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O evento começou com o graffiti: uma exposição por Klit, Odeith e PMC Feijão, um workshop orientado pelo veterano Mosaik e, sobretudo, o início do concurso que viria a prolongar-se pela tarde. Writters de diversos locais, de diversas crews e com estilos diversos, mostraram o melhor da sua arte, disputando o pódio.

Depois dos habituais atrasos no sound check, o evento prosseguiu, dando primazia a uma outra vertente do hip-hop, com um workshop de DJ’ing dado por Dynamic Duo, dupla composta pelos DJ’s Cruzfader e StikUp, seguido de uma actuação do DJ Mr.Cheeks. O público que aos poucos foi surgindo, aglomerou-se junto ao half-pipe onde, perante os flashes dos vários fotográfos presentes, os b-boys mostravam os seus skills, fazendo adivinhar o que se seguiria: o breakdance.
Os primeiros a subir ao palco foram os Fresh Flava com uma actuação que acabou por ser ofuscada pelos elogios do público à crew que se seguiu: Hip Hop Notics, um grupo de Oeiras que se revelou uma agradável surpresa. E porque breakdance em Portugal, é quase sinónimo de 12Macacos, cessaram todas as conversas e o barulho de fundo dos skates a rolarem no half-pipe e todo o público se juntou para ver a excelente performance dos 6 elementos que compareceram.

Faltava ainda uma vertente para que este evento merecesse o nome de Festival de Hip-Hop. Após um longo intervalo, o MC’ing surge representanto por Don Kapa e Papa Docs, completamente fora de tempo e de tom, sobretudo este último. Don Kapa surge mais tarde, a solo, redimindo-se com uma melhor actuação. Esta hora ficou a cargo de Fusão do Sul que, quer num registo mais enérgico, quer num registo mais calmo, teve como ponto alto a actuação de La Dupla (Espanhol, Nessa e DJ X-Acto) e a doce voz de Mariana.
Por esta altura eram já cerca de 18h20 e os writters tinham apenas mais 40 minutos para acabarem os seus trabalhos, enquanto Birú, acompanhado pelo DJ Maskarilha nos pratos, actuava para um público pouco entusiasta.
Entretanto chegou a hora de jantar mas, ao que parece, ainda houve tempo para os espanhóis La Madriguera, que supostamente deveriam ter actuado às 16h.
O evento recomeçou por volta das 21h30 com a entrega dos prémios de 600, 300 e 200 euros para os 3 primeiros classificados do concurso de graffiti. Os contemplados foram, respectivamente, os writters Ervas, Smile e Sphiza. Justo ou não, o que é certo é que se o júri fosse composto apenas por writters, os resultados provavelmente não seriam os mesmos. Mas nada melhor que verem as telas no arteurbana.net e julgarem por vocês mesmos.

Voltando ao Festival, seguiu-se uma sessão de turntablism com DJ Ride. Apesar de todos os seus movimentos poderem ser acompanhados em tempo real numa tela, o público esteve bastante disperso, a provar que o DJ’ing em Portugal ainda não recebe o protagonismo devido.
A festa animou-se quando Manif3stos subiram ao palco, numa fusão de estilos desde o Reggae ao DnB. O público finalmente deu sinais de vida e até os mais tímidos se esqueceram que os pés já começavam a doer e acompanharam o ritmo.
Vindos directamente de Barcelona, a L4 Crew deu continuidade ao espectáculo, deixando sus hermanos portugueses visivelmente impressionados. A actuação pecou por longa, fazendo com que o público aos poucos fosse perdendo o entusiasmo.

Quando surgiu o banner da editora Footmovin’ no palco já a hora ia avançada, mas o público, bastante mais numeroso que durante a tarde, não arredou pé. Primeiro surgiu Royalistick com diversos temas do álbum ‘Visão Periférica’, como ‘Uma Chance’, ‘Sarcasmo’ e o incontornável ‘Xliíbris’. O mc interpretou ainda o tema ‘Estrela’. Excelente actuação que, ao contrário da anterior, pecou por curta, já que deu lugar a uma surpresa: M.A.C. surgiram para interpretar um tema novo. Continua o show da Footmovin’, desta vez com Sir Scratch, acompanhado por Bob da Rage Sense. Sir Scratch trouxe-nos a energia habitual e os temas, também eles, já habituais: ‘Nada a Perder’, ‘Posições Primárias’, ‘Como se Fosse’ e ‘Ilusão’ (com a participação da Tamin’). Excelente para quem nunca tinha tido a oportunidade de ver Sir Scratch ao vivo. Algo repetitivo para quem já o tinha visto (alguns mais que uma vez) e já estava em pé à horas. Assim como M.A.C. também Bob da Rage Sense pôde mostrar que não tem estado parado, interpretando um tema.

Eram já 1h50 quando o DJ Bomberjack e os artistas da sua editora abandonaram o recinto, os Mundo Complexo, que desde a tarde que acompanhavam o evento e mostravam o seu apoio, viram o público substancialmente reduzido, uma vez que os últimos comboios eram daí a 10 minutos. Mas ao que parece, não há nada que abale a atitude de Tony Moca, Ridículo, Tranquilo e DJ Kwan. Os Complexos acabaram por dar um show em casa e, nas palavras de Tranquilo ‘para a família’, com aquele sentimento old school que nenhum outro grupo preserva desta maneira. A interagir com o público como só eles sabem, os Mundo Complexo apresentaram algumas faixas do novo álbum e contaram com a presença de Melo D que deu voz a um dos temas. O grupo adiantou ainda que o álbum conta com a presença de SP e NBC, outras duas grandes vozes.
A festa teria continuado pela noite dentro, não fosse a organização, de uma forma completamente desrespeitosa, ter cortado o som. Os Mundo Complexo acabaram, assim, por actuar menos de meia hora e o público que esperou em pé até às 2h da manhã foi para casa desanimado.
Seria de esperar outra atitude por parte de uma organização com tantos anos de experiência, sobretudo, para com os Complexos. Por serem quem são.
Resta dizer que para o ano há mais. Mais Graffiti, mais DJ’ing, mais Breakdance, mais MC’ing e mais festa. Esperemos que mais bem organizada.
Por Rute Silva para H2T - www.h2tuga.net |