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- No vosso ponto de vista, o que mudou desde o vosso EP em 2000, nos Guardiões e no movimento Hip-Hop em Portugal?
GDS - O EP que saiu em 2000 foi o reunir de várias músicas que nós já tínhamos feito desde 96 até fins de 99, enquanto construíamos o nosso estúdio. É obvio que agora tudo mudou, não só em nós, devido à força de vontade que temos em evoluir musicalmente dentro da cultura, como no próprio movimento que tem crescido bastante nestes últimos anos.
- Então a vossa editora, SubCave Records, foi criada aquando do EP?
GDS - Sim pode-se dizer que sim, mas o projecto da SubCave já existia em mente há algum tempo, aproveitámos para lhe dar a verdadeira forma com o lançamento do EP. Esta foi uma das maneiras de ultrapassar a falta de apoio a projectos de hip-hop, mas o grande objectivo da SubCave é ser uma editora independente no movimento hip-hop português, existindo ou não apoio pelas grandes editoras.
- E penso que foi mesmo a primeira editora no panorama do hip-hop nacional…
GDS - Acho que não, creio que já existiam outras, não tenho a certeza. Mas pessoalmente não considero que isso seja muito importante, o fulcral é existirem editoras que tenham autonomia dentro do panorama nacional para assegurarem os alicerces no movimento.
- O CD de Xeg, “Ritmo e Poesia”, que foi também editado pela SubCave, tem anunciado o lançamento da compilação "(sub)reviventes", mas não tenho conhecimento de que tenha saído… ainda está para sair? Que se passou?
GDS - A compilação ainda não saiu porque, a máquina onde tinha o projecto todo gravado e preparado, deu o berro. Infelizmente, na altura não tinha um disco externo para fazer backups dos projectos. No entanto, como andávamos a preparar o álbum de guardiões, a compilação ficou para um posterior lançamento da SubCave, se tudo correr bem sai no fim deste ano ou início de 2003.
- Este novo álbum, “Códigos de Rua”, demorou muito tempo a ser elaborado? Quais foram as maiores dificuldades que encontraram?
GDS - Isso ai depende da perspectiva. Este álbum vem a ser cozinhado desde o lançamento do EP, mas a sua produção, desde o primeiro dia de gravações até ele vir embalado da fábrica, demorou cerca de 7 meses. Em relação às dificuldades, a maior delas foi a falta de tempo devido aos nossos empregos e devido a incompatibilidade dos turnos das fábricas onde trabalhamos. Não tínhamos a possibilidade de nos reunir com frequência.
- Têm um tema, que é o “Yo G” que data de 95 e, segundo consta, foi um “Projecto no C.R.O.W.D.”, podem explicar melhor de que se trata?
GDS - O projecto "No C.R.O.W.D" foi o nome do nosso grupo quando começámos, em 93, na cena do hip-hop, e significa "no corruption no racism no opression no war no drugs". Mas depois, nos finais de 95, decidimos alterar o nome para Guardiões do Subsolo porque achámos que deveríamos ter um nome lusitano.
- Neste trabalho vocês promovem também um pouco do que é a cultura hip-hop, em temas como “Dá valor à arte”, ou mesmo em “São Códigos de Rua”. Em “A nossa mentalidade” avisam: “Isto não é brincadeira, é melhor começares a levar a sério...” Acham que a sociedade ainda interpreta mal o hip-hop, as suas vertentes e os seus “códigos”?
GDS - Achamos é que as pessoas, a maior parte das vezes, são manipuladas com a informação que os media fazem soar para o grande público, o que normalmente e infelizmente, é feito de forma enganosa e rotulada. As pessoas, em certa parte, acabam por não ter 100% de culpa da imagem que têm desta cultura e interpretam-na de forma negativa, acabam por nem se aperceber da arte que nela existe. Então, logo à partida, é necessário, pela parte das pessoas que estão envolvidas nesta cultura, lutar por mostrar ao grande público o poder que o rap tem e a influência que pode ter no dia-a-dia das pessoas através de letras e temas que são escritos, ou movimentos de hip-hop que são praticados. Se houver uma publicação saudável e limpa dos factos, ninguém mais ficará indiferente ou renitente em relação a esta cultura.
Mas temos consciência que continuará a ser uma luta constante por parte de todas as pessoas que tem a noção das raízes do hip-hop e que representam esta cultura nas suas variadas vertentes.
- Como foi participar no "Bomba Relógio"?
GDS - Trabalhar com o Bomberjack foi uma boa experiência, pelo menos temos recebido criticas positivas em relação ao nosso tema na compilação, o “Publicidade Enganosa”.
- Como está o Hip-Hop na Margem Sul?
GDS - Penso que evoluiu bastante nestes últimos anos devido ao esforço, persistência e dedicação de algumas pessoas e acredito que ainda vai crescer mais!
- Projectos da SubCave e ambições dos Guardiões do Subsolo.
GDS - Temos agora a compilação que, como já tinha mencionado, irá sair no final deste ano ou no principio do outro, e… o resto é segredo.
As ambições dos Guardiões do Subsolo são evoluir a nível pessoal e profissional e continuar com o nosso trabalho de forma positiva, afirmando a essência do rap, que é sem dúvida a mensagem em cada letra que é escrita, em cada beat que é produzido.
- Últimas palavras...
GDS - Evoluam a nível criativo e construtivo nesta cultura, o hip-hop e uma forma de arte e não um campo de intrigas. Deixem-se de telenovelas. Paz!
Por Rui Meireles para H2T - www.h2tuga.net e revista "Raio X" |