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H2T - Antes de mais, porquê OUTSIDE THE PYRAMID?
Rocky Marsiano - O título do 2º álbum deste meu projecto é muito directo. A palavra “outside” traduz o afastamento físico da Pirâmide (era o nome do edifício dos estúdios da Loop – nos quais o 1º álbum foi gravado) para outros ambientes criativos.
H2T - Fora da pirâmide, achas que Rocky Marsiano alargou ainda mais os horizontes?
Rocky Marsiano - Penso que os meus horizontes sempre foram largos. O que tem acontecido é que tenho gradualmente explorado esses mesmos horizontes do ponto de vista criativo.
H2T - Neste registo para além da fusão entre o Hip Hop e o Jazz, é perceptível um pouco de Electrónica, de Funk, e de algum ritmo brasileiro. Onde recolheste todas estas influências?
Rocky Marsiano - Algumas delas são influências directas da minha vivência pessoal no período entre o PYRAMID SESSIONS e o OUTSIDE THE PYRAMID, como é o caso da electrónica. Outras fazem parte da minha cultura musical. A minha mãe cresceu no Rio, logo, desde criança que a música brasileira faz parte da minha identidade cultural. Alguns destes temas foram feitos ainda antes do álbum de estreia mas por razões de enquadramento estilístico preferi esperar por este álbum para os incluir no alinhamento.
H2T - No meio de toda esta amálgama musical, o teu coração continua no Hip Hop? Será sempre a base?
Rocky Marsiano - O Hip Hop é a minha cultura. Não me refiro apenas ao aspecto musical. Esta cultura deu-me muito e está presente em tudo o que faço. Mesmo quando estou a trabalhar com outros géneros musicais, o Hip Hop está presente na maneira como abordo esse trabalho. É certamente a base da qual vem todo o resto.
H2T - Actualmente, vives em Amesterdão. Comparativamente com Portugal, como é vivida a cultura musical na Holanda?
Rocky Marsiano - É difícil comparar Portugal com qualquer país porque, no meu entender, a sociedade portuguesa continua fortemente marcada por fortes tabus ligados à história, o que o torna num país com uma identidade muito específica. Seria fácil dizer que na Holanda a cultura musical é mais vivida, que há mais diversidade ou que existem mais oportunidades mas é injusto fazê-lo porque, para mim, Portugal tem uma identidade cultural mais própria que a Holanda.
H2T - Achas que o teu trabalho tem sido bem visto pelos holandeses?
Rocky Marsiano - Sim. Toda a gente com quem tenho contactado e a quem mostro a minha música tem reagido de uma maneira muito positiva.
H2T - Um pormenor curioso é que as capas de ambos os álbuns do projecto Rocky Marsiano estão completamente em inglês. Isto deve-se ao facto de procurares um maior reconhecimento internacional?
Rocky Marsiano - Não. O “reconhecimento internacional” nunca fez parte dos meus planos. Já é suficientemente difícil ter reconhecimento em Portugal. O facto de o inglês ser a língua dominante tem a ver apenas com a estética.
H2T - Fala-nos um pouco dos músicos convidados para o OUTSIDE THE PYRAMID. Foram os mesmos que participaram em THE PYRAMID SESSIONS?
Rocky Marsiano - Neste álbum tive a oportunidade de poder contar com a preciosa colaboração de três músicos novos: o André Fernandes (guitarra), o DJ Ride (scratch) e o Joep van Rhijn (trompete). Também repeti algumas das colaborações do 1º álbum com o Rodrigo Amado (sax), o T One (guitarra) e a D_Fine (voz). O André e o DJ Ride têm tocado comigo ao vivo e a sua participação é mais que natural. Talvez a surpresa seja mesmo o trompetista Joep van Rhijn que conheci em Amesterdão um dia após a conclusão das misturas do álbum mas tive que voltar atrás porque valeu mesmo a pena o álbum contar com a sua presença.
H2T - Ultimamente tens te dedicado quase exclusivamente à produção e ao djing. Tens planos para regressar ao mcing?
Rocky Marsiano - Tenho muitas, muitas rimas escritas que tenciono partilhar num futuro próximo.
H2T - E um novo álbum dos Micro está fora de questão?
Rocky Marsiano - Estamos a trabalhar nisso. Tem sido difícil por causa das nossas vidas pessoais mas a vontade é mais forte que tudo.
H2T - Para finalizar, pretendes fazer apresentações ao vivo, do mesmo modo que fizeste para THE PYRAMID SESSIONS?
Rocky Marsiano - Sim, claro. Em Maio vou ter três concertos de apresentação: dia 15 no Lux, 23 no Porto e 24 em Aveiro. Os concertos são parte fundamental na vida de Rocky Marsiano. O contacto com o público passa completamente por aí e todo o percurso ao vivo feito até agora tem sido fantástico.
Por Daniela Ribeiro para IV Street e H2T - www.h2tuga.net
Fotos gentilmente cedidas pela Loop:Recordings |