamos criando uma imagem, um estilo próprio e diferente.
(...)
Rasputini: Achas que hoje em dia a pessoa que começa o Graffiti tem essa visão? Tenta seguir esse caminho de aperfeiçoamento e de evolução para, então, tentar aceder a esse patamar mais alto que é o Hall of Fame? Ou achas que por um lado Graffiti se está a resumir ao Bomb e ao Tag... Ao espalhar o nome 1000 vezes em vez de se ter 100 trabalhos bem feitos?
Meo: Eu acho que isso possa ser a realidade em Lisboa. Aqui não é, pelo menos na minha maneira de ver. Quando eu cheguei cá a Portugal não havia Graff. O único que havia era nas Amoreiras e tinha sido feito por um português que era emigrante, o André... era um Fame (Hall of Fame) dedicado à SIDA. Mas aqui no Porto não existia nada. E o que eu acho é que, aqui no Porto, as pessoas foram logo directamente para o Fame. Aquilo que eu via mais era Fames. Agora está-se a voltar para trás e fazer aquilo que se devia ter feito. Começar pelo Tag, pelo Bombing e aperfeiçoar os trabalhos depois no Fame. Devia ter-se passado por essas etapas... Saltar essas etapas é quase como estar a jogar futebol profissional sem saber chutar uma bola. (...)
Findado este assunto, que praticamente serviu de introdução, acendeu-se o rastilho que conduz à grande polémica que esta arte engloba – Legalidade/Ilegalidade?! Interrogações que, clara e eficazmente, foram transformadas em pontos finais...
Caos: (...) Eu acho esta questão mesmo absurda! Ninguém vai permitir que andem aí a tagar nas paredes... e isso é Graffiti. Ninguém te vai dizer: “podes assinar à porta de minha casa...”. Esta é a vertente ilegal do Graffiti e há-de sempre ser, porque a maioria das pessoas não gosta. A sua vertente legal, já existe desde o início, os Hall of Fames. Pedimos autorização, pintamos... é legal e acabou! Agora o resto é lógico que é ilegal... Acho impossível vir a ser legal pintar comboios, por exemplo. Portanto, quanto à legalização do Graffiti, o que há para ser legal já o é, desde sempre!
O debate tomou contornos mais pessoais, quando Biph, outro dos mais fiéis praticantes desta arte pertencentes ao público, perguntou se algum dos outros três ligava o Graffiti a algum tipo de ideologia... Se o Graffiti interferia, de alguma maneira, com aquilo que tinham na cabeça...
Caos: Eu quando comecei a fazer Graffiti, comecei como se fosse um hobbie, apenas pelo prazer de pintar. Entretanto cresci, como é lógico, e comecei a pensar um bocado sobre a realidade que temos à nossa volta! O que fez com que eu, a partir de um certo período, começasse a tentar mandar alguma mensagem a partir daquilo que pintava, em relação a certas coisas que eu não gostava.
(...)
Nós vivemos numa sociedade em que não nos distinguimos muito dos animais. Se calhar a única coisa que nos distingue é o andarmos vestidos e calçados... e o aceitarmos dinheiro em troco de qualquer coisa. E, portanto, a partir de um certo período, começou-me mesmo a apetecer exprimir estes pensamentos nos Graffitis. (...)
Até que comecei mesmo a fazer Stencil, porque acho que é um modo mais reaccionário, mais fácil de passar mensagem, até pela própria expressão plástica que o caracteriza. Mas quanto ao Graffiti, acho-o uma publicidade gratuita que nós podemos fazer. Acho que é uma maneira fácil de nós berrarmos na rua. Eu, se calhar, não sou considerado tão maluco, se fizer um Graffiti a dizer qualquer parvoíce, do que se for para o meio do autocarro dizer aquilo que penso em voz alta. Ou seja, o Graffiti é uma maneira fácil de eu dizer aquilo que penso. Porque, afinal de contas, somos tantos; e nem sequer estamos nos Estados Unidos para termos os nossos 15 minutos famosos, para podermos dizer aquilo que pensamos e gostamos... Por isso acho que o Graffiti é uma boa forma para aproveitar. É um bom outdoor para dizer às pessoas aquilo que pensamos e acho que isso é importante.
Meo: (...) A mim ensinaram-me o Graffiti. Não tive que aprender por mim próprio. Aprendi porque já existia e os valores que eu tenho, foram-me dados por pessoas que já tinham vida no Graffiti. E eu, acreditei neles e hei-de acreditar sempre! É lógico que mudaram muitas coisas: Na altura não haviam tampinhas; não haviam latas Montana; não haviam revistas; não haviam workshops; não havia muita coisa... Mas no entanto as pessoas faziam as mesmas coisas que se fazem hoje. E, por isso, acredito nesses valores. É lógico que aceito as outras coisas... Aceito que a tendência do Graffiti mudou; que tem uma imagem diferente. Agora anda imenso pessoal com autocolantes, a fazer moldes, a alterar painéis publicitários... Isto é uma maneira de protestar, talvez... Eu não tenho nada a protestar. Eu gosto do Graffiti e mais nada! Não tenho nada a dizer às pessoas. Pura e simplesmente, a única coisa que vos tenho a dizer, é que gosto de Graffiti, que o faço e mais nada!
Kayo: No meu caso, acho que inicialmente ainda tentava ter alguma intervenção na sociedade. Mas apercebi-me que não funciona e desde então comecei a trabalhar para mim! E é obvio que eu não faço por fazer, mas o que eu tento mostrar com o Graffiti, é o que eu sou. Todos nós temos uma cara e no Graffiti cada um tem um estilo. E ao mesmo tempo que tento encaminhar a minha personalidade, tento encaminhar o meu estilo. Passa só por isso. Não tento intervir na atitude das pessoas. Cada um sabe o que faz e nós não somos ninguém para mudar o que as pessoas acham. É óbvio que há problemas, só que não vou ser eu que os vou mudar... logo, tento concentrar-me naquilo que eu quero fazer e no tentar evoluir em cada vez que pinto... Tentar mostrar quem sou em cada Graff que faço.
Posteriormente, foi debatida a questão dos “apoios” que (não) são dados, bem como a sua (des)necessidade...
Kayo: Em termos específicos, no Porto, é assim, os apoios são procurados, mas nem sempre há o apoio directo da Câmara Municipal... É capaz de existir um pouco mais este ano, mas se formos a ver, a atitude é mais repressiva do que outra coisa.
(...)
Há uma atitude muito negativista em relação ao Graffiti. É como se fosse um “clube”... eles são um bocado “finos” e não querem ter muitos papéis no “clube” a dizer que têm uma parede legalizada para o Graffiti.
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No entanto, se houvesse mais apoios, davam-nos espaço para desenvolver e as pessoas iam começar a ver Graffiti como algo positivo e com nexo. Porque nós não chegamos à parede e começamos a pintar do nada... temos trabalho. Se vamos pintar no fim-de-semana, antes temos que trabalhar no papel. Há um esforço! Fazemos tudo e mais alguma coisa para chegar ao fim-de-semana e fazer algo em condições. (...)
Meo: Eu acho que o Graffiti não precisa de apoio nenhum! Quanto mais apoio, mais se estraga o Graffiti. É isso que eu acho... Porque aqui no Porto, eu já fui apanhado a pintar num muro legal... e fui a tribunal por causa disso. Por outro lado já fiz montes de Bombings e nunca tive a “sorte” de ser apanhado. Por isso, é mais fácil talvez fazer Bombing aqui no Porto, do que fazer Fame. Já em Lisboa, sei que já não é essa a realidade. Há vários sítios legais para pintar, mas aqui no Porto as coisas não são assim.
(...)
Aqui no Porto, os Fames não existem. Existem muros autorizados por pessoas, mas a Câmara não sabe de nada disso! Ainda no outro dia estávamos a pintar um muro e veio um indivíduo da Câmara dizer que não podíamos estar ali a pintar, mesmo tendo a autorização do proprietário do muro. Por isso, aqui no Porto, a Câmara não tem a mínima noção da realidade do que se passa no Graffiti. Para eles deve ser tudo o mesmo!
Rasputini: Achas que, como é falado no DVD pelo Cab, o Graffiti vai chegar a um ponto em que os writers que se dedicam ao Hall of Fame, vão ter cartõezinhos do tipo: “Sou Graffiter... Faço Graffitii em Hall of Fames... Posso pintar... “? Depois vem um Policia chatear-te, mostras-lhe o cartãozinho e como aquilo está aprovado e legalizado, eles não te vão chatear?... Isto acontece nos Estados Unidos...
Meo: A mim, se me tiverem que dar um cartãozinho para poder pintar, deixo de pintar, pelo menos na versão legal! Para mim, o Graffiti não é nada disso. O quê? Vou ter uma carteira profissional de Graffiter, a dizer que sou sócio da Câmara do Porto, que só faço coisas autorizadas e não posso fazer Tags nem Bombings? Não! Eu sou livre, faço aquilo que me apetece! É lógico que o Graffiti é um bocado anarca, não é democrata... Mas durante o dia também me acontecem muitas coisas que eu não as peço. (...)
Kayo: Ainda em relação aos apoios da Câmara, é assim: Os apoios iniciais deles eram paredes que muitas vezes não tinham utilidade; por exemplo, parques de estacionamentos que já estão pintados, riscados e cheios de assinaturas.
(...)
E além do mais, quando pedes à câmara para pintar numa parede deles, ou fazes um projecto muito bem direccionado, ou então a resposta é nula. (...)
Caos: Na minha opinião, um apoio da Câmara, também seria uma coisa um bocado ridícula, porque eles só acabariam por apoiar o que será fácil de obter. Apesar do que ele diz, até é fácil pedires uma autorização e deixarem-te pintar... Mas é só isso que a câmara te pode dar! Só que isso, se calhar não vai satisfazer a maior parte das pessoas que fazem Graffiti.
(...)
Apesar dos Writers deverem seguir aquele caminho cronológico que ele falou, mais tarde acaba por se tornar numa decisão tua o que queres fazer, se Bombings ou Hall of Fames. E então, as Câmaras nunca iriam apoiar aquilo que é ilegal... Apoiavam-te no Hall of Fame; tudo bem, pintavas. No dia a seguir ias sentir necessidade de ir pintar um comboio e nisso eles nunca te iam apoiar, de certeza. Acaba por ser um jogo que eles estão a tentar fazer connosco, do tipo: vamos dar-lhes de comer aqui, para eles não irem comer ali. O que acontece, é que as jogadas politicas deles, em relação a isso, acabam por não funcionar. E isso vê-se nos arredores de Lisboa... continua a estar tudo pintado, tudo tagado e tudo destruído, não há hipótese!
A questão dos apoios, desenrolou um outro ponto fulcral... De que lado do muro, o Graffiti se posiciona? Se no lado da arte, se no lado do vandalismo...
Kayo: (...) Eu acho que tem os dois. Tanto há aquele que pinta, que quer lixar tudo e que quer lá saber se as pessoas gostam ou não; como há aquele que quer ter um portfólio, quer fazer algo organizado.
E as pessoas que estão por fora, como estão habituadas a generalizar tudo, se calhar nem vêem tanto a parte boa do Graffiti. Até porque o mau é que está nas ruas, em todo lado... E daí o Graffiti para eles ser mau.
Meo: Para mim é mesmo vandalismo! Claro que pintar na parede de uma pessoa que acabou de construir uma casa que lhe ficou por 24 mil contos, não é arte... Não vamos tapar o sol com a peneira!
Agora, se me disserem que no Fame há arte... há! Há pessoas que se dedicam e que fazem trabalhos com uma certa elaboração. No Bombing e no Tag, agora também há quem diga que já há arte – onde se colocar o bomb e o Tag... se o colocar numa porta com um arco... sei lá... (...)
Caos: Para mim o Graffiti, como já disse à bocado, é a melhor maneira que tenho de me expressar. Existe a música, existem outras maneiras, mas para mim o Graffiti é a melhor! Podemos pegar as pessoas no meio da rua e fazê-las ler aquilo que pensamos.
Sinceramente não gosto muito de estar a rotular o Graffti, se é ou não é arte. No entanto, para mim, claro que é arte. Lá está, se também dizem que existe arte de guerra, porque é que não há-de existir arte no Graffiti? Quanto a isso não tenho muito mais a dizer.
Voltando atrás, para mim é muito mais fácil chegar a uma parede – mesmo que não seja algo ligado ao Graffiti – e expressar o que eu penso. Se calhar, muito mais gente vai ver aquilo, do que se eu mandar uma carta para o Noticias Magazine... Acho mesmo que o Graffiti é das melhores maneiras de poderes dizer aquilo que pensas. E, na minha ideia, acho que devemos dizer aquilo que pensamos, acho que é assim que evoluímos, apesar de tudo!
Meo: Mas nós não temos que impôr as nossas ideias aos outros!
Caos: Não, não temos que impôr. Mas, lá está, é errado... é errado nós impormos. É por isso que eu te digo que acho que os valores estão trocados. Acho que nós vivemos numa altura em que o que é certo e o que errado nos confunde um bocado. Vivemos em constantes rupturas em relação a isso. Nunca estamos seguros do que hoje ouvimos... se amanhã, afinal, não era bem assim, percebes? Mas sim, não podemos impôr, mas acho que podemos mostrar as nossas ideias aos outros. E o que está ao meu alcance é pintar uma parede, e o que está ao alcance de outros é se calhar manipular telejornais! (...)
Biph: Eu acho que, quando tu estás a escrever numa parede, não estás a impôr a tua ideia. Estás é a impôr a tua necessidade de expressão. Ao pintar, eu só estou a exercer o meu direito de me exprimir à vontade. E não me venham dizer que a parede é dele, porque não é dele. (...)
Meo: Desculpa lá, mas isso não é assim tão linear. Nós temos que ter em atenção uma coisa. Tu és cidadão, tens os teus direitos, como toda a gente e tal, mas nem toda a gente anda a pintar paredes, não é? E tu pintas paredes. É obvio que está à margem da lei... (...)
Caos: Mas tu também votas em gajos que andam dois anos a prometer que vão aumentar o ordenado à tua mãe e depois vão comprar submarinos!
Meo: Por isso é que eu pintei a parede da fábrica da mãe!
Mas a questão é esta, uma vez até já me vieram com esta conversa: “O Graffiti é arte, mas é uma arte que nos impõem. Porque nós se quisermos ver uma peça de arte, vamos a um museu... O Graffiti impõe a sua arte às outras pessoas. E isso é chato!” E eu fiquei a pensar... É arte? Realmente é arte, para mim, mas se calhar não é para as outras pessoas. Portanto não podemos dizer que é arte. Se é arte ou não, depende da pessoa. Por exemplo, para mim fazer um Tag é arte. Mas, realmente, para as outras pessoas que estão à volta aquilo pode ser só uma porcaria, um risco. (...)
Caos: Lá está, é difícil definir o que é arte. Tens toda a razão. Mas, sei lá, a partir do momento em que estamos a expressar algo, se calhar já é uma criação artística. Ou mesmo por estarmos só a fazer alguma coisa que nem toda a gente faz... Só por aí também já pode ser arte! A Arte é uma coisa particular, que te diferencia.
(...)
Nós estamos aqui, conversamos, dialogamos e certamente somos mais inteligentes do que os primeiros gajos que fizeram marcas nas paredes... E se calhar eles nem pensavam nisso. Era apenas um estímulo, muito irracional. Isso é considerado arte! Hoje eles preservam aquilo e fazem turistas andarem lá à volta... E, no entanto, os que as fizeram nem sequer pensaram nisso. Connosco é mais ao menos a mesma cena porque, lá está, tive o estímulo e a vontade de ir pintar, tive aquela ideia. Porque é que não há-de ser arte pegar em quatro letras e escrevê-las aí nas paredes?
Kayo: (...) A arte é subjectiva. Eu posso chegar a uma parede ilegal e fazer o que eu gosto de fazer, e para mim isso é arte. Mas para o dono do muro já não vai ser arte.... Não dá para chegar a uma conclusão. (...)
Dado que o tempo destinado ao debate, já se havia esgotado há muito, a discussão teve mesmo que ficar por aqui, dando lugar ao pequeno concerto que estava preparado. Já o instrumental soava, quando Fuse se encarregou de concluir a discussão...
“Eu também faço Graffs, mas é nas vossas cabeças... Assim com bisturis. É mais um caso de arte!”
Transcrito por Pedro Bernardino para H2T - www.h2tuga.net |