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- O que vos levou a enredar por um projecto paralelo a Movimento Clandestino?
Suarez – Infelizmente, devido ás dificuldades que a vida nos proporcionou, fomos separados pelo destino. Alguns dos elementos afastaram-se, por razões pessoais outros por razões profissionais.
Entretanto Eu e o Pika continuamos a produzir alguns temas, e decidimos formar um projecto para não perdermos o “apetite”.
Pika – A vida prega-nos imensas partidas, e a separação de movimento foi uma delas. A nossa vida continua, tal como a deles, e temos esperança a longo prazo de mandar cá para fora mais trabalhos de movimento.
- Qual a continuidade que prevêem para este projecto?
Suarez – De início, nem pensava que iria ser editado, mas hoje posso dizer que vamos ter um longo percurso.
Pika – O meu pensamento, e espero que o do Suarez também assim seja, é de continuar o projecto a tempo inteiro sem seguir interesses monetários, embora sabendo que o caminho é longo e cada vez mais vão aparecendo novos valores, e os que cá andam nem vale a pena falar! A fasquia aumenta e há que continuar a lutar para alcançar o objectivo.
- Porquê o nome Projecto De Surra?
PDS – O nome surgiu tal como apareceu o projecto…de surra. [risos]
- Porque optaram por editar um EP, ao invés de um álbum?
Suarez – A ideia foi minha, pois estes temas do EP já são bem antigos e foram gravados com uma qualidade inferior àquela que hoje possuímos. Então eu pensei “Não vamos misturar estes temas nas faixas novas, mas também não os vamos jogar fora” e decidimos lançar um E.P. como forma de Promoção.
Isto não quer dizer que não exista nenhuma faixa remisturada no futuro álbum de PDS.
Pika – Tranquilo! Nós somos alentejanos e no Alentejo trabalha-se devagar! [risos]
- Querendo realçar um pouco a faixa número 5 do vosso EP, falem-nos um pouco do processo de formação do tema “Descanso dos Soldados”, desde a criação da música, à participação, focando também aquilo que nela retratam.
Suarez – Foi tudo muito simples [risos]. Isto é, o MCM surge no covil e produziu aquele instrumental fabuloso e como foi na altura em que movimento clandestino se estava a “separar” nós decidimos reflectir sobre isso e surgiu tudo de uma forma muito natural.
A Dora é uma amiga nossa e decidimos fazer uma “brincadeira”, levámo-la á “toca” e ela em 20 minutos encaixou o refrão, gostámos do produto final e editámos o tema.
- Desde o CD de Movimento Clandestino até hoje, quais acham que foram as principais evoluções em vocês enquanto músicos?
Suarez – Falando por mim, acho que amadureci e enriqueci imenso a nível lírical. A maneira de compor as letras é muito natural, comigo sempre foi assim, mas mesmo assim sinto que à medida que o tempo passa existe outra visão e outra maturidade, não dizendo que as atitudes e os comportamentos se alteram.
Comecei também a explorar mais a produção e neste momento sou o produtor de serviço de PDS.
Pika – Maior maturidade a nível de escrita não fugindo á minha experiência de vida. E uma evolução de flow à base de muito trabalho de casa, pois nada cai do céu!
- E no que toca a meios, quais foram as principais evoluções?
Suarez – Os beats do E.P. foram produzidos em pc, mas neste momento já estamos a trabalhar com o MPC 2000 xl.
Felizmente já reunimos outro tipo de condições, pois temos um mic. de estúdio, um Mpc, uma Groove e uma imaginação ilimitável para continuarmos a produzir.
Mas estes frutos só irão ser recolhidos no Álbum de PDS.
- Descrevam-nos um pouco do estado de saúde do Hiphop no Alentejo.
Suarez – É assim, há quem diga que no Alentejo é só velhos de cajado, mas eu não concordo. Não posso dizer que está de boa saúde mas também não está doente [risos]
Pika – Está a crescer lentamente, estão a aparecer de surra novos valores em todas as vertentes.
- Como surgiu a ideia do “Covil Produções”? Quais são e foram as principais dificuldades que têm e tiveram para idealizar e realizar este projecto?
Suarez – Quando saiu o álbum de Movimento Clandestino, surgiu um nome para o nosso “HomeStudio”, que foi “Covil”.Foi uma espécie de brincadeira, mas à medida que o tempo foi passando as ideias começaram a amadurecer. Entretanto as intenções do nome “Covil” foram alteradas, pois decidimos “formalizar” e criar algo mais profissional.
Sempre gostámos de organizar iniciativas e eventos, depois de termos conseguido realizar o “Dia da Implementação”, ficámos mais confiantes e decidimos avançar com o projecto, “Covil Produções”.
As maiores dificuldades são o facto de estarmos sozinhos num “enorme oceano” onde o “peixe graúdo” come a comida de todo o “peixe pequeno”.
- Expliquem-nos um pouco o modo de funcionamento do “Covil Produções”.
Suarez – É assim, o “Covil”, é uma “produtora/Editora” que realiza eventos de hiphop. Mas, ao mesmo tempo, tem a capacidade de produzir projectos musicais somente relacionados com Rap. Uma vez que estão reunidas as capacidades para a produção de um trabalho musical aproveitamo-las.
Uma das funções do “Covil” é a produção de eventos, esses, por sua vez, tem somente um objectivo, dar as condições necessárias e merecidas aos praticantes e apoiantes desta cultura.
Outro dos pontos fortes desta organização é a gravação de projectos musicais, pois foi criado um “estúdio” de gravação com o objectivo de gravar maquetas e/ou Álbuns de RAP.
- Que projectos podem anunciar para breve?
Suarez – Neste momento temos uma compilação com muitos mc´s do Alentejo quase pronta para sair. Temos também um grande projecto, de um evento, em mãos, mas também não podemos desvendar [risos].
- Mensagem final...
PDS – Queríamos dizer, a todos os militantes e apoiantes desta magnifica cultura, que se mantenham atentos, evitem os monopólios, façam as vossas próprias escolhas e procurem…. Pois existe muita coisa boa escondida por aí.
Não se esqueçam também de comprar o original, pois custa muito lançar um trabalho.
Evitem estrilhos nas festas, pois esses pequenos eventos são difíceis de realizar. Existem algumas portas míticas que já se fecharam, e cabe-nos evitar que isso aconteça.
Apoiem o produto nacional!
Por Rui Meireles para H2T - www.h2tuga.net e revista HipHop Nation |