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H2T - O teu nome surgiu devido à tua origem ou é algo que gostes?
Karabinieri – O meu nome veio da minha origem italiana e o nome também me agrada. Queria ter algo que me ligasse a Itália e então ficou Karabinieri.
H2T - Há quanto tempo estás ligado ao movimento?
Karabinieri – Desde 2000, mais propriamente finais desse ano.
H2T - Quando contactaste pela primeira vez com o HipHop, o que te atraiu mais?
Karabinieri – O que me atraiu mais foi a liberdade de expressão! A forma como os mc’s se exprimem nos instrumentais. O meu primeiro contacto com o hip hop foi através de videoclips na tv.
H2T - Quais as tuas maiores influências a nível nacional e internacional?
Karabinieri – Influências... vai desde Mind da Gap, Dealema, Wu-Tang, NTM, Beastie Boys...
H2T - Quando cantas qual é a mensagem que pretendes transmitir aos teus ouvintes?
Karabinieri – Uma mensagem pura, directa, sincera e trazer algo de novo, inovador.
H2T - O que sentes quando pisas um palco pela primeira vez ou voltas a um sitio onde já actuaste?
Karabinieri – Sinto nervos, ansiedade e um bocado de receio do público.
H2T - O que achas que Portugal deveria mudar em termos de atitude a nível musical?
Karabinieri – Principalmente haver mais editoras que apostem em projectos novos e não em conteúdo que “já deu o que tinha a dar” só porque têm nome. E o pessoal devia deixar de ser tão fechado relativamente ao produto nacional e não se basear nas cenas que vê na mtv, 50 cent e mais outros. O rap não é isso, precisam de abrir os horizontes, mais mc’s a fazerem as cenas que sentem, e não pensando se aquele ou o outro irão gostar.
H2T - E qual é a maior diferença entre o HipHop em Portugal e o HipHop no teu país de origem?
Karabinieri – A diferença é que lá, em Itália, eles fazem tudo com mais cuidado, sem pressas, quando lançam álbuns pode demorar 5 anos para sair, mas lançam uma cena em condições. Cá em Portugal já não se vê isso, há muitos grupos a fazerem álbuns em 5 meses e depois chega cá e ninguém os ouve.
H2T - Para além da vertente de mc, nunca experimentaste conciliar outra vertente?
Karabinieri – Eu já tive essa vida. Já estive a fazer graffiti e rimava ao mesmo tempo, só que não conseguia conciliar as duas, ou saía uma delas perfeita, ou saíam as duas mal. Então decidi agarrar-me à vertente de mc, visto que não me saí tão bem na outra vertente.
H2T - Ouvi dizer que vais lançar álbum. Qual o tema predominante?
Karabinieri – O álbum vai chamar-se “Recortes” e é basicamente isso, cada som é uma imagem da minha vida e conta com as participações de: Sky, Dez, Splinter, Kilombo, as produções ficaram a cargo de Speh, DarkSunn e o resto é por mim.Todos os dias o álbum tem sofrido alterações, mas até hoje é isso que acabei de assinalar.
H2T - Qual é o público-alvo dos teus trabalhos?
Karabinieri – Para mim, o público-alvo é todo! Novos, velhos, doentes, anões, toda a gente, quem quiser que oiça. Muito pessoal da dita velha escola evita ouvir rap novo que aparece e eu não percebo porquê, mas não vou entrar por aí. Resumindo, eu faço HipHop para todos e não para uma minoria.
H2T - Projectos para o futuro, tens?
Karabinieri – Depois do meu álbum sair, vou me empenhar num projecto com a Sky. Penso mais tarde lançar um projecto com o objectivo de apostar em novos mc’s, pois é principalmente isso que faz falta no rap Português.
H2T - Tens algum conselho útil para dar a esses novos mc’s?
Karabinieri – Não desistam! Não se deixem afectar pelo pessoal mais velho, que só quer mandar o pessoal novo abaixo, não deixem de acreditar. Façam tudo com cuidado, sem pressas porque senão sai tudo mal. O melhor é fazer tudo com calma.
Por Carlos Soares para H2T - www.h2tuga.net (fotografia cedida por Karabinieri) |