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Da explosão à "Implosão Urbana"
4 de Junho de 2005 foi noite de inauguração para "Implosão Urbana", a exposição de Graffiti produzida pelo writer Dheo que envaideceu o Hartes-Bar, em Vila Nova de Gaia, até final do mesmo mês. Um veículo pintado à entrada do Bar, diversos trabalhos em telas, projectos, stencil, vários elementos decorativos alusivos à arte de rua, ou a exibição de um DVD com o percurso de Dheo no graffiti foram alguns pontos base desta pequena amostra de trabalho. E o writer corresponde na partilha de talento, mostrando a forma inteligente como sempre contribuiu para a postura mais criativa, espontânea e interactiva do graffiti português.
Da explosão de rua para a "Implosão Urbana" eis o resultado: mais de 250 pessoas presentes na noite de estreia, grande agitação de olhares e muitos elogios a demonstrar que afinal o interesse por esta arte existe e tem bagagem flexivel para explorar infinitas oportunidades.
Para sempre recordar, fica o registo desta iniciativa pelas palavras de Dheo. |
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- A ideia da exposição
Dheo - A exposição surgiu através de um convite que me foi feito pelos proprietários do Hartes-Bar. Para além de ser uma hipótese de mostrar o meu trabalho, o que mais me motivou a aceitar o convite foi a oportunidade de provar que o graffiti pode ser exposto num outro ambiente que não a rua. Julgo que provavelmente as obras que se encontram no ambiente urbano passam despercebidas aos olhos de muita gente, e quando expostas numa galeria ou num bar (como foi o caso), ganham outra visibilidade e isso permite que não passem despercebidas. Não significa que o trabalho seja valorizado, o que no meu caso pessoal não me preocupa, mas pelo menos acho que as pessoas vão perceber um pouco aquilo que um artista de rua pensa, e vão ser levadas a reflectir.

- O título "Implosão Urbana"
Dheo - O título que lhe atribuí parte um pouco dessa ideia. No fundo procurei fundir todas as vertentes que pratico na rua e canalizar obras que realizei um pouco por todo o país num só local, num só espaço de tempo. A "explosão urbana" que realizei durante estes últimos 5 anos transformou-se numa "implosão urbana".
- Sobre os trabalhos expostos
Dheo - Os trabalhos que expus, na maioria, resultaram de um momento específico, de um sentimento específico. Procuro trabalhar as ideias que tenho, sem grandes rodeios, sem grandes preocupações. A exposição baseou-se num trabalho quase com as primeiras ideias que me surgiram.

- A escolha / trabalhos predilectos
Dheo - Uma das minhas principais características é uma auto-crítica constante relativamente ao meu trabalho. Não acho que isso seja positivo, mas também não acho que seja negativo, porque me obriga sempre a tentar aprender, evoluir e procurar melhorar de dia para dia.
Daí não poder considerar alguma obra que tenha feito até hoje como especial pelo trabalho em si. O factor "especial" deriva dos momentos em que realizei determinadas pinturas. Ou seja, se calhar existe um ou outro trabalho que para mim se torna especial porque quando o realizei tive a oportunidade de confraternizar e de sentir uma entre-ajuda e um ambiente fantástico com outros writers. Julgo que os grandes hall of fames, meetings, jams ou mesmo concursos são ideais para esse tipo de sentimento.
- Ensinar e aprender
Dheo - Acho que nunca nos devemos esquecer que os "kings", como muitos provavelmente se consideram, são apenas aqueles que começaram, aqueles que chegaram antes de muitos dos writers que estão activos nos dias de hoje, aqueles que criaram e desenvolveram as técnicas e os estilos que hoje em dia estão presentes um pouco por todo o mundo.
E também não nos devemos esquecer que os "toys" representam aquilo que todos começamos por ser. Antes de os ignorarmos e criticarmos, devemos pensar em apoiá-los e motivá-los, porque no meu ponto de vista é isso que o graffiti e a cultura hiphop em geral representa.

- O graffiti é...
Dheo - O graffiti é, hoje em dia, um modo de vida. É algo que está presente no meu pensamento e no meu coração no dia-a-dia. É algo que defendo, é algo por que luto e algo que me dá um prazer único. É algo que por momentos me faz esquecer tudo, algo que surge como um escape á rotina e aos obstáculos que temos de enfrentar na vida. Para além de tudo isso, é algo que me permitiu evoluir como artista, mas sobretudo como pessoa. Recordo-me de começar a pintar sozinho, sem bases, sem grandes motivações, e hoje felizmente tenho influências enormes, amizades enormes e desfruto de momentos absolutamente incríveis.
- Na despedida
Dheo - Um grande abraço a todas as crews e writers portugueses e a quem apoia esta arte.
Por Sofia Meireles para H2T - www.h2tuga.net (fotografias retiradas de www.fotolog.net/dheo) |