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Margem Sul no Activo
Para todos os amantes das 4 vertentes do Hip-Hop Nacional, este foi um daqueles eventos capaz de atormentar as mentes dos que, por algum motivo, não puderam estar presentes. Um fim de semana em grande (17 e 18 de novembro) proporcionado pela Câmara Municipal do Seixal, que, apostando em novos valores e fazendo justiça a uma arte que em nada é menor, deu espaço de manobra a esta talentosa geração da expressão plástica. |
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Este Festival de Arte Urbana e Hip-Hop realizou-se junto ao Fórum Cultural do Seixal, local onde se encontrava “a tela” - o extenso muro da antiga Fábrica Mundet – e onde foi montada uma pequena tenda, pela qual passaram várias bandas do Hip-Hop Nacional, imprimindo assim o ritmo às formas coloridas que nasceram naquelas duas tardes.
Num processo de pré-selecção, a câmara recebeu cerca de 60 projectos de writters que se mostraram interessados em ocupar as 14 vagas disponíveis. Estas potencialidades, juntamente com 6 artistas convidados, tiveram à sua disposição todo o material necessário para elaborar as suas obras de arte mural e deslumbrar todos os presentes.
As pinturas iniciaram-se cedo, às 10 da manhã já as latas começavam a esboçar os primeiros traços atrevidos e indiferentes à chuva.
A partir das 3 horas da tarde o centro das atenções virou-se para a tenda onde actuaram nomes como Sam The Kid, Micro, Xeg, Mundo Complexo, Ghetto Bastards (n.d.r.: actualmente THC), Heda e Shaka no primeiro dia e Chullage, Guardiões do Subsolo, Kilú, Kosmikilla, 3 ilegais, DDR e Revelação no segundo.
Duas tardes marcadas por grandes actuações e algumas revelações, tal foi o caso de Ghetto Bastards a surpreender pela positiva. Kilu, acompanhado por J-Cap, Ciclone e Peika, a demonstrar toda a qualidade que lhe é reconhecida. Sam The Kid, em jogo de equipa com os MC’s GQ e Regula a arrebatarem os ânimos da multidão; Uma explosão de alegria numa declaração de raiva, será talvez a melhor forma de descrever o momento proporcionado por este MC de Chelas. Também Xeg nos quis presentear de novidades sonoras, ao seu bom estilo, deixando no ar a poesia de inúmeras lições mundanas, e o ritmo perfeito para uma pequena sessão de breakdance com 3 B-Boys dos Urban Skills (apesar das condições do piso não serem favoráveis, a arte emergiu, valeu o esforço).
Microlândia fez-se representar por Micro e Mundo Complexo; A Banda de D-Mars, Sagas e Assassino deixou ao público um aperitivo para o seu segundo trabalho “Demo Style”, por sua vez Mundo Complexo, como habitual, conseguiu encantar o público, que se rendeu prontamente aos melodiosos temas. Para quando um Cd? Fica a pergunta em modo imperativo. Pesa-nos já, a anunciada ausência que em breve o MC Ridículo fará para o estrangeiro e desejamos o mais rápido regresso a Portugal e à banda.
Todo o destaque vai claramente para a última prestação que fechou com chave de ouro o fim de semana: Chullage, a jogar em casa, em conjunto com os Red Eyes Gang (a sua Crew de suporte) não teve grandes dificuldades em animar e movimentar o público que tanto o aguardara. Os “embaixadores” da Arrentela continuam a divulgar “Rapresálias - Sangue, Lágrimas, Suor”, um verdadeiro documento de rimas que testemunham a realidade das ruas e do gueto.
Para lembrar este magnífico e invulgar fim de semana ficaram as cores, formas, ideias e todo o talento desta geração de artistas do Hip-Hop Nacional... uma inúmera sequência de graff’s, que vale a pena apreciar e divulgar.
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Por Rui Meireles para H2T - www.h2tuga.net e revista "Raio X" |