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Hip-Hop Nacional no Sudoeste 2003
Calor, muito calor e junte-se a isto uma praia a quinze minutos de autocarro, grátis, e um canal a cinco minutos de caminhada. Este era o cenário no recinto dos concertos do Sudoeste, algures pelas cinco da tarde, dia 9 de Agosto, dia de actuações como Morcheeba ou Skin. Mas não é destes concertos que trata esta crónica mas sim de outros três, de nomes menos famosos e menos consagrados dos que acima referi, a julgar pelo público presente, umas duzentas almas, que vieram dar apoio a três grandes nomes, uns grandes numas coisas, outros noutras: Reacções Verbais, Dealema e Boss AC. Exactamente por esta ordem, tal como foi a ordem do apoio que as bandas receberam do público, tal como, estranhamente ou não, pesa a sua (existente ou inexistente) importância no mercado nacional.
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Primeiro, como já referi, foram os Reacções Verbais, banda do Algarve sem nenhum cd editado (nem como banda e muito menos a solo, apenas vencedores de um concurso de hiphop organizado pela Antena 3) mas, como eles próprios disseram, “não importa”. E de facto pouco importou em termos musicais, a não ser uma nota de imaturidade, pois era um pouco difícil entender que palavras fluíam dos microfones dos dois MC´s, sendo este aspecto disfarçado por um som de grande qualidade, e sendo meu dever realçar o quão esta banda usufrui do facto de ter um elenco tão vasto. Os instrumentais eram largamente enriquecidos pelo baixo, a bateria, os sons mais reggae de jambés e afins, por uma guitarra portuguesa (é preciso lembrar que o concurso ganho por eles foi em homenagem ao Carlos Paredes) e por um saxofone. Brilhante! Assim como brilhantes foram os dois intervalos no concerto “lirical” para dois temas apenas sonoros. Só faltou um maior apoio do público, talvez devido a ausência do tal factor que “não importa”... mas continuando com o que importa...
Dealema, entraram e já tinham triunfado, o público do sul mostrou ânsia de os ver e receberam bem esta banda que mais uma vez apresentou o repertório do seu álbum eternamente adiado... Sons que nada tiveram de suaves, crítica social, uma energia inesgotável de dois dos membros, Mundo e Expião, e uma actuação mais sóbria, mas nem por isso menos conseguida de Fuse e Maze levaram esta banda nortenha a obter um grande crédito por parte do público, não se notando sequer a ausência do DJ Guze. E para mais, é só esperar pelo álbum.
Para fechar a tarde, que os concertos da noite estavam para vir, Boss AC. Bem, e se Dealema já tinha entrado com sucesso garantido que dizer deste senhor? Com o seu som mais “dançável”, acompanhado por Gutto, imprimiu uma sonoridade que se acercava do r&b, diferente dos grupos anteriores, entrou com o público já no seu bolso e a aplaudir entusiasticamente, obedecendo aos seus pedidos de “Façam barulho!”, “Façam mais barulho ainda!”. E o público fez, de facto, muito barulho, dançou também na mesma quantidade e ficou satisfeito, mais uma nota positiva.
Com esta tarde duas coisas ficaram bem assentes, uma é que as bandas de rap português já merecem presenças em festivais (inequívoco!), outra é que muito ainda têm a percorrer até merecerem o próximo passo, os concertos para milhares de pessoas no palco principal... mas, com o tempo, quem sabe?
Por Jaime Silva para H2T - www.h2tuga.net |