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- Como DJ, tens divulgado e apoiado bastante os MCs, dando-lhe espaço de palavra nas tuas mixtapes. A editora surge da vontade de fazer mais por estes MCs e pelo Hip-Hop em Portugal?
Cruzfader - Sim, concerteza. Os MCs não têm hipóteses de gravar nas editoras e eu acho que o underground é uma música que tem de ser ouvida em todo o lado (nos clubes, nas rádios…) mas actualmente a única possibilidade de fazer isso é através das pequenas editoras. Eu, como sou um fã número zero do underground, tenho o dever de fazer isso, é o seguimento das coisas e dos trabalhos que eu já fiz.
- És Brasileiro, estiveste 14 anos em França; Porquê esta aposta em Portugal?
Cruzfader - Começa pelos meus pais, eles moram aqui à 10 anos e eu já venho a Portugal à 12 anos de férias, um dia acabei por ficar.
Lá na França também fiz uns trabalhos, participei em compilações, fiz concertos, era DJ dos La Caution, cheguei a fazer muita coisa mas nunca tive grande sucesso. Quando vim para cá, comecei a fazer algumas coisas que resultaram e fui ficando por aqui.
Também tem a ver com as origens, sendo brasileiro, em Portugal sinto-me perto das minhas raízes.
- O Regula tem o privilégio de estrear a editora através do seu primeiro trabalho. Este álbum estava planeado ou as coisas surgiram com a oportunidade?
Regula - Não, isto já estava planeado para aí desde 2000, altura em que o Sam The Kid me começou a arranjar os beats. Já tive uma banda de outro estilo, que era eu e o Tom (também entra no meu álbum), desde 96 que começámos a rimar juntos, mas depois comecei a fazer os trabalhos sozinho, assim é mais fácil, é tudo à minha maneira e não tenho que me chatear com ninguém.
- Como te começaste a interessar pelo Hip-Hop?
Regula - Já desde puto que eu adorava o rap, tipo Snap e isso, mas quem me meteu mesmo a ouvir rap foi um tio meu, aí em oitenta e tal, noventa, quando ainda se dançava o rap. De 90 até 95 eu desliguei-me um bocado e só em 96 é que comecei a rimar, quando ouvi pela primeira vez o rap português no “Rapública” e no “Dou-lhe com a alma” dos Da Weasel.
- Para primeira edição da Encruzilhada qual tem sido a reacção do público e dos media?
Cruzfader - As reacções são relativas. Da parte dos media tem sido muito positiva, da parte do público, há pessoas que gostam e há pessoas que não gostam, é como tudo. É muito difícil agradar a todo o mundo, ainda por cima com um produto deste género que é novo, diferente. Mas em relação ao que as pessoas me dizem eu acho que está positivo.
- Qual é a diferença para com as edições de autor?
Cruzfader - A diferença é que somos várias pessoas a fazer um trabalho. Eu sou mais executivo, estou no papel de produtor. No momento somos ainda poucas pessoas, mas o objectivo é criar uma espécie de mini empresa: ter uma pessoa para fazer publicidade na rua, uma pessoa para ir às lojas e preocupar-se com a distribuição… e eu fico a resolver as tarefas mais difíceis, as mais importantes, esse é o tal objectivo.
Eu gostaria que a Encruzilhada Records fosse como uma grande editora, apesar de termos condições muito inferiores.
- Como surgem as participações em “1ª Jornada”?
Regula - A maior parte eram amigos. Por exemplo, as pessoas com quem menos tinha confiança e convidei foram Chullage e a Melanie. O Chullage convidei-o porque, depois de o conhecer, considero-o uma pessoa mesmo bacana e pura. A Melanie já tinha cantado com uns sócios meus (os Plunasmo), eu curtia ela a cantar e por isso convidei-a para fazer o “Rewind”, que é um som bem calminho. De resto, as participações são tudo meus cambas já de há muito tempo.
- E as produções do Sam The Kid?
Regula - Isso fui eu que lhe pedi mesmo para ele produzir o meu álbum.
- Porquê a escolha do “Especial” como single?
Regula - Isso foi o Cruz que escolheu, mas eu posso responder. O “Especial” é um som que dá para vários tipos de pessoas, não é um som só para o pessoal do Hip-Hop. Se calhar se eu pusesse o “Drunk’s” com o Super Shor a single nem toda a gente ia curtir, mas o “Especial” é uma música mais cantada, meio R&B também. E aguardem porque vai ter direito a vídeo-clip.
- Regula, quais são os teus próximos passos?
Regula - Vou participar no álbum do Tekilla, no álbum do NBC, no novo álbum do Xeg, na mixtape “Cosa Nostra 2” e no Bomberjack - “Freestyle Connexion”.
- E para breve, quais são as próximas apostas da Encruzilhada Records?
Cruzfader - A próxima é o Tekilla, e depois em principio o Beto e o Kacetado e entre esses três artistas surge a “Cosa Nostra 2” e também a “Ressureição 2”, dois trabalhos meus. Lá para o meio do ano que vem (Maio ou Junho) pensamos lançar uma colectânea só com os artistas da Encruzilhada Records. Deve ser mais ou menos este o processo dos lançamentos.
- A editora é só para projectos Hip-Hop, ou está aberta também a outros estilos?
Cruzfader - Também gosto muito de R&B, estou a pensar lançar um projecto de R&B. Também quero lançar um álbum a solo meu, só de scratch, mas isso já é projecto mais alternativo: convidar artistas do Hip-Hop que não têm muito conhecimento na área do Trip-Hop, misturar e só fazer músicas e scratch. Fazer uma espécie de colectânea mas sempre do género que eu gosto, é claro que não vou produzir um álbum de rock, não teria nada a ver. Vamos ver o que é que o futuro nos reserva.
Por Rui Meireles para H2T - www.h2tuga.net e revista "Raio X" |