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H2T - Não sei se repararam, mas a assistir ao showcase estavam famílias inteiras, desde crianças, jovens e adultos, até pessoal mais cota. Acham que os Mind Da Gap se tornaram um grupo inter-geracional, e mesmo intemporal?
Ace - Espero bem que sim, o que nós nos apercebemos como tu te pudeste aperceber também foi um bocado isso. É desde aquele “miúdito” que não sabe bem o que está acontecer, mas que se mexe mais do que aqueles que tinham obrigação de o fazer. É a presença de malta jovem claro. E depois são as pessoas até mais velhas que nós. Isto acontece porque a música é uma forma de expressão universal, e se toda a gente nos compreende e consegue “aturar” um showcase de meia hora dos Mind Da Gap, é motivo para estarmos orgulhosos claro.
H2T - Apesar da compilação reunir 10 anos de álbuns, os Mind Da Gap já contam com 15 anos de carreira. Em jeito de retrospectiva quais são os aspectos, positivos por um lado, e negativos pelo outro, que salientam?
Ace - De positivo é a nossa vontade de continuar, a nossa energia criativa permanecer quase inalterada desde o principio, termos vontade de fazer coisas novas e explorar a música – mais propriamente a linguagem RAP – para tentarmos fazer coisas diferentes e corresponder àquilo que nós próprios esperamos dos Mind Da Gap.
Os pontos negativos são vários mas acabaram sempre por funcionar para nós como pontos positivos, e talvez este também seja um outro elemento bom, o facto de termos sabido transformar pontos que poderiam ter sido negativos, em aspectos positivos, servindo quase como de alavanca. Encontrámos vários obstáculos desde o princípio, e alguns até continuamos a enfrentar, obstáculos esses de vária ordem.
Por exemplo, quando começámos não era nada como hoje em dia na rua, onde veres miúdos de calças largas e bonés tornou-se algo de banal. E até parece vulgar estar a falar nisto, mas é o reflexo de aspectos mais importantes. Quando nós andávamos na rua dessa maneira há 15 anos, era quase um insulto para as pessoas. Era o mesmo que veres um Punk – e nada contra os Punks, têm o mesmo direito que nós como é óbvio – mas as pessoas ficavam tão assustadas connosco de bonés e calças largas, como com um Punk com uma crista de 2 metros e brincos em todo o lado.
Além disso, o facto de sermos do Porto sempre nos dificultou chegarmos aos meios de comunicação social, e continua a ser difícil – estou a dar-vos uma entrevista numa loja em Cascais – nós é que sempre nos tivemos de movimentar até Lisboa para dar entrevistas, para estarmos mais próximos do meio. E eu acho que o facto de não sermos de Lisboa faz com que o próprio meio RAP não nos “veja”. Os rappers, bboys, writters, Dj’s, viam-nos e vêm-nos só quando vimos cá tocar, porque cada vez que surge a oportunidade, não vimos a Lisboa propriamente para sair e estar com o pessoal, e sim actuar.
E finalizando talvez o facto de se calhar sermos sempre honestos nas entrevistas e dizermos coisas que não são politicamente correctas.
H2T - Numa recente entrevista, referiram que a compilação servia para atingir os fãs mais recentes, bem como para ouvintes mais antigos. Sentem que a mudança de sonoridade, a evolução musical dos Mind Da Gap, criou uma certa divisão de público? O pessoal que ouviu o “Atiradores Furtivos” ou “Forças de Combate” é o mesmo do “Edição Ilimitada”?
Ace - Eu acho que o mais importante é não haver uma divisão dentro da própria banda, nós é que temos de resolver esse tipo de problemas enquanto grupo porque nós fazemos música de acordo com a nossa consciência, cultura, e conhecimento. Esta série de factores fazem de nós o que somos enquanto pessoas, o que se vai reflectir naquilo que somos enquanto músicos e que por sua vez se reflecte no público.
O que nos recusamos completamente a aceitar é que tenhamos de parar no tempo ou de continuar a fazer o “Forças de Combate” ou o “Atiradores Furtivos” para que as pessoas que gostavam de nós nessa altura continuem a gostar. Nós temos de ser verdadeiros é connosco acima de tudo.
Voltando à pergunta anterior, esse foi outro dos obstáculos que sentimos, porque sentíamos que o público fiel dos Mind Da Gap no “Sem Cerimónias” nos queria agarrar àquilo que fizemos nesse álbum. Mas o caminho é para a frente, não é para trás. Nós criámos aquela sonoridade, mas não fizemos nada propositado para que o “Suspeitos do Costume” fosse diferente, ou o “Edição Ilimitada”. São coisas que inconscientemente vamos sentido e absorvendo. A necessidade que temos em criar encaminha-nos para um certo percurso, não estamos a pensar se os gajos do “Sem Cerimónias” não vão curtir disto…
H2T - … a evolução deu-se em primeiro lugar ao nível da produção?
Ace - Sim acaba por ser em primeiro lugar uma evolução ao nível da produção porque é a base das músicas, a produção define o ambiente sobre aquilo que vamos escrever, mas a produção não nos é imposta. De 50 instrumentais que o Serial faz nós escolhemos uma série de faixas para escrever…

H2T - … o vosso processo criativo é primeiro escolher o beat e depois escrever em função do mesmo?
Ace – Sim, normalmente. Por exemplo, agora nem tanto, mas no princípio quando tínhamos várias letras escritas pedíamos um beat ao Serial mais de uma certa forma e ele fazia. Mas nos últimos tempos tem sido muito mais partirmos das bases instrumentais para decidir um tema, e depois de decidirmos o tema, discutir a estrutura da música, quantas rimas eu escrevo ou quantas rimas o Presto escreve…
Presto – Voltando só à história do que fizemos e não nos agarrarmos a isso, também não voltamos a fazer um outro “Bazamos ou Ficamos”. Também nos podíamos ter agarrado a essa fórmula e fazer músicas desse estilo, até porque foi a música que teve mais sucesso dos Mind Da Gap, portanto o critério é o mesmo.
Serial – A cena também é essa, nós não temos fórmulas, nós trabalhamos por instinto.
H2T - No inicio vocês foram influenciados por outros artistas, nomeadamente norte-americanos. Sentem-se agora como referências e mesmo influenciadores de novos emcees nacionais?
Ace - Eu gosto pensar que sim. Infelizmente não temos muito feedback sobre se isso corresponde à verdade ou não. Hoje em dia há muito poucas pessoas no RAP que têm a humildade ou a sinceridade para nos dizer. Já ouvimos isso da boca de alguns rappers nacionais, que estão mais “Up” – para usar um termo do Graffiti – e isso deixa-nos com muito orgulho.
O Valete ainda há pouco tempo fez-nos um elogio muito grande no seu blog e acho que é preciso muita coragem para alguém como ele, que tem uma série de fãs, milhares de visitas no myspace, que é um gajo que está mesmo actual, digamos assim, arriscar apoiar os Mind Da Gap. Neste caso, apoiou a minha Mixtape, e saber – e não acredito que ele não soubesse – que havia algumas pessoas que poderiam eventualmente não achar muito bem esse apoio é de louvar que o tenho dado mesmo assim.
E quem diz o Valete, diz o Sir Scratch que pediu beats ao Serial para o álbum dele e até falámos em fazer uma participação.
Gosto de pensar que sim, que influenciámos, porque durante alguns anos marcámos uma posição enquanto defensores do movimento, havia poucas pessoas com a nossa expressão, com uma editora, com cartazes colados nas ruas, a dar concertos, a passar na rádio, e houve poucas pessoas a conseguir fazê-lo.
Depois do suposto boom do Rapública, as editoras cagaram todas para o RAP, mas nós tivemos a sorte de ter uma editora que durante alguns anos, mesmo sem ver grandes lucros daquilo que nós fazíamos, acreditou que tínhamos um projecto para andar e não era só aquela cena de ver o que ia dar.
Acabámos por retribuir essa aposta em nós quando o “Suspeitos do Costume” vendeu 10 mil discos, o que foi uma surpresa enorme, e não foi vender 10 mil discos numa semana como agora é recorrente. Nós andámos não sei quantos anos em concertos, a falar com o público, a trabalhar a sério, e eu acho que conquistámos muitos fãs dessa forma.
Mas respondendo à tua pergunta, acho que sim, que influenciámos, mas também não é importante para nós dizer: “Ah estes putos não eram nada sem os Mind Da Gap”. Todos nós temos a nossa missão na vida, e a música que ouvimos e as imagens que vemos ajudam-nos a atingir essa missão, mais facilmente ou mais dificilmente. Gosto de pensar que este papel que nos foi dado a desempenhar durante estes anos tenha feito com que haja pessoas que se tenham apoiado em nós; pessoas que ao ouvir a nossa música se tenham inspirado e tenham ganho coragem para se aventurarem em projectos. Mas isso também não é algo que andemos para aí a apregoar, porque se não fossemos nós se calhar passado alguns anos iam ser outros gajos quaisquer.
H2T - Pegando nessa deixa, estão atentos ao movimento HipHop no Grande Porto, sejam novos rappers ou projectos? Encontram explicação para que, depois de Mind Da Gap e Dealema, não ter surgido mais nenhuma grande referência nessa zona?
Ace - Se calhar porque na altura quando o HipHop rebentou no Porto, houve muita gente que se agarrou à cena porque achou muita piada, mas tal como nós na altura eram putos e não vendo as coisas a desenvolver se calhar perderam a vontade. Eu sei por aquilo que me é dado ver, que em Lisboa há muitos mais projectos, mas não te sei dizer porquê. Talvez tenha passado pelo esmorecer e também muitas pessoas que não tiveram a força que nós tivemos para ultrapassar todos os obstáculos que falei há bocado. Aqui em Lisboa é mais fácil porque estás perto de tudo, a nível de comunicação social e estás mais em contacto com as pessoas certas. No Porto tens de fazer telefonemas, mandar cartas, batalhar muito mais.
Não sei se também tem a ver com o facto de terem fechado vários espaços nocturnos, tipo o Hard Club que fazia festas todos os meses, e antes do Hard Club o Comics, que foi o sitio onde eu e o Serial começámos a passar som e a fazermos festas. Conseguimos de certa forma aglutinar um círculo de pessoas que criou aquilo que viria a ser ou poderia ter sido um grande movimento no Porto. Mas eu acho que foi isso, as pessoas terem desacreditado. Nós no Porto continuamos a estar praticamente ligados aos Dealema, mas eu sei que há cenas que saem, sei que a Matarroa lança discos…
H2T - … a Matarroa que curiosamente, sendo uma editora do Porto, lança até mais artistas de outras zonas…
Ace - Pois, e isso é sintomático, põe-te a pensar… Mas pronto, nós no Porto estamos ligados aos Dealema, e não querendo estar a ser mauzinho não estou a ver mais ninguém…
Presto - O Berna…. o Porte….
Ace – O Berna sim, mas também…o Porte ya, que é um artista de futuro… Eu acho é que entretanto toda a gente arranjou uma vida, sabes. Tens de trabalhar, tens de ganhar dinheiro. E também não tendo possibilidade de te afirmares, de dares concertos e ganhares algum, não é com a venda dos CD’s que sobrevives na música. Por isso acho que as pessoas acabaram um pouco por baixar os braços. Nós às vezes também passamos por fases em que só nos apetece mandar tudo p’ró caralho e a verdade é mesmo essa, é tudo um bocado ingrato.
H2T - Vocês estão ligados a uma editora Major, ou pelo menos mais “Major” que as do Rap nacional. Esse facto, e mesmo o vosso estatuto no HipHop português, explica o vosso distanciamento do movimento e dos restantes rappers, e por sua vez uma aproximação a músicos num contexto mais geral, como por exemplo esta recente participação com a Kika Santos, no tema “Dar o Máximo”?
Ace - Eu acho que é mais o nosso gosto pessoal que dita isso, não tem muito a ver com o facto da editora ser Major, porque as participações que nós temos, tirando um ou outro caso mais pontual, não são pagas, as pessoas participam por simpatia connosco.
Por exemplo, a Kika quando nós a convidamos para participar fizemo-lo porque achámos que a música precisava de uma voz feminina. Pensámos na Carla Moreira que é a voz do “Dedicatória”, mas depois achámos que como esse tema também está no “Matéria Prima” era um bocado “chover no molhado”. Tinha piada talvez pela cena do “come back”, mas depois lembramo-nos de convidar a Kika, que se cruzou connosco nos primórdios há 14 ou 15 anos, quando ela tinha as Blackout, que não sendo um grupo de RAP tinha uma linguagem aproximada, e eu sei que ela estava ligada por amizade com alguns rappers como o Boss AC.
Chegámos a cruzarmo-nos com ela em alguns concertos no Porto e surgiu daí o convite. Ela até ficou surpreendida, como nós ficamos surpreendidos por ela ter ficado surpreendida, mas gostou da ideia, disse que adorava Mind Da Gap, ficou mesmo contente por nos termos lembrado dela.
Agora relativamente ao nosso distanciamento de rappers também é um pouco por uma questão de gosto pessoal…
H2T - … ou o distanciamento dos rappers em relação aos Mind Da Gap…
Ace – Também acontece, se calhar também é isso, até porque se pensares ao contrário, porque é que nenhum desses rappers nos convida para participações? Pois...

H2T - Agora numa perspectiva mais geral, como vêem o futuro da musica nacional no que diz respeito à questão da pirataria e como isso afecta os artistas? E tendo isso em consideração, nunca pensaram em ter uma editora própria?
Ace - A cena da editora acho que é ainda mais ingrato que ter um grupo, tal como disseste por causa da situação da pirataria. Nós aqui somos levados quase a ter uma duplicidade de opiniões, porque somos público e somos músicos, somos fãs de música e somos artistas, e eu enquanto público acho que a cena da Internet e dos downloads é uma completa revolução, uma revolução muito mais forte do que as que se fizeram no mundo.
Porque o povo – isto com muitas aspas – tem acesso a uma série de coisas que não tinha se tivesse de ir comprar e nós como público também achamos que os CD’s estão caríssimos. Enquanto compradores de música também achamos que é um escândalo que a cultura, regra geral, seja tão cara. Mas isso já acho que faz parte de manobras por parte do poder e do sistema para manter as pessoas ignorantes porque é mais fácil comer-lhes a cabeça assim. Se as pessoas estiverem tristes e não ouvirem música para se animar é muito mais fácil que digam sim a tudo o que é implementado, e se não tiverem cultura para argumentar as coisas que lhe são ditas acontece o mesmo…
H2T - … mas vocês como artistas sentem-se confortáveis com um puto que ao invés de ir comprar o vosso álbum à FNAC, saque a vossa discografia completa e coloque em partilha na Internet?
Ace – Para te ser absolutamente honesto é me indiferente, eu quero é que toda a gente ouça a minha música, e esse é o meio para que isso aconteça, é na partilha, nos downloads.
Mas por outro lado, os gajos que nos convidam para dar concertos, regem-se pelo TOP+ ou pela quantidade de vezes que a música passa na Antena 3, ou que aparecemos nas revistas.
O Barómetro desses gajos que nos contratam para dar concertos são as vendas e a notoriedade. Se nós não vendemos CD’s e não aparecemos, caímos no esquecimento e aí isso já nos prejudica enquanto músicos.
Eu pessoalmente não faço downloads, mas passam-me CD’s gravados, a maior parte das coisas são de RAP americano, que também vão quase todas para a reciclagem porque da maneira como o RAP lá anda hoje em dia, há muito poucas coisas que ficam e as que ficam e que eu gosto mesmo, vou comprar.
E compro porque acho que se ao mesmo tempo se faz a cena da revolução e se passa a música para ela chegar a mais público, por outro lado também se devia fomentar o pensamento de que, quem tem qualidade deve ser apoiado. Se gostam realmente dos grupos, vocês público têm de ajudar comprando os álbuns. Por exemplo, a cena dos Radiohead que não tem nada a ver com RAP, meteram o CD à venda com um preço variável consoante o dinheiro que as pessoas quisessem dar por ele, e ganharam muito mais dinheiro com essa manobra do que com todos os álbuns que lançaram até agora, e lançaram bastantes. Isso mostra que o público deles não quer que parem de fazer música.
Assim, se por um lado acho fantástico a cena da revolução da informação livre, por outro lado, enquanto músico, acho que deveria haver um equilíbrio, e um bom senso das pessoas para perceberem que não pode haver ganância de sacar tudo, até porque na realidade quem o faz acaba por não ouvir quase nada. Depois gajos como nós que precisam de dinheiro para pagar as contas do dia a dia, podem ter de deixar de fazer música…
Presto – Eu aqui discordo em alguns pontos. Eu acho o download inevitável, e penso que não é algo do futuro, é algo do presente, já acontece. O pessoal mais novo já não quer CD’s para nada, já ouvem as musicas do Mp3 ou do telemóvel…
H2T -... achas que se vai dar então continuidade à evolução natural, que já vem desde o Vinil, passando pela k7, depois o CD e agora o formato Mp3 …?
Presto - O CD vai acabar, vai-se tornar obsoleto, o vinil vai existir sempre porque vai continuar como uma peça de coleccionador. E realmente o futuro, o futuro não o presente, é o Mp3, é uma coisa muito mais prática. Se podem ter música em casa de graça, para que é que as pessoas vão à loja comprar ou querem ter em casa um monte de caixas de plástico?
Agora, isto é um problema das editoras, não é dos músicos. Os músicos estão a sofrer porque as editoras não conseguem resolver este problema, ainda não conseguiram arranjar uma fórmula de comercializar a música.
Mesmo o iTunes não funciona muito bem porque se tens a musica de graça para que é que a vais comprar? É uma minoria que a compra. Os músicos vão continuar a existir, nós vamos continuar sempre a fazer música, mas está tudo a mudar e não sei muito bem o que vai acontecer para que os músicos continuem a fazer a sua arte e a sobreviver dela.
Serial – E mesmo em termos sonoros a fasquia vai ser cada vez mais baixa, porque um gajo ouvir música no telemóvel, com que sentido é que o artista vai comprar material fixe para produzir boa música? Não há lógica nenhuma nisso. Eu acho que por um lado vais é começar a ver cada vez mais porcaria sonora, vais comprar uma grande aparelhagem com que finalidade? Se curtes bom som, esquece. Só vês é putos com música no telemóvel, eles não devem ouvir musica em casa de certeza, nem estão para se dar ao trabalho, as pessoas também não estão para se dar ao trabalho.
Presto – No fundo é isso, a tecnologia também vai evoluindo e qualquer dia vês telemóveis que são autênticos PA’s, que são aparelhagens, é para aí que caminhamos.
H2T - Focando agora atenções nos lançamentos a solo. O Ace já teve o Intensamente, o Serial o Brilhantes Diamantes. Para quando um projecto a solo do Presto?
Presto - Já me têm feito essa pergunta algumas vezes, e eu fico contente é um elogio para mim…e a resposta é…não sei. (risos) Não tinha vontade nenhuma de fazer uma cena a solo até muito recentemente, mas ultimamente tenho começado a pensar nisso mais a sério, mas vai ter de ser quando surgir essa oportunidade. Os discos deles (Ace e Serial) também surgiram quando houve oportunidade e para já a prioridade é Mind Da Gap…
H2T - … e em relação aos restantes elementos, há algo a solo em perspectiva…?
Ace – Da minha parte há, já estive a pensar, já tenho temas trabalhados, existem alguns beats e algumas rimas. Ainda não tenho nenhuma gravação final, mas tenho uma ou duas faixas gravadas só por experiência. De qualquer forma, estou a pensar até ao fim do ano lançar o álbum.
H2T - E vai ser na mesma linha do Intensamente ou algo diferente…?
Ace - Pode-se dizer que vai seguir a mesma linha do Intensamente, mas um bocado melhor (Risos).
H2T - E no que diz respeito a esta compilação “Matéria Prima”, falem-nos um pouco sobre a escolha dos temas, o porquê de reaproveitarem um som que era para ter saído no “Suspeitos do Costume” e não saiu, e os outros dois originais.
Serial – Nós fizemos uma primeira triagem, cada um de nós escolheu uma série de temas, aqueles que mais gostávamos, e estes foram entregues à editora que fez o equilíbrio e o melhor line up possível para o disco. O som “Se Assim For” que estava gravado para o “Suspeitos do Costume” já não sei se não saiu por falta de espaço físico no álbum, ou se não saiu porque achámos que não se enquadrava no espírito do CD. Temos depois estas duas músicas novas, que nos deram muito gozo em fazer, o “Não Tenhas Medo” e o “Dar o Máximo” com a Kika, temas que penso terem resultado muito bem.
H2T - Mais de 10 anos depois do “Dedicatória”, e olhando todo este vosso percurso, o que viveram, aprenderam e passaram com e no movimento, se voltassem a fazer uma nova analogia ao HipHop como seria?
Ace – A minha parte da letra é a pegar na cena automobilística, e eu como continuo a ser fanático por carros e provavelmente vou continuar a ser, se tivesse de fazer pegava outra vez por aí. É óbvio que apesar de algumas coisas nesse tema já estarem ultrapassadas, a homenagem continua a ser completamente merecida e claro que cada um de nós continua apaixonadíssimo pelo HipHop. Apesar de aqui ou ali termos algumas desilusões, não com o HipHop em si mas com alguns praticantes, principalmente norte-americanos, o amor pelo movimento continua o mesmo de sempre.
H2T – Para finalizar, o que podemos então esperar dos Mind Da Gap para 2008?
Ace - Eu gostava muito que continuássemos “na estrada” a dar concertos, porque gostamos mesmo é de espalhar e mostrar a nossa música às pessoas e perceber que gostam dos Mind Da Gap, sentir que lhes provocamos emoções.
Em relação a novo álbum de originais, vai ter de esperar, porque como também estou a preparar o meu álbum a solo não faz muito sentido estarmos a canibalizarmo-nos uns aos outros. Também temos andado ocupadíssimos a dar entrevistas e percorrer as FNACS, filmar o vídeo do tema “Dar o Máximo”, por isso não tivemos tempo para respirar desde que o “Matéria Prima” saiu. Mas quando acalmar um bocado esta excitação toda da promoção mediática, temos de nos sentar, ver os beats que o Serial já nos enviou, e ver se faz se sentido começar já a trabalhar em alguma coisa. Pelo menos os instrumentais, que são as sementes por assim dizer, já estão entregues, já estão na terra agora é uma questão de tempo.
Por Ivo Alves e Rute Silva para H2T - www.h2tuga.net |