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- Querem-nos falar um pouco acerca de Opinião Pública, que ao que parece é um grupo bastante numeroso? Como se proporcionou a junção de tantos MC’s? Há entendimento?
A.S2 - No princípio do ano 2000 sentimos a necessidade de dar um nome a um conjunto de mc’s, que no fundo sempre trabalharam em equipa. Deu-se a junção de alguns grupos e mc’s e assim apareceram os Opinião Pública.
D. Mouska - O projecto inicial era lançar uma maquete mais underground só para o público da zona. Foi um trabalho difícil porque são muitas cabeças a pensar, muitas ideias a surgir e talvez tenha sido esse o motivo de algumas divergências. Foi uma fase positiva em que aprendemos algumas coisas.
Os Opinião Pública duraram relativamente pouco tempo, mas enquanto durou foi bom.
- Acham que alguma vez poderemos ver editado um trabalho com a participação total dos elementos de Opinião Pública?
D. Mouska - Nunca se sabe o futuro mas, pelo menos para já, não me parece.
- Com tanta gente, e uma vez que o Hiphop é uma cultura também ela “Versátil” (como o vosso álbum), algum de vós pratica outra vertente?
A.S2 - Não, concentramos as nossas energias apenas no rap.
- Falando agora do vosso álbum, qual é a afinidade que vocês (A.S2 e D. Mouska) têm que prevalece sobre outra dupla ou subconjunto de Opinião Pública para editarem este CD?
A.S2 - O facto de ter sido A.S2 com D. Mouska e não A.S2 com outro ou D. Mouska com outro foi porque chegámos à conclusão que para se produzir um álbum a sério não basta apenas ter skillz, é preciso dedicação, perseverança e acima de tudo responsabilidade. E na altura em que se pensou no ”Versátil” nós éramos dos poucos com motivação suficiente para um projecto deste tipo.
D. Mouska - O que não quer dizer que um de nós não venha a trabalhar no futuro com alguns outros elementos da Casa da Poesia, ou a solo.
Juntámo-nos também porque havia a certeza entre nós os dois de que a cena não ficaria a meio. Era importante dar um primeiro passo e tínhamos consciência disso.
- As músicas presentes no álbum são todas recentes, ou há letras, instrumentais ou ideias mais antigas?
D. Mouska - O instrumental de Tantas Caras era antigo mas foi reestruturado. As faixas 4 e 9 também são produções menos recentes.
- Falem-nos um pouco sobre as participações presentes neste álbum.
A.S2 - Convidámos o R, o Dino e o Nova para acrescentar algo de diferente. Não foi nada pensado ou estruturado de início, aconteceu naturalmente. Mas é certo que sem eles o título “Versátil” não seria tão adequado.
- Uma breve audição do álbum deixa-nos a navegar por ambientes bem simpáticos e positivos, na grande maioria conquistados pela versatilidade e originalidade com que os instrumentais foram conseguidos. Qual é o vosso “patamar” ao nível de produção? Sentem que têm ainda muito que aprender? Têm os meios desejados? Falem um pouco sobre isso.
A.S2 - Não queremos estabelecer nenhum patamar onde estejamos inseridos, isso cabe às outras pessoas comentar. A nível de produção estamos perfeitamente conscientes que ainda temos muito a aprender. Os meios que temos ainda não são os desejados, mas quanto ao material explorámos ao máximo tudo o que temos.
- Uma das faixas que despertou mais o meu interesse foi “O mundo à tua volta” com a participação do MC R, três MC’s, três mentes a descrever os acontecimentos que nos rodeiam e a confrontar-nos com isso. Desvendem-nos como foi o método de composição desta música.
A.S2 : Lembro-me mesmo bem como é que foi. O Mouska telefonou-me a dizer que tinha uma batida nova. Fui à Casa da Poesia e curti mesmo da cena. Achamos logo que era uma faixa própria para um tema de crítica social. Ainda por cima com tudo o que se tem passado à nossa volta era obrigatório este tema no álbum. Tentámos em 4 minutos dizer o máximo possível.
E no início era para ser uma faixa sem participação. Gravámos a nossa cena e quando voltei lá um ou dois dias depois o Mouska tinha estado com o R que gravou um 3º verso. Quando ouvi o produto final só tive foi que dar props ao R porque ficou fat!
O facto das partes se encaixarem na perfeição deve-se simplesmente a 3 pontos de vista dos problemas sociais. Cada um preparou o seu verso e encaixou...
- Expliquem-nos melhor o que é ao certo a Casa da Poesia, fazendo ainda uma ligação com aquilo que dizem no refrão de “Tantas Caras”.
D. Mouska - A Casa da Poesia são quatro paredes, material necessário para se fazer música, muitas cabeças, muito amor e força de vontade. Depois é claro que se tornou um refúgio para todos nós, um lugar onde estamos juntos, escrevemos e produzimos. Imagina: agudos, graves e paz.
“Tantas Caras” foi um tema que surgiu fruto de um estado de espírito, uma lembrança do passado, um momento de nostalgia. E no refrão damos uma maior importância a um passado recente ligado à nossa vivência musical.
- Uma queixa que muitas pessoas devem apontar ao vosso CD é que parece ser demasiado curto - sabe a pouco. São dez temas, incluindo 3 interlúdios bastante bem dispostos, porquê apenas 7 músicas?
A.S2 - O objectivo não era bem fazer um álbum curto, mas como é um álbum de apresentação essa cena de saber a pouco também pode jogar a nosso favor porque o people fica naquela: Como é que vai ser o próximo?
- Falem-nos um pouco do single escolhido, vai ter direito a videoclip?
A.S2 - O single que nós escolhemos foi a faixa nº 2 “Dias sem ti”. E a ideia principal que esse som transmite é basicamente descrever aqueles dias pelos quais todos nós (MC’S) já passámos, aqueles dias em que tu estás sentado a tentar escrever e não sai nada, aqueles malditos dias sem inspiração...O título fora do contexto pode dar a entender que a música é sobre alguma miúda ou isso, mas quando se ouve o resto percebe-se que não é nada disso.
D. Mouska - Sim, o single vai ter direito a videoclip e vai ser o reflexo da mensagem transmitida na música, vai relatar mais ou menos esses dias sem inspiração em imagens. Mas depois vocês logo vêem como ficou...
- Normalmente ouvimos os grupos (e também o público) do Algarve queixarem-se da desigualdade de oportunidades em relação aos outros dois centros – Porto e Lisboa. E, dizem que quando o Algarve é lembrado, são sempre os mesmos a ter a oportunidade. Partilham também desta opinião?
A.S2 - É uma verdade que existem falta de oportunidades cá em baixo se formos comparar com os outros dois grandes centros nacionais, talvez pelo maior público existente nessas zonas a nível quantitativo, porque a nível de amor pela cultura não somos nada inferiores. Só não concordamos é quando dizes que quando o Algarve é lembrado são sempre os mesmos a ter oportunidade porque não há assim ainda nenhum(ns) artista(s) que tenha(m) captado definitivamente o interesse do público nacional.
D. Mouska - Cada artista algarvio que consiga vingar está de parabéns porque de certeza que se esforçou o dobro pois as oportunidades são poucas e difíceis de se encontrar.
- Para breve, o que têm de projectos que possa já ser divulgado?
D. Mouska - Podemos dizer que o R, o Jackpot, o Nova e o Biex vão sair com bons álbuns. Estamos a preparar o segundo volume da mixtape 8125 e também há mais mixtapes a girarem aqui pela zona...
- Esta pergunta pode ser um pouco injusta, mas vou-vos pedir que refiram alguns nomes do Algarve que achem que merecem maior atenção pois vão certamente vingar num futuro próximo?
A.S2 - Como tu próprio disseste é uma pergunta um bocado injusta, o que sabemos e afirmamos com convicção é que há muito talento por explorar cá em baixo.
- Para fechar, uma pequena mensagem a todos os amantes desta cultura.
D. Mouska - Se amam mesmo esta cultura não fiquem à espera da iniciativa dos outros, se querem que o movimento cresça apoiem como possam, vão aos concertos, comprem os álbuns e as revistas etc...
A.S2 - Não se esqueçam também de comprar o nosso álbum para apreciarem um bocado do Hiphop português ao estilo quarteirense...
Por Rui Meireles para H2T - www.h2tuga.net e revista HipHop Nation |