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- Um programa tão exclusivo como o Nação Hip-Hop (o único programa de rádio especialmente dedicado ao hip-hop, com difusão nacional) faz sentir o peso da responsabilidade?
Rui Miguel Abreu - Muito sinceramente, não. Não sinto responsabilidade nenhuma a não ser comigo mesmo. Não encaro de forma diferente a comunicação para dez ou para dez mil pessoas. A única responsabilidade a ter em conta é a que eu devo a mim próprio. O facto deste ser o maior auditório para que já trabalhei não altera a responsabilidade que eu já me impunha quando fazia, por exemplo, o Hip Hop Don’t Stop.
- O H2T já teve o privilégio de ser um dos convidados do Nação Hip-Hop (10ª emissão) o que, na verdade, nos rendeu um forte incremento no número de visitas do site e deu para comprovar o grande poder de divulgação que o programa possui. Tens essa noção? Achas que se poderia tirar ainda mais partido desse poder?
Rui Miguel Abreu - Tenho noção de que estou a falar para mais gente, claro. Se isso trás consigo algum poder é que já não sei. Portanto se eu nem identifico o suposto poder também não posso pensar como tirar mais partido dele.
- O programa não é em directo. Pessoalmente preferes este formato "gravado" ou a espontaneidade de um directo?
Rui Miguel Abreu - Para mim é uma mudança bem vinda. Sempre fiz programas em directo, desde que me lembro. Poder gravar o programa facilita-me imenso a vida. Penso que não conseguiria fazer o programa – logisticamente falando – se tivesse que forçosamente optar pelo directo. A diferença sinceramente não a noto. Porque o programa é feito – como aliás vocês podem comprovar – “live on tape”, sem correcções. Exactamente como se fosse em directo. A diferença é não poder ter telefonemas. Mas sinceramente, não sei se com este modelo de programa me apeteceria ter esse tipo de interacção com o público.
- Inúmeros convidados já passaram pelas emissões do Nação Hip-Hop, deste artistas a representantes de revistas, sites ou mesmo lojas. Um programa com participações é sempre mais enriquecedor, mas tornaram-se menos frequentes, porquê?
Rui Miguel Abreu - Por diversas razões. Não há assim tanta gente “entrevistável” como se poderá pensar. Claro que há muita gente fantástica e cheia de valor no Hip Hop português, o que não quer dizer que haja muitos comunicadores. E é diferente dar uma entrevista a um jornal ou revista e dar uma entrevista a rádio. Essa é uma das razões. A outra razão prende-se com a mudança de instalações da rádio. Quando a rádio era nas Amoreiras, por razões particulares eu conseguia fazer o programa sempre num dia fixo da semana, geralmente ao sábado. Desde que mudou para as novas instalações eu deixei de poder usar o fim de semana para gravar. Isso implica que eu grave o programa muitas vezes bem cedo, durante dias da semana e isso não é muito compatível com convidados. Mas, essencialmente, a razão prendeu-se com a incerteza do futuro do programa a dada altura. Agora que o programa parece ter estabilizado os convidados vão regressar. A ideia é ter alguém no programa de quinze em quinze dias.
- Houve alteração no formato do programa e agora a primeira hora é só de tugas. Porquê esta separação?
Rui Miguel Abreu - Tenho perfeita noção de que há muita gente que escuta o programa por causa da música nacional. Com a mudança de horário não quis penalizar essas pessoas forçando-as a ouvir as duas horas para terem acesso a todas as novidades nacionais. Assim, se só querem ouvir a parte tuga do programa, ouvem a primeira hora e depois já podem dormir descansados.
- Não estás a pensar acrescentar alguma coisa ao formato existente do programa… do estilo reportagens de eventos, ou pequenas entrevistas sem ser no estúdio?
Rui Miguel Abreu - Não. Não teria meios para o fazer.
- Já agora aproveitamos para divulgar que o programa está receptivo a novos projectos e pedimos-te que divulgues os meios/contactos para o envio de maquetes.
Rui Miguel Abreu - Ok, podem enviar maquetes para a rádio (ver morada em www.antena3.pt) em meu nome. Chegam-me sempre às mãos.
- O horário do programa não é muito favorável, agora da uma às três da madrugada de sábado. Não seria já tempo de um programa de hip-hop ter um horário mais “acessível” para os ouvintes?
Rui Miguel Abreu - Não me compete a mim decidir isso, como é óbvio. Acredito que 1-3h da manhã é bem mais favorável do que nunca. E as pessoas que realmente gostem do programa irão sempre ouvir, seja qual for o horário. Lembro-me de passar muitas noites acordado quando ainda estudava para ouvir alguns programas de que gostava muito.
- Mesmo assim deve garantir audiências. Tens acesso a esses dados?
Rui Miguel Abreu - Sinceramente, não.
- Costuma dizer-se que é difícil agradar a gregos e a troianos e como tal, nem toda a gente parece estar satisfeita com o alinhamento do programa. Sabemos que tens conhecimento deste facto que nem merece justificação, mas queres comentar?
Rui Miguel Abreu - Não vivo muito preocupado com o que pensam os gregos ou os troianos. Faço este programa com uma única ideia na cabeça – divulgar alguma da música que me chega às mãos e que eu gosto. Não há uma preocupação de actualidade, não há nenhuma linha rígida, nada. As pessoas que não gostam têm apenas que lembrar-se que a rádio é uma coisa maravilhosa: não temos que a ouvir se não quisermos. Basta rodar o botão…
- Talvez esta pergunta seja um bocado injusta, mas ao longo deste ano há algum programa que te recordes ou tenhas gostado especialmente?
Rui Miguel Abreu - Esta pergunta só é injusta para aqueles que eu não recordar, mas, por razões diferentes, lembro-me da emissão com o Melo D – porque ele cantou e tudo – e do NGA, que é uma pessoa de uma honestidade desarmante e que assim consegue cativar quem o ouve.
- Qual o balanço que fazes de um ano de emissões?
Rui Miguel Abreu - Faço um balanço positivo, claro. Eu acredito que este tipo particular de programas só se revela em toda a sua plenitude lá para o terceiro ou quarto ano de existência. Não é brincadeira, mas se um programa destes pode realmente gerar efeitos e apontar direcções a algumas pessoas, isso só se vai notar daqui a muito tempo. Diria então que ainda estou no início de uma caminhada que espero que seja longa!
- Há algo que futuramente gostasses de ver concretizado ou associado ao Nação Hip-Hop?
Rui Miguel Abreu - Claro que sim. As tais coisas para as quais é necessário tempo: gostaria de ver uma festa regular acontecer com o carimbo do programa, gostaria de ver discos aparecem com o carimbo do programa e quem sabe promover encontros, parecerias e cumplicidades entre artistas que de outra maneira não se cruzariam. Mas para isso o programa tem que fincar raízes. Ainda vai demorar tempo. Espero que esse tempo me seja concedido.
O H2T deseja também grande longevidade para o programa e continuação de óptimo trabalho, pela divulgação do Hip-Hop em Portugal. Parabéns!
Por Diogo Pimentel e Sofia Meireles para H2T - www.h2tuga.net |