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- Existe um CD editado (a nível independente) por volta do ano 2000, o “1100% do Pensamento” do DJ 30 paus, onde Mundo Complexo já aparece, mas apenas com dois dos actuais elementos - o Ridículo e o Tony Moca. Foi com eles que tudo começou? Podes contar-nos como se conheceram e formaram os Mundo Complexo?
Kwan - Na altura do “1100% do pensamento” os Mundo Complexo já existiam, não quer dizer que ainda só estivessem os dois mas, de facto, foi assim que começou, com o Ridículo e o Tony. O 30 Paus também estava a trabalhar com eles no inicio, em 98-99, quando começaram a fazer coisas. Entretanto o 30 Paus constituiu família, tornou-se um bocado mais difícil estarem juntos e foi nessa altura que eu comecei a juntar-me mais a eles. Eu comecei a pegar nos pratos em 98, fiz a minha evolução natural em 98-99 e depois em 2000 juntei-me a eles, e o Tranqüilo também entrou nessa altura. Portanto, a partir de 2000 já tínhamos o núcleo duro dos Mundo Complexo: o Ridículo, o Tony, o Tranqüilo e eu.
- E porquê o nome de Mundo Complexo?
Kwan - O nome de Mundo Complexo foi criado pelo Ridículo e vem do conceito de Graffiti. Começou por “The World is Complex” e depois ficou “WC”, que aparece inclusive no CD. Convém dizer que o Ridículo também é o Youth, é um dos writers mais antigos em Portugal.
- Ele ainda se dedica ao graffiti?
Kwan - Ele ainda pinta de vez em quando, já não pinta tanto como anteriormente mas sempre que dá um toque numa parede acho que toda a gente sabe que foi ele. Ainda continua a ser um dos “kings”.
- Conhecendo melhor os elementos do grupo e o percurso de cada um, descobre-se uma diversidade que, certamente, também ajuda a construir o nome de Mundo Complexo. Queres desvendar um pouco desses percursos?
Kwan - Eu sou jornalista já há alguns anos, sempre estive ligado à rádio, não só ao hip-hop mas à música em geral, mais tarde sim, intensamente ao hip-hop. O Ridículo sempre esteve ligado ao Graffiti e à cultura hip-hop, depois acabou por ter também ao mesmo tempo uma banda de Punk- Hardcore, os “Garagem 7”. O Tony faz parte dos Batoto Yetu, que é um projecto de percussão, de ritmos africanos, e também já participou noutros projectos musicais, inclusivamente no “Rapública”, ele fazia parte dos “Zona Dread”. O Tranquilo já participou noutros projectos musicais completamente fora do hip-hop, posso dizer-te que ele quando era mais novo fez parte dos “Ministars”. Portanto, o que nos une é a descoberta da cultura hip-hop, uns mais tarde, outros mais cedo. Ouvimos hip-hop mas também ouvimos outras coisas completamente diferentes, e se calhar também foi por causa disso que nos juntámos.
Eu, o Ridículo e o Tranquilo, também andámos de skate durante muitos anos, e ainda continuamos a dar umas “skatadas” de vez em quando. Somos todos aqui da zona e é mais ou menos isso que nos liga.
- Mais algum de vocês se dedica a outra vertente do hip-hop?
Kwan - Não. Às vezes no gozo dançamos um bocadinho de breakdance, mas a brincar, não é por causa disso que nos vamos considerar b-boys. Eu no inicio tentei fazer umas rimas mas desisti logo, vi que não tinha muito jeito e como sempre tive pratos em casa, o DJing foi a coisa mais natural. Mais vertentes não, quer dizer, dentro da divulgação do hip-hop sim, sempre estive ligado à área da comunicação social, mas vertentes a sério não. A não ser que já comecemos a considerar a produção como o quinto elemento do hip-hop, que é uma teoria aceite por muita gente. E eu aí estou a começar a iniciar-me, o Tranquilo também, o Tony também e o Ridículo tem sido até agora o nosso produtor.
Lembro-me que houve uma altura em que o Ridículo estava a começar a dançar breakdance também, mas não, nada assim de se levar a sério, apenas por mera curiosidade.
- Participaram na colectânea “Hiphoportuga 2000”. Quais as reacções que obtiveram a esta vossa participação?
Kwan - Basicamente foi o que nos deu a conhecer para muita gente, não para um público muito abrangedor mas, dentro do movimento hip-hop creio que foi a maneira como muita gente nos conheceu. Principalmente com o “É Isto Que Eu Quero”, que rodou muito por aí nos programas de rádio que existiam na altura e acho que passou muito de boca em boca. Pelo menos a percepção que eu tive foi essa. Nós tínhamos duas faixas nessa colectânea, o “Vivo Desesperado” e o “É Isto Que Eu Quero”, e ficámos conhecidos praticamente por o “É Isto Que Eu Quero”, que é uma música assim mais animada, mais para cima. Eu acho que a reacção das pessoas na altura foi boa. Houve uns concertos também por causa disso, fomos ao Hard Club em Vila Nova de Gaia e lembro-me que no fim desse concerto muita gente veio ter connosco a dizer “curtimos o vosso som”, “foram das poucas bandas de Lisboa que vieram aqui e puseram o pessoal aos saltos”. Nós ficámos contentes, claro.
- Foi a partir desse momento que pensaram em levar a música mais a sério?
Kwan - Foi depois da gravação do “Hiphoportuga 2000” sim. Se até à colectânea tínhamos ensaiado e já queríamos levar a coisa a sério, a partir daí é que nós dissemos “Agora já não dá para voltar para trás, temos estas faixas editadas, vamos para a frente, continuar a ensaiar e vamos embora…”. Entretanto também surgiram os concertos e por aí fora…
- Em 2001 surgiu a Loop Recording, e desde o inicio que vocês são apontados como uma das grandes promessas da editora. Este vosso álbum de estreia é o 8º lançamento da Loop, que entretanto já nos surpreendeu com edições como “The Lost Tapes” dos Bullet ou o “Beats Vol 1” do Sam The Kid, entre outras. Que reacções esperam vir a ter? As expectativas não vos parecem estar um pouco altas?
Kwan - Quer dizer, eu acho que a nossa expectativa tem que ser sempre alta, porque é um objectivo que queremos atingir. Em termos de vendas não desenho nenhum número porque não faço a mínima ideia, mas quero que o máximo de pessoas ouçam o disco, de preferência comprado como é óbvio, porque é assim que a editora sobrevive e consegue assinar mais artistas e é assim que nós artistas conseguimos sobreviver e conseguimos fazer outro disco.
E penso que com a Loop isso é possível, também devido ao contrato de distribuição que tem com a EMI-VC. Nós temos procurado ver onde é que o álbum está à venda e o que tenho reparado é que está à venda em quase todo o lado e a um preço acessível. Pelo que me apercebi através dos outros discos que já saíram, e pelo que eu pude ver nas diferentes lojas, não está a mais de 15 euros, está a 14 e qualquer coisa.
O que nós queremos é que as pessoas conheçam a nossa música, se só ouviram o single tentem ouvir o resto do álbum para terem uma opinião formada. Queremos também que nos vão ver a tocar, porque é importante para nós mostrar ao vivo como foi feito o disco.
Agora, das expectativas, é chegar ao maior número de pessoas possível, pessoal do hip-hop, fora do hip-hop, dos 8 aos 80 anos. Esperamos que as pessoas tentem compreender acima de tudo a mensagem que está dentro do disco, que não é só uma, mas, no fundo, se perceberem há ali um ponto comum em todo o álbum que é a positividade, encarar a vida de uma forma positiva.
- Quanto tempo mais ou menos levaram a compor o álbum? Tiveram dificuldades?
Kwan - A composição em si já vem de há três anos, apesar do álbum sair agora nós já existimos desde 2000 e desde essa altura que andamos a prepará-lo. Há aqui músicas com três anos, há outras com dois, outras com um e há outras que foram feitas quase agora, antes de entrar em estúdio.
Durante 2001, basicamente o que fizemos foi tocar ao vivo, tivemos para aí uns 10 concertos, o que para uma banda desconhecida não é mau. Também não foram concertos muito grandes, eram uns médios outros mais pequenos mas quisemos rodar o material e perceber se o público gostava de nós, ver qual a receptividade das pessoas à nossa musica. Depois tivemos uns meses parados porque o Ridículo era especialista de comunicações da marinha e esteve ausente numa missão para Timor.
No início de 2002 começámos a trabalhar outra vez a sério, já com o álbum em vista, surgiu o convite para a “Pop Up Songs 2002” (a colectânea da Optimus), gravámos o “Sei Lá”. Ainda antes de gravarmos o “Sei Lá”, entrou o Hélder, porque nós já há algum tempo que falávamos que era bom por um baixista e ele era meu amigo, estudou comigo na escola. Já com o Hélder em estúdio, começamos a ensaiar a sério, fizemos o concerto de Vilar de Mouros e do Festival do Tejo e a partir daí parámos; Em Agosto dissemos, “agora vamos só preparar o álbum”. E, de Agosto até Dezembro, ensaiamos intensivamente, fizemos a pré-produção do álbum. Durante o mês de Dezembro e Janeiro tivemos em estúdio a gravar o disco e um pouco de Fevereiro também, salvo erro, mas para dar os últimos toques. E saiu agora.
- Há temas neste álbum que já não são recentes, ou que adaptaram? Quais?
Kwan - O “Vivo Desesperado” é um deles, já tinha saído na colectânea “Hiphoportuga 2000” e agora aparece com outra parte rítmica, o instrumental e a entrada do baixo, a letra ficou praticamente a mesma. O scratch também é outro porque houve mudança na base instrumental. Houve muitas coisas que foram mudadas, nem que sejam pormenores como os bombos, as tarolas, assim partes técnicas… Exactamente para que as pessoas que já conheciam a nossa música pudessem ter algo de novo com o álbum, e para nós também, porque ao fim de três anos torna-se um bocado cansativo estar a ouvir a mesma música. O “Triste Sina” é outro exemplo, uma música antiga que agora surge com percussão.
Pequenas coisas como a entrada do baixo e da percussão, parecendo que não, já quase que fazem uma música nova.
- O vosso som é um pouco diferente do hip-hop convencional que se faz em Portugal. Têm um baixista, alguns temas bastante melódicos… Acham que essa diferença, pode ser tida como uma vantagem?
Kwan - Pode ser uma vantagem ou pode ser uma desvantagem. Pode ser uma desvantagem no ponto de vista que as pessoas podem pensar que nós estamos a fazer isto porque queremos ser comerciais ou queremos vender mais, que isto é tudo muito pensado. Mas não é nada disso, é exactamente o contrário. Sinceramente, nós entramos dentro do estúdio de ensaios, ensaiamos muito, trabalhamos muito e é o que sai. Há uma vontade dos MC’s, para além de “rappar”, para cantar, há um gosto pela melodia em todos nós, até pelos nossos gostos musicais e pelo conhecimento ou ligação que temos com a música negra, não só o hip-hop. O baixo também ajuda a isso, a percussão também traz um toque africano.
Mas também pode ser uma vantagem no sentido de, exactamente, ser uma diferença e não estarmos a música toda a debitar palavras, o que para algumas pessoas que não estão na cultura hip-hop pode tornar-se cansativo. Para nós isso não nos faz confusão nenhuma porque temos contacto com a cultura hip-hop há muitos anos, mas para algumas pessoas pode fazer e, nesse sentido, o facto de termos uma forte componente de melodia no disco pode funcionar como uma vantagem.
- E não têm receio que essa mesma originalidade vos conduza por um caminho à margem do hip-hop, embora que paralelo?
Kwan - Eu acho que nós nunca vamos deixar de ser uma banda de hip-hop. Nós não somos só uma banda de rap, nós vivemos a cultura hip-hop, em todos os sentidos, em todas as vertentes. Como já disse, alguns de nós estão envolvidos em muita outra coisa que se passa em redor do hip-hop, inclusive noutras vertentes. As pessoas podem pensar o que quiserem, nós temos é que ser verdadeiros connosco, se é aquilo que nós gostamos de fazer e se é aquilo que sai no local de ensaio, porque é que havíamos de fazer outra coisa? Ter medo do que as pessoas do hip-hop vão pensar? Não faz sentido. Nós queremos chegar a pessoas que gostem de ouvir música, gostem de hip-hop ou não gostem de hip-hop. Sinceramente espero que as pessoas do hip-hop gostem do álbum, porque são as pessoas com quem nós lidámos mais até agora, mas também espero que agrade às outras pessoas que não gostem de hip-hop. E nós já tivemos muitas vezes essa experiência, pessoas que dizem “Eu não gosto muito de rap e de hip-hop mas da vossa onda gosto…”, isto aconteceu-nos muito nos festivais onde tocámos. Eu espero que isso aconteça, e espero que as pessoas do hip-hop continuem a gostar de nós como gostavam.
- Como surgem as participações no vosso álbum? O Dourado em “O Vazio”, e o D-Mars e o Sagas em “Nem tudo é triste”.
Kwan -“O Vazio” é uma música que nós sempre fizemos com o Dourado. Foi uma música que acho que já nasceu com ele, começámos a cantá-la em conjunto, porque ele aparecia na garagem onde nos ensaiávamos aqui em Carcavelos, e portanto fazia todo o sentido por a música no álbum, porque é uma música que nós adoramos. Também fazia todo o sentido por o Dourado que é uma pessoa que é nossa amiga e que, acho, se continuar a trabalhar como tem trabalhado até aqui tem muito futuro na música. É daquelas pessoas que, se calhar tu não ouves falar muito e que não anda aos saltos a dizer “eu estou aqui”, mas está sempre a trabalhar, faz coisas boas, é um bom MC, com letras válidas para nós e positivas. Acho que um dia destes, mais cedo ou mais tarde vai rebentar.
Quanto aos Micro é uma relação de amizade que já vem de há muitos anos, ainda muito antes de nós termos a banda. Falámos na pré-produção, “era fixe fazermos uma música com os Micro, era porreiro juntarmos o pessoal todo e fazermos assim um grande som”. O Ridículo mostrou-nos aquele instrumental do “Nem tudo é triste” que é um instrumental que nós ficámos logo de boca aberta, porque para nós é uma bomba, e dissemos logo “Olha, este era fixe para fazermos com os Micro, que é um som potente...”.
Basicamente foram os convidados que quisemos ter. O D-Mars também foi uma grande ajuda na parte técnica, bem como o Armando Teixeira, que nós também consideramos convidado. Como produtor o D-Mars tem uma música que é dele, o resto foi tudo o Ridículo.
- Curiosamente, estes dois temas tocam em assuntos completamente opostos… e há mais exemplos neste CD como “Vivo desesperado” e “Autoconfiança”, ou “Triste Sina” e “Acção”, no fundo uma mistura de sentimentos e vivências. É a esta complexa realidade a que se referem quando intitulam o vosso álbum de “Acredites ou Não” ?
Kwan - É, porque acredites ou não o mundo é complexo, e acredites ou não há coisas boas e coisas más e nós temos todos coisas boas e coisas más dentro de nós. Tanto temos um momento em que nos sentimos completamente no “vazio”, como temos outro em que reagimos e levantamos a cabeça e dizemos, espera lá, “Nem Tudo é triste”, eu tenho os meus amigos, a minha namorada, tenho ali os meus pratos e posso estar ali a tarde toda, posso estar todo cansado mas no fim vou ter um sentido de realização porque estou a construir algo, posso ir ensaiar com a banda, posso ir ter com os meus amigos à praia, posso ir andar de skate… No fundo é dar a nossa percepção do mundo, da vida e das relações. Há momentos bons, há momentos maus e não nos podemos deixar ir abaixo com os momentos maus, assim como não podemos ficar demasiado iludidos com os momentos bons. A felicidade não é uma coisa absoluta, eu costumo dizer que a felicidade vem aos pacotes, vem distribuída em pequenos pacotes. Nós sabermos que amanhã as coisas podem estar piores, mas eventualmente hão-de melhorar e isso depende muito de nós.
- O primeiro single é “Carta de Amor”. Porquê a escolha deste tema?
Kwan - O “Carta de Amor” foi a última música a ser incluída no álbum. É uma letra do Ridículo, fala sobre a experiência dele, a vivência dele enquanto esteve em Timor e um namoro que iniciou antes de ir, portanto é uma música de amor. Podíamos ter escolhido vários singles mas foi uma música que nos pareceu boa. A escolha do single é sempre complicada. Podíamos ter escolhido um mais hardcore, ou outro mais dentro do hip-hop, mas o nosso objectivo é mesmo que as pessoas vejam a diferença da banda e percebam que nós não estamos aqui só para contestar ou para dizer que está tudo mal e fazer o discurso do coitadinho. Queremos que as pessoas percebam que, de facto, há que haver positividade nas acções e o amor foi uma das maneiras que nós achamos de apresentar isso. Houve pessoas a quem nós mostrámos e quisemos saber a opinião, inclusive as pessoas da Loop acharam que aquele era o melhor single, e nós acabámos por concordar, mas também achando que haviam várias músicas que podiam ter sido singles. Mas aquele marca a diferença, fala sobre o amor que é uma coisa que todos nós sentimos e com que as pessoas se podem identificar e, se calhar, é um música à qual as pessoas que não ouvem hip-hop habitualmente podem estar mais receptivas. É uma boa maneira de chegar a essas pessoas.
- Podem falar um pouco sobre o vídeo-clip?
Kwan - O vídeo é uma mistura de várias coisas: nós no estúdio, em casa a viver o nosso dia a dia, nas ruas, gravámos alguns bocados aqui na nossa zona, aparece uma mensagem num cartaz que diz “amo-te”... basicamente o vídeo-clip anda a nossa volta.
A história do vídeo-clip não tem necessariamente a ver com a história da música, nós escolhemos não narrar o vídeo-clip com o tema da música, as pessoas é que vão fazer essa interpretação. Fizemos um vídeo para mostrar como é que aquilo é tocado, apresentar os elementos da banda (porque nós somos ilustres desconhecidos para muita gente) e tentámos rodear aquilo de um ambiente positivo, de alegria (que é o que a música fala) mas se calhar também de alguma dúvida e tristeza por não se poder estar com o pessoal mais vezes.
Portanto, são esses os sentimentos que surgem durante uma relação, e no fim de tudo... está lá o amor, que é o principal.
- Onde gostariam de chegar como Mundo Complexo?
Kwan - Gostávamos de ocupar um lugar de relevo no mercado/panorama nacional. Para já, este é o álbum de apresentação.
Gostávamos que as pessoas percebessem porque é que nós fazemos isto, porque é que nós estamos aqui, que entendam a mensagem do álbum. Basicamente, o que queremos fazer é tocar ao vivo e mostrar a nossa música ao maior número de pessoas possível e esperar que alguém se lembre de nós um dia como as pessoas que marcaram, se calhar, uma “diferençazinha” no hip-hop nacional mas também na música nacional em geral. Eu acho que já não podemos falar do hip-hop como uma coisa fechada, temos que falar do hip-hop como mais um género dentro da música nacional, falar da musica nacional em si e dos músicos portugueses. Tentar de alguma forma ajudar e promover a música portuguesa que é muito válida, quer esteja cantada em inglês ou português, porque essa polémica para mim pessoalmente não existe. Se as pessoas se querem expressar em inglês, quem sou eu para lhes dizer que têm de cantar em Português. Nós por acaso cantamos em português e as bandas de hip-hop nacional todas cantam em português. Mas, se as pessoas querem cantar em inglês ou em francês ou em alemão, isso é com elas.
- Para mensagem final, querem deixar um incentivo ao hip-hop português?
Kwan - Eu acho que o hip-hop português não precisa de nenhum incentivo da nossa parte. Precisa é que façamos alguma coisa por nós, e ao fazermos alguma coisa por nós estamos a fazer alguma coisa pelo hip-hop nacional.
O hip-hop nacional não é uma espécie de entidade abstracta, como diz o Mos Def, não é tipo “um gigante que está adormecido nas colinas”, o hip-hop é o que nós fizermos dele. Se todas as bandas trabalharem bem e forem tendo sucesso nas suas carreiras, também o hip-hop nacional vai estar assim. Aqui em Portugal, as pessoas que fazem parte das vertentes do hip-hop e as pessoas que compram os discos e vão aos concertos e às festas, nós todos somos o hip-hop nacional. Portanto se nós andarmos para a frente, se formos positivos, se trabalharmos para isto, o hip-hop nacional vai ter esse incentivo que tu estás a falar.
Agora, eu espero é que as pessoas cada vez menos tenham preconceitos em relação a coisas novas porque, quer se queira quer não, o hip-hop ainda é uma coisa nova por cá. Espero que oiçam as coisas antes de terem alguma ideia feita ou terem algum preconceito. Oiçam! Tentem compreender a mensagem! Se depois disso não gostarem pronto... paciência, gostos não se discutem.
Por Rui Meireles para H2T - www.h2tuga.net e revista HipHop Nation |