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A Valentim de Carvalho do Chiado foi o local escolhido para o desenrolar do Campeonato da tarde, com bastante público mas com poucos candidatos ao “pódio” que, entretanto, iam “aquecendo os dedos” nas duas mesas disponíveis. A expectativa que rondava esta tarde foi quebrada por volta das cinco horas, aquando da abertura da competição com o sorteio da ordem dos cinco participantes: Link, Mem, A-one, Kwan e Poison (aka Veneno). Estes foram os corajosos DJ’s que brilharam perante uma audiência animada e participativa.
Um pequeno evento, de grande significado, no qual houve praticamente de tudo: pequenos malabarismos por parte do DJ Link alvoroçando o público, azares que levaram o DJ Mem a interromper o seu set a meio, vindo posteriormente a repeti-lo, e até mesmo um pequeno atraso por parte do DJ Poison, chegando praticamente em cima da sua chamada aos pratos; Demonstrou-se técnica, empenho e criatividade na criação de cada set, fairplay e entre-ajuda por parte dos concorrentes, perspectivando-se um melhor futuro a esta arte que ainda continua a ser incompreendida e desvirtuada.
No final, o júri deste Campeonato, o inglês DJ Harry Love (ex-membro dos Scratch Perverts) que havia seguido atentamente os seis minutos de exibição que cada participante teve nos pratos, anunciou os resultados. Criando algum suspense no público, começou por divulgar o nome do DJ Poison como último classificado, DJ Mem no quarto lugar, DJ Kwan e DJ A-one em execuo numa terceira posição e finalmente, o vitorioso DJ Link em primeiro lugar.
A igualdade obtida pelos Dj’s Kwan e A-one foi posteriormente corrigida com mais um minuto de actuação para cada, não pela reclassificação do júri, que manteve a mesma opinião, mas recorrendo à ovação do público que garantiu o segundo lugar a DJ A-one.
O Vencedor deste Campeonato foi premiado com um vale de 50 € (Valentim de Carvalho) e garantiu a sua presença e participação na noite da galeria Zé dos Bois, tendo a seu cargo os primeiros momentos da Loop@ZDB#7.
Depois de uma pequena pausa de três horas para recarregar baterias, DJ Link encarregou-se então da difícil tarefa que era movimentar e aquecer uma sala quase nula, numa galeria pouco preenchida. Os vinys iam girando com sons de qualidade reconhecida e ritmos apelativos, mas, a concentração da pouca plateia junto ao palco (pequena elevação de um degrau) apenas ocorreu aquando da exibição do set que o sagrou vencedor do 1º Campeonato DJ/Loop.
A fantasia dos pratos deu então lugar á realidade das palavras, foi a vez dos Ofício “subirem o degrau” e, iniciarem a sua actuação com um remix do tema presente no Hip-HoPortuga 2000: “Entra no Vício”. Esta dupla de Mc’s (Marroquino e Aprendiz), ainda inexperientes em actuações ao vivo, conseguiram demonstrar os seus dotes em temas como “Crónicas do quotidiano”, “6º de separação” e “A viagem”, sendo este último novo e dedicado pelo Aprendiz a todos aqueles que sonham. Uma breve actuação desta jovem banda de Oeiras, ainda com um pequeno currículo e detentora de uma sonoridade á qual estamos pouco habituados, com um interessante jogo de vozes que combinam em tom de contraste.
Seguiu-se o momento da noite, o MC Produtor Kilu surgiu na galeria acompanhado pelo DJ Psicopata; Para quem se apresentou ao público com um vago “Entao?!” deu um espectáculo bem preenchido, com o enorme flow que lhe é característico.
A apresentar o seu álbum de estreia “Um outro lado da versão”, Kilu fez-nos percorrer por temas como “Capta a mensagem”, “Correcção significa”, “ Pé descalço & a outra parte”, “Criada outra porta”, e até mesmo uma versão do tema “Rei Mago” . O brilhantismo de Kilu foi tanto que conseguiu suprir a ausência em palco de alguns dos participantes nos seus temas, principalmente a de J-Cap (elemento dos 6º Templo).
Minutos depois foi tempo de deixarmos o Júri do campeonato da tarde apoderar-se dos pratos e finalizar a noite. DJ Harry Love, que já havia sido cabeça de cartaz do Loop@ZDB#3 (em janeiro), presenteou-nos mais uma vez com a sua arte e engenho ao serviço do vinyl.
Um dia bem preenchido que poderia ter acabado melhor se o público tivesse tido mais presença. Injusto para os artistas que mereciam mais apoio e maior glória.
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Por Rui Meireles para H2T - www.h2tuga.net e revista "Raio X" |