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Quando as armas são as palavras
O passado conhece-os como “Circuito Secreto”: Rey, Ortega e Chaz, 3 MCs de Gaia que se auto-apelidam “línguas de veneno”. Detentores de enorme garra, talento e coragem, pertencem a uma nova geração de artistas que lutam diariamente pela elevação do Hip-Hop nacional.
No presente, mudam apenas o nome: Crime Sublime é o novo significado de CS, uma sigla que o futuro pode começar a fixar.
Falámos com eles em noite de actuação, aquando das “Urban Groove Sessions”, na discoteca Pacha-Ofir, um evento que uniu o grandioso Hip-Hop francês ao, ainda iniciante, movimento português. Apesar de algumas falhas técnicas, os CS estiveram no seu bom nível e, mais uma vez, soube a pouco. |
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- O hip-hop em Portugal é ainda pouco conhecido e pouco compreendido pela sociedade. O que vos leva a acreditar e a dedicarem-se a esta cultura?
CS - Acima de tudo é a paixão pela música e a relação que temos com ela, nós precisamos de fazer música para nos sentirmos bem com nós próprios, é o escape do real nojento que nos rodeia. Por outro lado nem sequer nos perguntamos se o hip-hop é compreendido ou não, desde o início que isto sempre fez sentido para nós... isto é o nosso ideal de vida e cada vez mais se torna a nossa vida, já não dá para viver sem hip-hop, logo é obvio que a dedicação e a crença na cultura se torne inevitável.
- Vocês têm já algumas participações em mixtapes, colectâneas e até mesmo neste último álbum dos Mind da Gap. Em todos os registos a vossa presença é bastante forte e convicta, deixando sempre a vontade de ouvir mais… porque não existe ainda um álbum de CS?
CS - Devido a problemas de desorientação, de afastamento uns dos outros porque a vida às vezes a isso implica. O que não quer dizer que algum dia tenhamos parado de produzir ou sequer estarmos juntos e assumirmo-nos como CS. A verdade é que também é preciso dar tempo ao tempo, deixar o fruto amadurecer para quando o fores comer ele te saber bem. Se nunca nos precipitámos para dar esse passo, sempre tivemos paciência, não faz sentido estar a mandar um álbum se ainda não nos sentimos capazes de o fazer e ficar totalmente satisfeitos com o produto final.
- A nível de actuações ao vivo, têm tido boas experiências?
CS - Tem sido fantástico, mesmo nas situações mais chungas ou mais difíceis nós conseguimos sentir-nos bem e tirar o proveito máximo de podermos pisar um palco e mostrar a nossa música às pessoas. Tocar ao vivo é o confronto final, enquanto estás em casa e fazes música para ti, tudo bem, mas a partir do momento em que vais mostrar a tua música, tens que estar pronto para enfrentar o juízo do público e aí, ou é ódio, ou é a amor. Não podemos negar que o nosso nome deve-se basicamente às nossas actuações.
Se tivermos que realçar algum concerto em especial, para nós foi sem dúvida MDG, DLM e CS no Hard Club, ver aquela casa cheia é simplesmente espectacular e ainda por cima estamos em casa, na nossa cidade, Gaia. Para além disso, Sines e o Parque das nações foram experiências muito boas.
- Muita gente diz que agora o hip-hop está na moda. Será que isto é sinónimo de reconhecimento do trabalho dos DJ’s, MC’s, Witters e Breakers?
CS - Olha, quando nós começámos, que não foi há muito tempo mas algum, se tu querias saber ou simplesmente ouvir hip-hop tinhas que ser tu a ir procurá-lo, agora ligas a televisão e o hip-hop está lá.
Não sabemos se isto é moda, mas o que é certo é que nós vimos o movimento a evoluir de 30 para 300, de 300 para 3000 pessoas e sem dúvida que isso é reflexo do esforço dos b-boys writters djs e mcs, como também de pessoas de fora que acreditam no hip-hop. Sim, nós assumimos a culpa deste fenómeno porque é isto que nós queremos, é com esse objectivo que andámos a lutar todos estes anos, para que esta música chegue cada vez a mais gente. Se vem por moda ou não, isso não importa, dessa multidão há-de haver sempre uma minoria que sente isto verdadeiramente, e que ficam no hip-hop para sempre, o resto é combustível, é gente que compra os CDs, que enche os espectáculos, que alimenta os artistas e quer queiramos quer não, se o objectivo é marcar o hip-hop no panorama musical português, é preciso gente para o consumir.
- O que falha ainda no hip-hop português?
CS - Mulheres, reconhecimento e respeito.
- Qual a importância de iniciativas como esta aqui na discoteca Pachá, onde se reunem DJ’s e MC’s portugueses e estrangeiros (neste caso, franceses)?
CS - Isto é a grande cena... não, a grande cena é Dealema, isto é a segunda grande cena... (risos). A sério, isto é fundamental para o hip-hop crescer, ficar mais maduro .
A ligação com um país como França onde a cultura está ao rubro só pode ajudar a que o fenómeno que aconteceu lá, venha a acontecer aqui. E também nós já não somos nenhuns putos, o hip-hop português evoluiu bastante e já tem a qualidade suficiente para se mostrar a nível internacional. Só é de lamentar que o público português tenha falhado tanto nestes concertos. Há anos que as pessoas se queixam que não vem cá artistas estrangeiros e finalmente quando eles vêm, e com o nível destes, elas não comparecem.
- Expectativas para o futuro...
CS - Para além de começar a pensar em produzir o primeiro álbum é mantermo-nos unidos. Fazer ver ás outras pessoas que isto é uma realidade possível, que o hip-hop é uma cultura com valores positivos, que não andamos aqui a enganar ninguém com falsas palavras e aparências fúteis. Este é o nosso ideal de vida e vamos fazer tudo para vivê-lo à nossa maneira.
Por Rui Meireles para H2T - www.h2tuga.net |