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Entrevistas
H2T - HipHop TugaFemale Alliance (breakdance) - Junho/2004

Female Alliance

União em prol da arte

Unidas pela força de vontade e dedicação à vertente de dança da cultura Hiphop, Female Alliance destaca-se por ser um grupo, tal como o próprio nome sugere, exclusivamente feminino. Um projecto apenas com dois anos de vida mas que evidencia bem uma enorme crença e uma forte apetência pelo breakdance. Determinadas em quebrar o preconceito de inferioridade feminina nas performances do breakdance, redobram-se em esforços transformando os obstáculos em estímulos próprios.
  O presente conhece-as como um grupo de jovens B-Girls constituído por Fonky, Goma, Moranguita e SW. Lutadoras, trabalham arduamente para vencer e esperam que esta caminhada seja uma via aberta na descoberta de mais talentos femininos.
  Passando da dança à palavra, foi com a mesma graciosidade que as conhecemos melhor.

- Quem são e como surgiram as FA?
  Moranguita – Foi uma ideia que surgiu através da Fonky que entrou em contacto connosco, (Goma, Patty e eu), sobre uma possível formação de um grupo de breakdance exclusivamente feminino. Nós aceitámos de imediato e o grupo foi oficializado por nós no dia 11 de Outubro de 2002, no espectáculo do Bboy Storm. Começámos então a dançar as quatro mas, entretanto a Patty teve uma lesão no pé e teve que sair. Cerca de oito, nove meses após a saída da patty do grupo, propusemos o convite à Joana (que primeiramente fazia parte do Grupo Anti-Gravity), a ingressar nas Female Alliance, ela aceitou e estamos juntas até hoje.

  - Como surgiu em cada uma de vocês o gosto pelo breakdance?
  Moranguita – Inicialmente comecei por aulas de ginásio a dançar “Hiphop” só por dançar, mas depois o interesse de crer aprender mais e novos movimentos aumentou e ingressei por uma das vertentes do hiphop (o Breakdance). Comecei por dançar breakdance através de dois amigos meus que se propuseram a ajudar-me, (um deles é dos Anti-Gravity, o Silver, e o outro é o primo deste, o Igor). Foram eles que me deram as bases do breakdance (top-rock six step, e algum footwork), a partir daí se eu quisesse evoluir tinha de ser por mim própria. Entretanto também comecei a ter aulas de “hip-hop”com a Puffy mas as aulas dela são completamente diferentes daquele “hip-hop” de ginásio que estamos habituados a ver. E foi também ela (a Puffy) que me incentivou para que continuasse a dançar breakdance.
  SW – A primeira vez que eu comecei a entrar no break, em Almada, foi o Zé Acid, eu nessa altura andava na ginástica, e ele convidou-me para ver se eu queria entrar no break, só que eu não queria deixar a ginástica. Depois entretanto foi-se passando o ano, e eu comecei a ver mais cenas de break, fui-me interessando por isso e entretanto os meus amigos tinham formado um grupo, os Anti-Gravity, e convidaram-me para entrar. Eu acabei por aceitar, comecei a dançar com eles, tivemos a battle em Julho e, eu depois chateei-me, e acabei por vir para as FA.
  Fonky – Eu foi através de clips do Hiphop Francês é que comecei a ver o break e depois cá comecei a ver também festas e, ia ao metro também estavam lá os gajos do Cacém também a dançar e os Urban. Depois comecei a dançar aqui no ponto com o Gramms e com o Steve, foram eles que me deram as bases. A partir daí foi de ver a cena.
  Goma – Tal como a Fonky foi através de clips e de vídeos que sacava para ter umas noções do breakdance. As bases foi a Moranguita que me deu mas não posso deixar de referir ajuda dos FBK, amigos do Cacém.

  - Enquanto grupo, têm algum grande objectivo ou algo pelo qual estejam a praticar?
  Moranguita – Nós pretendemos demonstrar não só a nós próprias como às outras pessoas que conseguimos fazer o que os rapazes também conseguem ao nível de breakdance e temos como grande objectivo evoluir cada vez mais.
  SW – E sermos as melhores…
  Fonky ­ – E também dar espírito de iniciativa para que outras raparigas comecem a dançar.
  SW – Nós incentivamo-las a dançar, a virem cá treinar, porque também não dá pica fazermos battle entre nós as quatro porque sabemos o que cada uma faz. É isso, e termos união entre as B-girls, já que somos tão poucas em Portugal.

  - Há algum movimento preferido ou que achem que fazem melhor? E o mais difícil, que parece quase impossível?
  SW – O que eu sei que faço melhor é o Hollow Front, foi o primeiro que aprendi, sei fazer de várias maneiras e é o que tenho mais facilidade em fazer. Quanto ao movimento mais difícil, aliás para mim o mais difícil é mesmo conseguir ter uma boa sequência, conseguir encaixar.
  Goma – Os que tenho mais facilidade é no Hollow Front e side e o que me parece mais difícil e que acho que nunca vou conseguir fazer é o flare.
  Fonky – Eu não vou dizer qual é que eu faço melhor porque ainda está tudo incompleto, mas o mais difícil para mim é o air track.
  Moranguita – Eu não considero que seja boa em algum movimento, eu sei fazer quase de tudo um pouco. E o movimento que eu acho mais difícil é o flare e o air track.

  - O vosso interesse no Hiphop vai além do breakdance?
  Fonky – Vai, eu acho que todas nós antes de chegar ao Break já tinhamos antecedentes de Hiphop, ouvíamos rap, íamos a festas, aliás nós fomo-nos conhecendo todas em festas de Hiphop.

  - Para um jovem (no plural) que queira aprender breakdance puro e não conheça ninguém do meio, qual o conselho que vocês dão? (sabemos através do site que há muita gente nesta situação e perguntam-nos)
  SW – O conselho que eu dou para uma pessoa que queira aprender breakdance é para se manter informado de quando há festas de break, ir até lá, tenta falar com as pessoas, estar a par dos encontros que se realizam no metro e na rua. Na net também se consegue vários contactos (no mirc podem ir ao canal #breakdance), ou então vão procurar a sites, ver vídeos. E, mais tarde, tentem juntar-se a uma crew ou algo do género.

  - Quais são as vossas referências ao nível do breakdance?
  Goma - A nível nacional queremos referenciar alguns nomes como os 12 Macacos, Anti-Gravity, Emotion, FBK, Gregos do Shabbá, à Puffy e ao B-Boy Vermelho. A nível internacional Vagabonds, Wanted entre outros.

  - Acham que se houvesse mais eventos desta vertente em Portugal teríamos mais praticantes e maior evolução nesta arte?
  SW – Eu acho que sim, que arranjávamos mais praticantes, não sei se haveria maior evolução porque há muita gente que começa no break porque viu e disse “muito fixe, vou começar a fazer” mas depois também não continua, é algo que está na moda, “vou fazer porque é giro”.
  Fonky – Eu acho que haveria evolução…
  SW – Da nossa parte e no break em geral sim, mas em termos do pessoal que isso poderia chamar para o break é que não sei. É algo que está na moda, há muito pessoal que fala e diz que faz, mas depois se calhar nem treinam (ou treinam uma vez por semana), não fazem nada de jeito e dizem que fazem.

  - Falem-nos um pouco do alto risco que existe na prática do breakdance.
  SW – Tu no break ganhas lesões muito facilmente, basta caíres mal, pores a mão mal, joelhos, costas, pescoço…Eu por exemplo ganhei uma tendinite por causa dos freezes, é uma cena que requer uma boa forma física, temos que ter força, saber colocar os nossos membros. É uma cena completamente normal, as lesões podem acontecer a qualquer altura mesmo que tenhas aquecido bem mas, como é algo que gostamos de fazer corremos por esse risco.

  - Que têm a dizer acerca das cada vez mais publicitadas e mal denominadas por “Danças de Hiphop”, que se podem ver em quase todos os ginásios?
  SW – Dança Hiphop de ginásio, não é a dança Hiphop, a dança do Hiphop é o breakdance.
  Moranguita – Hiphop é uma cultura e a vertente de dança é o breakdance.
  SW – Aquilo nem é dança, é aeróbica misturada com funk, sei lá o que é aquilo.

  - Para terminar gostava que em poucas palavras me definissem o que é para vocês o Breakdance.
  SW – Eu acho que o breakdance é uma forma de nos exprimirmos corporalmente através do Hiphop. É difícil transmitir para palavras, é algo que não dá para descrever o que se sente, é um complemento espírito.
  Goma – É Algo que me relaxa, que deixa bem comigo mesma, é o “meu” pão de cada dia.
  Moranguita – O refúgio de muita coisa…

  - Querem deixar algum recado, incentivo ou mensagem final?
  FA – Às raparigas que se interessam pelo break e pelo Hiphop que vão procurando vídeos, falando na net, treinando porque o break tem de evoluir mais em Portugal e existem poucas B-girls e as que existem não se “mostram”, e nem vêm aos eventos que se realizam.

Por Rui Meireles para H2T - www.h2tuga.net e revista HipHop Nation

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