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O concerto estava aprazado para as 23h30. Porém, só duas horas mais tarde (!) é que ele teve início. Apetece dizer que ser pontual não compensa nem deve ser uma qualidade a preservar para um fã de Hip Hop português que deseje assistir a um concerto. Como se não bastasse, acorreu muito pouco público ao Plano B para ver Bob da Rage Sense, que se justificou dizendo que o concerto havia sido muito pouco divulgado. É justo dizer-se também que decorria no mesmo período temporal uma outra festa de Hip Hop na cidade do Porto. Talvez isso tenha contribuído igualmente para a fraca adesão que se registou. Todavia, em nossa opinião, é uma falha muito grave haver um atraso de duas horas em relação ao que estava estabelecido em cartaz.
O público não era muito mas os presentes, depois da demora, certamente que esperavam que a recompensa viesse sob a forma dum concerto arrasador de Bob e dos seus acompanhantes. Bem, quanto aos acompanhantes sim, quanto ao MC de “Diários de Marcos Robert” esqueçam. Esteve desinspirado, desconcentrado algumas vezes (Scratch através do humor disfarçou algumas situações), com demasiadas brancas e só se viu verdadeira garra de Bob, em palco, na recta final do concerto. O rapper bem se desculpou com o facto de ter 3 álbuns escritos e decorados para o esquecimento que o assolou a meio dos sons e a pouca energia teve como subterfúgio sintomas gripais. No entanto, quem já viu, como nós, Bob da Rage Sense noutras actuações, sabe perfeitamente que ele podia (e devia) ter dado muito mais o litro. As pessoas eram poucas, é certo. Havia muitos amigos do rapper no público, é verdade. Acredita-se que Bob possa ter tido uma maior descontracção por todos esses factores e se tenha sentido pouco motivado para actuar. Mas Sir Scratch foi completamente o oposto. Ele sozinho fez a festa, pode mesmo dizer-se que salvou a noite a Bob. Divertiu-se a participar, pois como ele disse estava ali para curtir, já que até há algum tempo que não vinha ao Porto. Ora, se há algo característico no público do Porto é adorar gente sincera, humilde e com garra, de fibra. Foi uma pena que Bob estivesse tão inerte e alheado.

O rapper da Footmovin’ no filme do concerto, escolheu um argumento que incidiu fundamentalmente no álbum “Diários de Marcos Robert” mas também foram escutados alguns clássicos da sua discografia como “Luz do Dia” ou “Bobinagem”. Destaque para as participações de Tamin e Dino, que quando, revezadamente, foram chamados ao palco deram uma prova cabal de talento. Sir Scratch foi o cicerone do concerto, o mais divertido e empenhado em palco, foi o rapper que mais prazer tirou daquela noite e cativou ainda as pessoas com o seu bom humor. Ele simboliza aquilo que um rapper deve fazer para ter uma boa actuação. Mais uma vez se frisa, foi uma pena que Bob não tivesse seguido o bom exemplo de Scratch, que certamente actuaria da mesma forma para 500 ou para 50 pessoas.
Em suma, o concerto não foi totalmente perdido por todas as falhas enumeradas atrás. Sabe-se que Bob já deu e pode dar muito mais em actuações ao vivo. Mesmo assim, quase de certeza que todos os presentes ficaram contentes com a vinda de Bob da Rage Sense ao Porto e tiveram prazer em escutar a sua música. Não faltarão seguramente mais oportunidades de Bob vir à Invicta e de se redimir deste concerto, arrasando musicalmente a sala com mais intensidade, paixão e acertividade. Mas da próxima vez com mais divulgação e com menos atrasos e desculpas, combinado?
Por Druco e Sempei para H2T - www.h2tuga.net |