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Onze e tal da noite, Fidbek foi o primeiro a pisar o palco. Directamente do Norte, veio mostrar-nos ao vivo alguns dos temas do seu aguardado álbum de estreia “Erro Musical”, a sair lá para Junho através da novíssima editora Matarroa. Fez-se acompanhar por Martinêz (ao lado, no microfone) e DJ Bezegol (mais atrás, entregue às batidas e scratch) e, embora a maioria das músicas fossem completamente desconhecidas do público, não foi difícil avivar os ânimos desta pequena multidão que, desde o início, se predispôs à festa. Fidbek e Martinêz (ambos elementos de MatoZoo), foram contagiados pela boa disposição, e tudo parecia correr bem até aos momentos finais de “Onde andas?”, altura em que (quase a propósito…) foram surpreendidos por uma quebra de electricidade. É o que dá energia a mais. O momento de escuridão depressa se resolveu para mais duas ou três músicas finais, sendo a última “Amor Infinito”, com a presença de Kiko (também ele de MatoZoo). Pelo que fica no ouvido, este álbum promete acrescentar algo realmente diferente ao hip-hop nacional, agora é apenas uma questão de esperar por Fidbek.
Brevíssima pausa para substituições e seguiram-se os Ofício. Marroquino e Aprendiz no microfone e Assassino (DJ dos Micro) no vinil, a dar vida aos pratos como só ele sabe. Os Ofício são um grupo de Oeiras, ainda jovem, têm apenas algumas participações em colectâneas hip-hop não muito divulgadas, mas gozam já de uma saudável popularidade no seio do movimento. Havia mesmo quem já soubesse as novas letras de cor! A experiência de palco pode ser pouca, mas a evolução é notória, estão mais seguros e comunicativos do que a última vez que ali actuaram. Beneficiaram, no entanto, da presença de DJ Assassino que ajudou a preencher os sons, brilhando na sua performance (ainda que à retaguarda). Uma actuação curta mas empolgante deste grupo da Microlândia que mostra “viver a música intensamente”.
Pouco passava da meia noite e meia quando chegou a vez de Fuse. O MC de Dealema (Nova Gaia) veio dar uma imagem viva do seu recente álbum a solo “Sintoniza...” mas também repescou alguns dos clássicos do anterior “Informação ao Núcleo”. E começou muito bem, a abrir com temas mais puxados e rápidos que fizeram logo o público saltar efusivamente de braços no ar. “Está muita energia aqui!”, disse Fuse elogiando o entusiasmo do público. De facto, a concentração era tão grande que a sala parecia ter encolhido, o calor era visível pelo suor que escorria nos rostos, e existia uma forte reciprocidade público-artista (também pelo facto do palco ser quase inexistente). Seguiram-se momentos mais calmos mas igualmente intensos, entre os quais “A outra Face” (dedicada a todos aqueles que apoiam o hip-hop mas “vestem a camisola ao contrário”), “Tolerância zero” (com DJ Assassino a dar show nos pratos), “3ª Geração” (incluída em “Irmandade”), ou “Prémio Nobel” (a homenagem de Fuse àqueles que nunca tiveram reconhecimento na vida, single que tem passado frequentemente na tv). Para o fim guardou o duelo com Martinêz, “Guerreiros sem rodeios”, um desafio amigável onde Martinêz avisa que o “Zoo” (MatoZoo) veio primeiro e Fuse logo sobrepõe com um “Dealema represento”. Assim terminam de forma repetida.
Fim de noite (ou principio de dia), tempo de dispersar e assimilar o acontecimento. Inesquecível, para quem viveu. Fuse, já tinha confessado gostar muito de actuar “cá em baixo”, tanto, que o levou mesmo a pensar se aquela primeira noite “teria sido verdade”. E agora novamente…
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Por Sofia Meireles para H2T - www.h2tuga.net e revista "Raio X" |