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- Fala-nos um pouco do teu percurso no Hiphop até aos dias de hoje.
Borga - Eu entrei mais na onda do Hiphop nos tempos em que estive na Alemanha a trabalhar, emigrei com 19 anos e tive o prazer de lá conhecer o Edgar (a.k.a. Ruff) que estava a tirar o curso de engenharia de som e que tinha um estúdio montado em casa. Comecei a treinar as primeiras rimas com ele, isto em 97, e a partir daí foi sempre a trabalhar. Fiz uma primeira maqueta e vim cá a Portugal distribuir por várias editoras. Entretanto não obtive nenhuma proposta que me fizesse sentir realizado, mas não desisti, continuei a melhorar o meu material, a fazer cenas novas até que a Edel decidiu apostar no meu projecto.
- Então podemos dizer que este CD é o culminar do teu processo evolutivo como MC, e daí o nome “Evolution”?
Borga - Exactamente, nunca parei de trabalhar no CD, e só agora é que acho que tenho material suficientemente bom para arriscar lançá-lo para o mercado. O nome “Evolution” também tem a ver com o carro, “tripo largo” com esse carro! (risos)
- Ainda acerca dos tempos em que estiveste na Alemanha... conta-nos mais pormenorizadamente como é que tudo começou.
Borga - Como disse à pouco, conheci o Edgar, que começou a convencer-me a ir ao estúdio dele, porque como eu sou de Chelas, ele achava que eu tinha um feeling especial. Finalmente fui lá, e começámos a brincar numa de freestyle, depois pediram para escrever umas rimas, e logo aí saiu música, meio careta mas fizemos música (ainda a tenho guardada lá por casa). Achámos que era um projecto com pernas para andar e continuámos a trabalhar, o Edgar tratava das produções e eu das rimas. Ele ajudou-me imenso e só lhe tenho a agradecer, este CD tem muito dele.
- O que é que este Cd representa para ti?
Borga - Este CD para mim representa o Hiphop com ritmo, com muito ritmo e alegria... talvez um bocado diferente do que Portugal está habituado. Embora tenha uns sons underground, é um CD muito comercial, no sentido de ser mais para cima, mais para o pessoal curtir. E atenção, estou a dizer diferente, não estou a dizer que é melhor ou pior que outros estilos, cada um tem o seu estilo e eu não estou cá para criticar ninguém, eu sou é a favor do Hiphop.
- Qual vai ser o single? Fala-nos um pouco sobre o tema em si e sobre o respectivo vídeo-clip.
Borga - O single vai ser o “Luso-Pantera productions”, é uma música com muito ritmo e boa onda. O videoclip já está pronto, o conceito baseia-se em misturar o underground e comercial. No vídeo aparece muito pessoal a curtir, e tivemos o apoio do Zé Carlos dos 12 Macacos e do Snake que fazem lá uma pequena participação a dançar.
– Falando em Luso-Pantera, esse é um projecto ao qual estás associado? Em que é que consiste?
Borga - A Luso-Pantera é um estúdio que faz produções a várias pessoas na Alemanha, aqui em Portugal ainda não trabalha com ninguém, eu sou apenas um MC que tive o prazer de trabalhar com o Edgar, que é o dono. Faço as minhas letras, ele apresentam-me os beats, eu dou as minhas dicas e fazemos as cenas em conjunto. Em relação ao meu CD, como nos conhecemos na Alemanha, e o projecto foi feito pelos dois, combinámos que quando editarmos o CD será a dividir pelos dois. Mas a Luso-Pantera é dele, eu só o quero ajudar, ele deu-me a mão quando precisei e agora quero retribuir. Ele quer vir para Portugal, portanto tudo o que eu puder fazer para trazer a Luso-Pantera parar Portugal vou fazer.
– Este teu CD levanta um pouco a velha questão underground vs comercial, não te parece?
Borga - Na minha opinião não tem nada de versus, não tem nada de um contra o outro porque não deixa de ser Hiphop. Eu tentei juntar as duas cenas, eu gosto muito do underground mas também quero ver se vendo bastante o meu CD, porque depois de tantos anos de investimento a nível pessoal quero ver esse trabalho recompensado.
– Como um MC que já acompanhou de perto o Hiphop numa outra realidade (a alemã, no caso) tenho curiosidade em saber qual a tua opinião sobre o panorama Hiphop nacional.
Borga - Muito sinceramente, estou bastante contente aqui com a tuga, há gente com estilos muito diferentes, muita música a ser feita com bastante qualidade, temos tudo para consolidar ainda mais o Hiphop em Portugal. De vez em quando há atitudes de estiga e beefar, mas é uma minoria. Noventa e nove por cento do Hiphop português está bom de saúde e recomenda-se, o restante um por cento apenas serve para comprovar a variedade de pensamentos que existem no movimento.
- Recentemente, tive oportunidade de ver uma actuação tua em palcos nacionais, na festa de 1º aniversário do site H2T. Penso ter sido mesmo a tua estreia em palcos nacionais... que tal a experiência, que reacções guardas na memória?
Borga - Esse concerto foi o meu primeiro contacto directo com o movimento português, quer em termos de público, quer em termos de estar no palco com MC´s com maior prestígio. Eu já tinha dado uns concertos com um grupo de St. Maria da Feira, os Seven Crew em bares e Juntas de Freguesia, (e já tive a colaboração do K.O. também dos Seven Crew, e aproveito para dizer que ele é um grande MC!) mas partilhar o palco com MC´s com maior experiência do que eu foi a primeira vez e senti-me muito bem. O pessoal apoiou todo, estava um grande ambiente e serviu para me moralizar bastante, senti-me bastante satisfeito no final do concerto.
- O que achas que podes trazer de novo ao Hiphop português?
Borga – O Hiphop português está tão divulgado hoje em dia, há tantos estilos diferentes, que é pouca a possibilidade de fazer cenas novas, mesmo em termos de rimas. A única coisa que eu posso trazer é muita vontade de trabalhar... talvez uma ou outra novidade mas nada de transcendente. A experiência que tive na Alemanha serve-me para trazer a cena mais para o comercial, não pelo lado negativo mas sim para levar as pessoas a fazer cenas mais animadas e positivas. O underground mantém-se porque está no coração, não é por se tentar fazer cenas que apanhem o comercial e que vendam que se esquece os fundamentos do movimento.
– Queres deixar algumas palavras finais aos leitores, ou à revista HipHop Nation?
Borga - Para os leitores: Continuem assim, há cenas no Hiphop que não são positivas como disse à pouco, mas a união faz o Hiphop, nunca se esqueçam disso. Espero que tenham curtido a entrevista. Um grande props para Portugal! E um abraço enorme para Chelas!
Para a revista: È um privilégio para quem gosta de Hiphop ter uma revista como a vossa que se dedica exclusivamente a este estilo. Obrigado por tudo o que têm feito.
Por Diogo Pimentel para H2T - www.h2tuga.net e revista HipHop Nation |