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Entrevistas
H2T - HipHop TugaSwymmers - Novembro/2004

Swymmers

O Clan SW

Psycho Diggytal, Sandrayme, A.B., Biss e Big N, são estes os cinco elementos que compõem este grupo oriundo do Miratejo. Depois de terem participado na compilação 2840 SX, organizada pela produtora/distribuidora HipHopotamo, Swymmers surgem-nos agora com a edição do seu primeiro trabalho, “Inferno Terrestre”, também com a assinatura da HipHopotamo. Apresentando-nos um Hiphop bastante convencional mas com uma originalidade constante nas roucas e fantásticas participações de Big N, Swymmers afirmam-se empenhados em cativar e conquistar o mercado nacional.
  Com um passado algo desconhecido, estiveram conosco dispostos a revelar alguns segredos do ontem e do amanhã.

- Partindo pelo início. Contem-nos, resumidamente, como e quando surgiu este vosso grupo. Como se juntaram?
  Psycho Diggytal – O nosso grupo começou em 1995/96, onde eramos apenas dois elementos, eu e o Sandrayme (o resto ainda não fazia parte). Por acaso reunimo-nos por intermédio de um amigo que ambos conheciamos, e que sabia do nosso interesse mútuo em fazer alguma coisa na música. Então, juntámo-nos e formámos uma banda que inicialmente teve o nome de Incognit, depois passou por vários elementos e vários nomes (Gangsta, Mirastars) até chegar a Swymmers, em 1998.

  - Alguns de vocês possuem mesmo um passado algo activo no movimento Hiphop nacional. Em comparação com o presente, quais as principais mudanças (evoluções ou retrocessos) que vêm, quer no Hiphop em si como na edição e aceitação do mesmo?
  Psycho Diggytal – Antigamente era diferente, mais rudimentar, não havia tantas facilidades para teres um computador e programas, ou cenas que hoje em dia são acessiveis a qualquer puto. Antigamente não, tinhamos que recorrer a beats sem voz, do estrangeiro, de Fugees ou Cypress Hill, (retirados daquelas cassetes que fazem muito barulho) para irmos fazer os concertos. Na altura, em que o grupo passou por Incognit, Gangsta, Mirastars (sempre eu e o Sandrayme), a aceitação foi uma surpresa. O primeiro concerto que demos foi numa festa, numa escola preparatória, aquilo tinha montes de pessoas, putos e cotas, por acaso foi bem aceite porque nós tinhamos um refrão fácil e todos cantaram. Mas há uma grande diferença de antigamente para agora, há mais aceitação porque também o tempo passa e nós vamos evoluindo, a cabeça vai sendo outra com novas ideias e projectos.
  Entretanto surgiram mais MC’s, como é o caso do A.B. e do Biss (que está em Angola a fazer tratamento), e com a voz do Nuno (Big N), pensamos que, agora nesta fase, a formação de Swymmers está completa. O grupo ainda está em aberto pois precisamos de um DJ e de uma voz feminina (que parece que já encontrámos) mas, a nossa principal mudança foi em termos de qualidade musical, basicamente.

  - Como viram a vossa participação na compilação “2840 SX”?
  Big N – Eu acho que a compilação “2840 SX” foi um bom projecto, com a ideia de criar uma certa união entre a margem Sul, que até essa data estava muito desorganizada, e acho que isso foi conseguido. Foram feitos vários trabalhos, com vários bons nomes como Chullage, Kosmikilla, Factos Reais, Dupla Consciência, ... Tem umas coisas fixes e foi uma ideia muito boa, quando ele falou conosco, nós tivemos todo o prazer em aceitar e participar.

  - Hoje, tempos mais tarde, a edição deste primeiro trabalho foi certamente um alcançar de um dos vossos maiores objectivos. Quais são as vossas expectativas/desejos em relação à aceitação e afirmação deste “Inferno Terrestre” e de vocês, Swymmers?
  A.B. – Este trabalho já vem desde há muito tempo, acho que o pessoal vai aceitar bem porque foi um trabalho de muito esforço. Nós queremos demonstrar aquilo que sabemos e o que andamos aqui a fazer, não andamos aqui a brincar e queremos perseguir este caminho, sempre em frente. A partir deste àlbum estamos a planear que venham outros.
  Psycho Diggytal – Há muita gente que diz que vive para o Hiphop, mas não quer fazer disto vida, quer fazê-lo por amor e não quer ganhar dinheiro com isto. O nosso objectivo não é bem esse, nós sabemos que a música é o nosso amor, mas queremos fazer dela um full-time, dedicarmos-nos mesmo à causa. Isso passa por ganhar dinheiro atráves da música, ver o que é que as pessoas gostam, o que é que as maiorias ouvem (não só o nosso público alvo) e passar um pouco à parte da mentalidade de “Eu gosto do Hiphop e não quero ganhar dinheiro com ele”. O Hiphop, neste caso a música, é uma arte e, tal como a pintura e a escultura, tem que ser remunerada. Assim sendo, se nós somos os supostos artistas, o nosso grande objectivo é, não só dominar o público alvo (que é o nosso bairro e o nosso pessoal), mas sim perceber porque é que a população mais velha ou a população mais nova não compra.
  Big N – Seguindo um pouco a ideia, a cena do àlbum foi juntar o útil ao agradável, nós gostamos do que fazemos e estamos a tentar fazê-lo de uma forma profissional, por forma a ver se isto tem alguma aceitação. Já mostrámos o àlbum a algumas pessoas, não só a amigos, e até agora a aceitação foi fixe, vamos ver.

  - Focando um pouco mais este vosso CD, pedia-vos que, resumidamente, explicassem o conteúdo do tema que dá nome ao àlbum, “Inferno Terrestre”. Associando (se houver relacionamento) o titulo, conteúdo e até o próprio aspecto exterior do CD.
  Psycho Diggytal – “Inferno Terrestre” foca um pouco de tudo o que se passa, não só de mal, no mundo, mas também de bem, porque não é so o mal que vemos (guerras e assim) que causam o danificar do planeta, mas sim um pouco de tudo. Temos, por exemplo, uma faixa que é “velocidade alucinante” em que falamos um pouco sobre gajos que andam aí nas estradas a acelerar em exagero, porque as pessoas podem morrer nas guerras mas também podem morrer de um acidente, assim como também podem viver outras alegrias que mais tarde lhes causam tristezas. A faixa “Inferno Terrestre” dá título ao àlbum, mas praticamente as 20 faixas retratam, não só aquilo que nós passámos na vida, mas também aquilo que nós durante todo este tempo fomos vendo no nosso dia-a-dia e na televisão. Daí o “Inferno Terrestre”, hoje em dia, durante todos estes anos que vivemos, foi um gradual degradamento da sociedade onde estamos. Andamos a querer enverdar por um caminho tipo Estados Unidos, acho que é errado, deviamos ser diferentes, zelar pelos nossos próprios direitos, podiamos ser mais fortes se ligássemos ao nosso produto nacional (agricultura, música, tudo).
  É também um alerta ao pessoal, nós não somos como o Bob Marley que mudou a guerra civil na Jamaica, mas tentamos parecermo-nos um bocado.

  - Falando agora do single de estreia, “Cocktail Babys”, falem-nos um pouco sobre este tema e do seu videoclip.
  Psycho Diggytal – “Cocktail Babys” é o tal som que foge à regra, mas ao mesmo tempo não foge muito, isto é um pouco complicado.
  A música retrata um misto da mulher anjo, com a mulher diabo. Quisémos ter um tema forte, que fosse diferente, que todos ouvissem, não só o nosso público alvo, por acaso todos mostrámos a música aos pais e eles curtiram.
  Mas, até nesse som se inclui bem o título deste àlbum “Inferno Terrestre”, porque tu vais a uma discoteca, encontras uma rapariga boa, ela faz-se a ti, no final da noite acontece o que tem de acontecer e depois mais tarde fazes um teste de H.I.V. e sai positivo. É como eu digo na música “genius in the bottle want the trouble make it in”, é um pouco essa jogada, mulher diabo e mulher anjo.

  – É, sem dúvida, dos melhores temas para encontrar uma das vossas grandes “armas” para marcar a diferença no rap mais usual. Big N, demonstra-se ser um excelente solista em cada intervenção. Além de te identificares certamente com o espírito e objectivos de grupo será que possuis uma vontade extra de realizar algo mais pessoal e não necessariamente ligado ao Hiphop?
  Big N – Não, os Swymmers é uma banda que tem força e que vai continuar aqui durante muitos anos e, se depender de mim, estes gajos vão andar de bengala e ainda vão ter de estar a levar comigo e a portar-se mal. Porque é assim, aquilo que eu vou fazer depois a nível pessoal, estou a pensar lançar um àlbum a solo que vai ter Hiphop mas não será só com Hiphop, vai enverdar por exemplo pelo Soul e Jazz.
  Psycho Diggytal – Continuando a conversa dele, Swymmers é um elo, porque todos os MC’s que fazem parte dos Swymmers e da SW Clan vão ter oportunidade de lançar as suas cenas a solo. Não tentando imitar, mas baseando-nos nos Wu Tang, que conseguiram fazer uma cena que nunca outro grupo conseguiu fazer, que é enraizar a banda e chegar a pontos em que só a banda sozinha não basta, porque há públicos alvo diferentes e, se calhar, há público que prefere o Sandrayme ao A.B. e há público que compra o àlbum do A.B e não o do Sandrayme. Então, Swymmers irá ser o ponto de partida para nós fazermos esses àlbuns a solo e depois o segundo àlbum de Swymmers e o terceiro, quarto e quinto...

  - Para acabar, o habitual pedido, deixem-nos uma mensagem final para os leitores e apreceadores de Hiphop.
  Big N – Oiçam a cena, Hiphop Tuga, as cenas que são feitas no estrangeiro também são fixes, mas temos que apoiar o que é nacional, que é para conhecer o trabalho e evolução dos artistas e apreciarem o que de bom se faz por cá.
  Sandrayme – E, em vez de criticarem tanto, têm que começar a aceitar mais as coisas como elas são.
  Psycho Diggytal – Em relação à Hiphop Nation, continuem tal como estão, independentemente do material que têm estão a fazer uma cena excelente, continuem a dar mais preponderância ao mercado português. Há que fazer alusão ao mercado estrangeiro, mas principalmente ao nacional, há muita gente que ainda não é conhecida e precisa de mostrar aquilo que vale.
  A.B. – Nós estamos à espera de críticas construtivas, espero que as pessoas que estão a trabalhar no Hiphop não venham com aquelas brincadeiras porque Hiphop é algo muito forte e aqui em Portugal está a crescer. Espero que um dia venha a atingir a dimensão que tem nos Estados Unidos ou mais.
  Psycho Diggytal – Acho que o pessoal deve escutar com bastante atenção as letras que se fazem no Hiphop em Portugal, porque neste momento fazem-se letras muito boas mesmo.

Por Rui Meireles para H2T - www.h2tuga.net e revista HipHop Nation

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