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- Podes contar resumidamente o teu percurso no hip hop?
Fidbek - Bem… o meu primeiro contacto com o hip-hop aconteceu, como muita gente da minha idade, no final da década de oitenta, com aquela febre do breakdance e com os filmes que apareceram na altura (Beat Street…) mas eu era novo demais para perceber o que se passava, era mesmo numa de diversão, na garagem de um primo meu a darmos uns passos de break e ficou por aí. Mais tarde, mais ou menos em 95, depois de passar anos e anos como fã - e ainda continuo, claro… cada vez mais! – comecei a escrever umas rimas com pessoal que fui conhecendo e que gostavam minimamente de hip-hop. Chegamos a ter uma banda que se chamava “Da Project”, mas não passou de uma brincadeira. O único que decidiu continuar a fazer alguma coisa fui eu, o resto desistiu (lembro-me que éramos 6 ou 7 na altura). Quando tive as primeiras letras escritas e ideias para músicas faltava a parte instrumental, eu na altura rimava em beats não originais, cenas que arranjava em vinil… até que conheci o Viruz através do IRC. Ele tinha começado a produzir à pouco tempo e já tinha um EP lançado com o Infamous (do Canadá), começámos a trocar ideias e apercebemo-nos que tínhamos uma visão muito parecida sobre o hip-hop. Resolvemos então criar um projecto em que ele era o produtor e eu o MC e aí aparece o “Fidbek”. Através do Viruz conheci o Brigadeiro Mata Frakuxz, uma pessoa que me ajudou e ajuda muito a nível musical (foi por intermédio dele que participei na mixtape dos Hemoglobina).
O meu primeiro contacto com os MatoZoo foi numa ida a casa do Kiko, com um amigo meu que o conhecia, e acabei por lhe mostrar umas letras minhas. Ele gostou, fez-me umas produções, eu convidei-os para entrarem no meu álbum e eles fizeram-me a proposta para entrar para a banda… tudo isto num espaço de mais ou menos um ano.
O meu presente tem sido concertos, de uma forma regular. Muito por culpa do DJ Bezegol entrei para um colectivo que envolve muitos projectos – Aliança do Norte – e tem sido assim… muita música.
- Em relação à tua entrada para os MatoZoo. Como foi a tua integração numa banda cujos elementos têm já um forte passado em comum? O que vos une e identifica?
Fidbek - A relação que eu tenho com os MatoZoo é, acima de tudo, de amizade. Os ensaios, a forma de fazermos música e todo o processo… muito humor pelo meio… só visto mesmo. Eu admiro-os muito em todos os aspectos e a nível musical, no panorama nacional, são a banda com que mais me identifico. Às vezes existem algumas divergências, mas tudo muito positivo. No fundo, no fundo, eu sei que eles me curtem. (risos)
- Como surgiu a oportunidade de lançar agora este CD, “Erro Musical”?
Fidbek - A oportunidade não surgiu, eu é que a criei. Tudo nasceu quando eu construi um conceito à volta do Fidbek – “Erro Musical” é tipo uma explicação lógica do meu nome. Idealizei um álbum a tocar em todos os aspectos que achei relevantes e que mais me marcaram até ao momento, de certo modo é uma forma de protesto/expressão, uma maneira de chegar mais directamente às pessoas sem ir propriamente para o meio da rua gritar o que penso.
- O que podes avançar acerca deste álbum (participações, produção, etc.)?
Fidbek - O que posso avançar é que já estou a trabalhar nele há mais tempo do que inicialmente pensei. Fui aprendendo muito ao longo destes 3 anos que idealizei o meu álbum de apresentação. Os meios a que tive acesso também não facilitaram muito, mas já está tudo numa fase final e espero que saia o mais rapidamente possível.
Quanto à produção é basicamente toda do Viruz tirando algumas faixas produzidas pelo Kiko (MatoZoo). Os MC´s convidados estão todos relacionados com o conceito de “errado” - Brigadeiro Mata Frakuxz, Martinêz, Kiko, Viruz... e nos pratos vão estar os DJ’s Bezegol e Spot.
- O titulo é curioso, porquê “Erro Musical”?
Fidbek - Como já tinha dito, “Erro Musical” é um conceito que está ligado ao meu nome. O objectivo fundamental é incomodar, “pôr o dedo na ferida” à maneira do Fidbek. O que também contribuiu muito para este nome foi a minha ligação a uma editora nacional e de ter trabalhado numa loja de música durante alguns anos, lidando com o outro lado, por trás da realidade do público musical.
- Ficaste satisfeito com o resultado final, ou algo poderia ter ficado melhor?
Fidbek - Se não tivesse ficado satisfeito nunca seria lançado nada com o meu nome. Adoro aquilo que faço, o meu trabalho acima de tudo. Posso passar muito tempo à volta de um tema, mas só me dou por satisfeito quando digo “ Aos 50 anos ainda me vou orgulhar disto…”(risos)
- O primeiro concerto de apresentação deste álbum foi no dia 27 de Dezembro, no Porto Rio, também já tens o single "Pouco Convencional (eu não vos convenço)" à venda nas lojas habituais. Como têm sido as reacções até agora?
Fidbek - Sinceramente ainda não recebi nenhum comentário negativo. Alguns bons, muitas abstenções, mas o mais importante para mim é que existem pessoas a ouvirem- me.
A primeira tiragem do single foi de 100 copias e estão quase todas vendidas. Principalmente em Angola onde o pessoal apoia muito a cena tuga, e essa é a melhor sensação que se pode ter - pelo menos 100 pessoas vão-me ouvir.
- Também marcas presença em CD’s de outros MC’s a sair em breve. Podes desvendar essas “jogadas paralelas”?
Fidbek - Estes últimos 2 anos que passaram têm sido muito produtivos em termos de projectos que vão aparecer no futuro. Neste momento estou a trabalhar no 2 º álbum de MatoZoo e num projecto com o Viruz, um álbum nosso, uma ideia com alguns anos a seguir a nossa linha “errada”. Tenho uma participação no álbum de Infamous & Vrz e já ando com umas ideias para o 2º álbum, mas ainda não passam de um esboço mental..
- Qual é a tua visão do Hip-Hop aí no norte (rivalidade, qualidade, dificuldades, etc.)?
Fidbek - Acho que se perde tempo demais com esse assunto, as rivalidades existem só para quem as sente. Eu adoro a minha cidade, tenho muito orgulho em dizer que sou do Porto, principalmente quando dou concertos fora dele. Mas a cena principal pra mim é a musica, nunca vivi muito nessa sombra de zonas, bairros, acho que isso é mais um subterfúgio do que outra coisa. A minha identidade é mais a nível musical. Acho que o hip-hop do norte continua a subir cada vez mais de qualidade, a cena teve um bocado parada em termos de lançamentos, mas pelo que sei vão sair álbuns de bandas referência de cá e também vai aparecer muita gente nova.
- Como estamos no 1º mês do ano, finaliza a entrevista com a tua previsão para este 2003 no que diz respeito ao hip-hop português.
Fidbek - Como eu costumo dizer sempre no inícios de cada ano “Este é que vai ser aquele de afirmação da cena nacional”, mas eu acho que isso já aconteceu o ano passado. Foi um ano muito positivo, com lançamentos praticamente todos os meses e fundamentalmente álbuns com qualidade, o que sobe sempre a fasquia para quem vai aparecer com novos trabalhos. E isso é muito bom para evolução da nossa música. A minha previsão para este ano é a afirmação do hip-hop no nosso país como qualquer outro estilo musical (não apenas para minorias) e também a expansão além fronteiras nacionais. E que existam cada vez mais ouvintes que gostem de hip-hop como os que apareceram em 2002.
Por Rui Meireles para H2T - www.h2tuga.net e revista "Raio X" |